Vuelta a España – 1ª semana, baralhar e voltar a dar.

Diogo PiscoSetembro 3, 20187min0

Vuelta a España – 1ª semana, baralhar e voltar a dar.

Diogo PiscoSetembro 3, 20187min0
Muito espectáculo, dias difíceis e tudo em aberto no que toca à geral.

Ao olhar para a classificação geral no final da 9ª etapa da Vuelta, a sensação que fica é que o jogo foi baralhado e que se voltou a dar. O Fair Play faz a análise à primeira semana apresentando o ponto de situação enquanto o pelotão se encontra no primeiro dia de descanso. Fique a saber, quem está na luta, quem se atrasou, quem ficou de fora e os vencedores da semana.

No day off

Comecemos a análise à primeira semana da Vuelta abordando o percurso que foi percorrido até agora pelos ciclistas. Em 9 etapas não se consegue identificar uma em que o pelotão tenha tido um dia fácil pela frente.

Houve apenas 1, o do contra-relógio individual no primeiro dia de competição, onde os ciclista não tiveram de passar uma subida categorizada. A juntar a isso, várias subidas não categorizadas que acrescentam imenso cansaço as pernas dos ciclistas e vão aumentando o acumulado de metros de subida de dia para dia.

O calor tem sido outro dos fatores que torna as etapas ainda mais difíceis. Fonte: flobikes.com

Isto trás sem duvida mais desafio e imprevisibilidade ao espectáculo. Por outro lado, torna muito mais difícil ao pelotão controlar as fugas, sendo que em 9 dias, 8 de etapas de pelotão, a fuga já teve o seu êxito por 3 vezes.

Este facto até não é mau, quando há dificuldades no final e o pelotão chega com uma distância temporal suficiente que permita a realização televisiva filmar a chegada do grupo de fugitivos e depois a chegada dos favoritos à geral.

O problema está quando no final não existem dificuldades e vê-se o pelotão desligar da corrida a mais de 90 quilómetros da meta, entregar a vitória à fuga e limitar-se a passear até à meta como foi o caso da etapa 5.

É bom recordar que ainda é a 1ª semana e não a 3º. Estes dias serão muito semelhantes às longas etapas com chegada ao sprint da 1ª semana do Tour e do Giro, onde pelo menos o pelotão tem o desgaste da perseguição e a tensão da colocação nos quilómetros finais.

Fora de jogo estão

A verdade é que o percurso para além de duro, tem sido bem interessante e cada dia acrescenta algo à corrida. O que fez com que, já na 1ª semana, houvesse respostas quanto aos objectivos de alguns favoritos que deixavam a dúvida se vinham para a Vuelta para vencer ou para ganhar ritmo competitivo.

Com este tipo de percursos não dá para fazer como nas outras grandes voltas e aguentar a primeira semana com os melhores. Nem foi necessário chegar ao final em alto da etapa 4 ou da etapa 9 para deixar pelo caminho nomes como Richie Porte (BMC Racing Team), Vincenzo Nibali (Bahrain Merida Pro Cycling Team) Ilnur Zakarin (Team Katusha – Alpecin) e Dan Martin(UAE- Team Emirates) que terão de apontar a outros objetivos se queiserem deixar alguma marca nesta competição.

Na luta estão

A camisola da liderança da Vuelta a España 2018 parece não ter sossego, tal como o pelotão, e já passou por 4 ciclistas diferentes. No fim de algumas voltas e reviravoltas, o percurso da Vuelta, em especial a etapa 9 já deixou alguns nomes afastados da vitória.

No entanto, não foi suficiente para fazer grande diferenças entre os favoritos, o que revela neste momento um Top 10 com diferença de 48 segundos entre 10º e 1º e apenas 17 segundo entre o Top5.

Classificação Geral após a 9ª etapa. Fonte: lavuelta.es

A confirmar o seu favoritismo mostrando-se em forma e com confiança estão Simon Yates (Mitchelton-Scott,), Nairo Quintana (Movistar Team), Miguel Angel Lopez (Astana Pro Team), Rigoberto Uran (Team EF Education First-Drapac p/b Cannondale).

