Tour de France – G. Thomas, porque surpreende o homem que reina de Amarelo?

Diogo PiscoJulho 23, 20187min0

Tour de France – G. Thomas, porque surpreende o homem que reina de Amarelo?

Diogo PiscoJulho 23, 20187min0
É impossível, neste momento, falar de Tour de Frande e não falar em Geraint Thomas.

À imagem do que aconteceu no Giro deste ano, há entrada da última semana há um homem que surpreendentemente tem dominado a luta pela classificação geral do Tour de France. Também à imagem do que aconteceu no Giro, O Fair Play, aproveita a entrada na derradeira semana para explicar porque razão se pode considerar Geraint Thomas a surpresa do Tour até ao momento.

Fique então a conhecer:

  • Nome: Geraint Howell Thomas
  • Idade: 32 anos
  • Altura: 1,83 m
  • Peso: 71 kg
  • Nacionalidade: Britânico
  • Equipa: Team Sky
  • Vitórias: 20
  • Épocas no World Tour: 8ª época (atualmente)
“G” é a forma como é chamado pelos colegas de equipa. Fonte: Metro News

Até ao Tour de France 2018

Ao contrário de Simon Yates, G. Thomas já tinha provado ser um ciclista de grande qualidade em vários tipos de terreno.

Uma boa carreira na pista, em especial na disciplina de perseguição, deram-lhe as qualidades necessárias para ser muito bom no esforço individual contra o relógio. Ao longo das 20 vitórias que tem no seu currículo, 5 são em contra-relógio, sendo a mais importante no contra-relógio do Tour de France de 2017, etapa que o faria vestir pela primeira vez na vida a tão desejada camisola amarela. Este ano, chega ao Tour como campeão nacional da disciplina.

G, deu também provas da sua qualidade nas clássicas, conseguindo o Top 10 por 2 vezes no Tour des Flandres, por 1 vez no Paris Roubaix e vencendo a E3 Harelbeke 2016.

É conciliando as suas qualidades no contra-relógio e de homem de clássicas, com as suas qualidades de trepador, que Thomas começa a mostrar capacidade de conquistar provas por etapas. Venceu provas de menor dimensão, como a Bayern Rundfahrt (2011, 2014) e a Volta Algarve (2015, 2016), e provas de calibre World Tour, como o Paris-Nice (2016), o Tour of the Alps (2017) e o Critérium Dauphiné (2018).

São as suas conquistas enquanto líder aliadas às suas exibições nas grandes voltas como gregário, sendo o homem de confiança do seu líder Chris Froome, onde por muitas vezes foi o último homem de trabalho antes de deixar o líder sozinho, que levaram os responsáveis da Sky a pensar em Thomas como potencial líder para as três semanas.

Thomas chega finalmente à liderança em 2017, sendo co-líder da Sky com Mikel Landa no Giro, mas acabou por abandonar após uma queda. Até então tinha estado tapado por nomes como Richie Porte e Rigoberto Uran.

Apesar das indicações dadas e de ir já na sua 13ª participação numa grande volta, a melhor classificação que Thomas obteve na classificação geral final foi o 15º lugar no Tour de France de 2015 e 2016. Normalmente, o ciclista sofre o chamado “dia mau” que atinge muitos ciclistas de qualidade que não conseguem afirmar-se nas grandes voltas e acabam por se afundar na classificação geral.

Na verdade, Thomas teve boas prestações enquanto gregário, mas não se pode valer dos seus resultados em grandes voltas para justificar a liderança de uma equipa como a Sky. Para além nunca ter alcançado um Top 10 numa grande, enquanto outros o fizeram gozando da mesma posição, G tem apenas uma vitória em etapa, o já referido contra-relógio do Tour 2017.

Froome cumprimentando Thomas no dia da consagração da vitória no Tour 2016 Fonte: Tim de Waele

Qual é a surpresa?

Analisando os seus resultados consegue-se encontrar razões para atribuir a liderança de uma equipa a Thomas, mesmo que nunca tenha tido grandes resultados nas três semanas. Basta estar minimamente por dentro da história do ciclismo nos últimos 8 anos para saber que Thomas é muito mais do que os resultados referidos. É realmente um ciclista que deixa a sensação que podia ter estado na disputa de uma grande prova não fosse a posição de gregário ocupada até hoje.

Este ano, inicialmente com a hipótese de ver o seu líder, Chris Froome, afastado do Tour por suspensão ou com a hipótese de Froome vir a quebrar acusando o cansaço acumulado por ter feito o Giro, a Sky decidiu preparar Thomas como se este fosse o líder da equipa no Tour. E assim chegou à posição que enfrenta atualmente.

Então se Thomas já tinha mostrado qualidades e se fez a sua época preparando-se para ser líder, porque surpreende que seja o camisola amarela e que esteja a dominar a luta pela geral no Tour? 

Em primeiro lugar porque esta é sem dúvida a melhor prestação de Thomas das 13 vezes que participou numa grande volta. A estatística diz-nos que Thomas ganhou numa semana o dobro das etapas de uma grande volta que tinha ganho até então, aliás em dois dias.

Em segundo lugar, ganhou de forma imperatória frente a homens que já ganharam muito mais do que ele. Para além disso fê-lo dois dias seguidos e uma das vezes no mítico Alpe d’Huez.

Vitória de “G” no Alpe d’Huez. Fonte: Marco BERTORELLO

Thomas gozou do facto de não ser atingido por nenhum dos azares que atingiram quase todos os favoritos na primeira semana, da boa prestação no contra-relógio por equipas e de um estatuto especial dentro da equipa que não o mete no mesmo patamar de Froome, mas mete num patamar muito perto.

No entanto a grande surpresa está na situação de corrida do momento. Ninguém estaria surpreendido se tudo isto tivesse acontecido tendo-se verificado as razões que levaram a Sky a preparar Thomas para ser líder. Caso Froome tivesse sido suspenso ou tivesse mostrado fraqueza a surpresa de ver Thomas seria consideravelmente menor.

Por outro lado, ver G a dominar uma corrida e a gozar de tudo o que tem gozado até então frente ao seu líder?! Não deixa de ser surpreendente, em especial quando Froome por condições da corrida que lhe têm sido menos favoráveis do que ao seu colega se vê condicionado ao segundo lugar da classificação geral e não ao seu habitual primeiro lugar.

Existe assim, uma surpresa que pode ser confundida com incerteza. Incerteza quanto ao que irá acontecer durante esta semana. Incerteza quanto a quem irá ganhar a corrida se continuarem os dois em boa forma. Irá Froome deixar Thomas ganhar? Irá Thomas receber ordens que quem tem de ganhar é Froome? Irão os dois colegas de equipa defrontar-se pela vitória final, correndo o risco de vir a beneficiar os adversários com isso? E se quebrarem, será que quebram os dois? E se quebrar só um, quem será?

No final G Thomas é a incerteza que se afirma como a grande surpresa do Tour de France 2018, até agora… Enquanto Froome parece ter arranjado finalmente um adversário com uma grande equipa capaz de lhe fazer frente no Tour. Surpreendente, não?

Quem se senta no lugar de líder? Fonte Getty Images

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