Strade Bianche – O 6º monumento!

Diogo PiscoMarço 8, 20194min0

Strade Bianche – O 6º monumento!

Diogo PiscoMarço 8, 20194min0
O mais recente monumento do ciclismo. Apenas na 13ª edição mas com a dimensão só reconhecida aos mais antigos monumentos do século passado. Será mais um ano épico certamente.

182 quilómetros; lama ou pó; terra batida e gravilha; subidas curtas capaz de deixar qualquer um a pé; ataques de longe; um pelotão completamente partido; quedas; desistências; uma chegada em descida após 600 metros de subida com uma inclinação média de 13% e máxima de 16%; uma corrida que todos os líderes das clássicas sonham ter no currículo; uma lista enorme de favoritos com os melhores especialistas  do mundo em corridas de um dia; tragédia; entrega; sofrimento; alegria e um enorme sentimento de conquista. Se isto não são os ingredientes de um monumento, está muito perto.

Wout Van Aert deixou tudo na estrada para conquistar o top 3 em 2018. Fonte: Bettini Photo

Já são muitos os que não têm medo de afirmar que esta clássica italiana realizada na zona da Toscana, com final em Siena, é o 6º monumento do ciclismo. Os italianos chamam-lhe “sterrato“, nós chamamos terra batida. É este o tipo de terreno que dá nome à prova e que caracteriza um terço do percurso que será percorrido este sábado dia 9.

A prova já seria bastante difícil só com base num percurso técnico, carregado de subidas e descidas, um autêntico parte pernas. Para complementar, tem sectores da tal terra batida. Se estiver seca, significa menos tração e mais pó no ar, se estiver molhada, significa lama e tração a mais. Nenhuma das duas torna a vida mais fácil a quem anda de bicicleta.

Imagem de Bennot ao vencer a última edição. A lama não é melhor que o pó. Fonte: Bettini Photo

As fotos resultantes deste dia parecem retiradas de outro tempo. Falamos de um dia em que todos deixam tudo na estrada e onde é normal ver ciclistas sucumbir após passar a meta.

As vitórias são vibrantes e memoráveis, resultando em narrativas e relatos que parecem jornadas dos cavaleiros da idade média. Nem parece credível quando se percebe que todo este elenco vai apenas para a sua 13ª edição.

As equipas do world tour vão com tudo. Uma vitória na Strade Bianche significa um arranque de ano em grande. Todos querem ganhar, basta olhar para a constituição das equipas para deduzir isso.

É muito difícil definir um favorito para esta prova, pois são tantos os factores que influenciam a história desta jornada, que definir um favorito à partida será um enorme erro. A vitória dependerá da sorte, do acreditar, de estar no momento certo na altura certa, das decisões, arriscar pode abrir a porta da vitória ou do vazio. No entanto não é difícil enumerar os nomes dos homens com mais capacidade para este tipo de prova.

Zdenek Stybar, assim como toda a Deceunink – Quick Step, serão os principais alvos a abater. A equipa venceu as 3 clássicas realizadas até ao momento, com 3 homens diferentes. Para além de Stybar, que já venceu esta prova, a equipa leva Julian Alaphilippe, Yves Lampaert e muita força para atacar com os restantes lobos.

Em grande forma também estão Greg Van Avarmaet (CCC Team), Tim Wellens (Lotto Soudal) e Alexey Lutsenko (Astana Pro Team). Do top3 do ano passado temos o vencedor, Tiesj Bennot (Lotto Soudal) e Wout Van Aert (Jumbo Visma), dois nomes que iram correr com tudo para vencer. Gianni Moscon (Team Sky) será alguém a ter em conta por aquilo que fez no fim da época passada nas clássicas de outono italianas, assim como Vincenzo Nibali (Bahrain Merida), vencedor em título da Milano San-Remo.

Stybar, Wellens e Avarmaet são nomes já bem conhecidos desta cruzada. Fonte: Bettini Photo

Muitos mais nomes se podem apontar à vitória numa lista com 148 ciclistas, onde facilmente se encontram dois nomes por equipa com possibilidade de se candidatar à vitória.

Vitória essa que pode sorrir a Portugal. Rui Costa (UAE Team Emirates), tem vindo a subir de forma neste início de época. Rúben Guerreiro (Katusha – Alpecin) e Nelson Oliveira (Movistar Team) também estarão presentes e não são totalmente desadaptados para este percurso, talvez a subida final seja demais para eles, mas se chegarem com tempo podem lutar por uma boa classificação.


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