No mesmo patamar tem estado o holandês  Wilco Kelderman (Team Sunweb), que se encontra fora de Top 10 devido a um azar sofrido na etapa nº6, que o fez perder 1:44 min para a concorrência. Kelderman tem no contra-relógio a sua oportunidade para recuperar algum deste tempo, mas terá de arranjar maneira de ganhar mais algum tempo nas montanhas se quiser entrar na luta com os homens da frente.

Também em grande forma se encontra Alejandro Valverde (Movistar Team), que já conta com 2 vitórias em etapas, a 2ª e a 8, e se encontra na 2ª posição a 1 segundo da liderança. No entanto, na etapa 9, o espanhol com 38 anos foi incapaz de seguir com os mais novos no ataque final e acabou por perder alguns segundos que lhe tiraram a liderança atual da competição. Fica a dúvida se o veterano será capaz de aguentar as 3 semanas com a juventude que ataca a classificação geral.

Valverde venceu a etapa 8 da Vuelta 2018, derrotando o cameão do mundo, Peter Sagan, ao sprint. Fonte: Tim de Waele/Getty Images

Deixando algumas dúvidas quanto à capacidade de aguentar as 3 semanas com os melhores está a surpresa/confirmação Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe), Ion Izaguirre (Bahrain Merida Pro Cycling Team), Tony Gallopin (AG2R La Mondiale), Steven Kruijswijk e George Bennet (Team LottoNL-Jumbo). Parecem estar em forma e se confirmarem essa condição física podem oferecer alguma luta aos homens da frente.

Mais atrasados e fora do Top 10 estão: Fabio Aru (UAE- Team Emirates), que apesar de não conseguir acompanhar os melhores tem minimizado percas; Michal Kwiatkowski,que liderou a corrida mas tem perdido algum tempo desde que caiu na etapa 8, e David de la Cruz (Team Sky) que tem lutado para seguir os favoritos mas aparenta estar uns pontos abaixo;  Thibaut Pinot (Groupama – FDJ), que ficou com Kelderman na etapa 6 mas que tem lutado para se manter na luta da geral; e Enric Mas (Quick-step Floors), que tem tido um desempenho muito semelhante ao do seu conterrâneo de la Cruz.

Até agora não há um bloco que seja superior e domine a corrida por completo. Ao longo do tempo a Sky habituou-nos ao seu super bloco e a uma corrida controlada. Também a Movistar já apresentou a mesma postura na Vuelta e a Astana no Giro. Mas apesar destes 3 blocos, assim como o da Lotto NL-Jumbo e o do Baharain estarem fortes, não se pode dizer que há um que esteja a suprimir os outros.

Agora é altura de cada um jogar com a mão que tem, sendo que não se pode afirmar que há um claro favorito à vitória que se tenha apresentado até agora superior a todos os adversários.

Vencedores da semana

Para além das duas vitórias de Valverde, o nome que causou surpresa e sensação foi de Ben King (Team Dimension Data) que voltou a dar uma vitória de categoria World Tour à sua equipa, passado mais de um ano após a última. King dominou de forma categórica as etapas 4 e 9, ambas com chegada em alto, e alcançou as duas maiores vitórias da sua carreira.

King nem queria acreditar que voltava a vencer na 9ª etapa da Vuelta 2018. As duas maiores vitórias da sua carreira numa semana. Fonte: Bettini Phtoto

A 1ª semana teve ainda a vitória de Rohan Dennis (BMC Racing Team) no contra-relógio do primeiro dia, Elia Viviani (Quick-step Floors) venceu a etapa 3 com chegada ao sprint, mas não foi capaz de impedir a vitória de Nacer Bouhanni na etapa 6, que voltou a vencer numa grande volta e a dar uma vitória no World Tour à sua equipa. Também Simon Clarke (Team EF Education First-Drapac p/b Cannondale) conseguiu dar à sua equipa o mesmo prazer na etapa 5 e, na etapa 7, seria a vez de vermos Tony Gallopin (AG2R La Mondiale) regressar às grandes vitórias. Foi uma semana que se mostrou salvadora e rejuvenescedora para estas equipas.


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