Milano – Sanremo: mais Arte do que Força

Diogo PiscoMarço 22, 20193min0

Milano – Sanremo: mais Arte do que Força

Diogo PiscoMarço 22, 20193min0
O 1º dos 5 monumentos está aí! Será precisa muita força para percorrer os 291 km entre Milão e Sanremo. Mas no final, será precisa muita arte para sair de Itália como rei de Sanremo.

Está aí a “Clássica da Primavera”. Prova também denominada por “Clássica das Clássicas” ou “Classicissima”. Será já no dia 23 de Março, que o pelotão irá atacar os 291 quilómetros que percorrem a costa Italiana e ligam Milão a Sanremo.

O 1º dos cinco monumentos é também conhecido por ser o monumento dos sprinters e basta olhar para o percurso para perceber o porquê.

Perfil dos 291 kms que levarão os ciclistas de Milão a Sanremo. Fonte: milanosanremo.it

A extensão do percurso é sem dúvida a grande exigência desta prova, sendo o mais extenso dos cinco monumentos. São quase 300 quilómetros de prova, onde nos primeiros 260 quilómetros o maior desafio será a ascensão ao Passo del Turchino. Com um grau de dificuldade pouco exigente, está colocado muito longe da meta para poder ser um ponto decisivo da prova.

Com a normal fuga do dia a dar sempre algum trabalho às equipas do sprinters, é já nos últimos 30 quilómetros que o espetáculo começa. A Cipressa, com 5,6 quilómetros e 4,1% de inclinação, serve para os puros classicómanos mexerem na corrida e testarem as pernas e atenção dos adversários. Sabem que a chegada ao sprint não lhe será favorável e tentam a sua sorte de longe.

No entanto, é no Poggio de Sanremo que arte e o engenho têm descido das bicicletas para inundar as estradas italianas. É aqui que quem tiver mais arte que força pode escrever mais uma bela página na história do ciclismo.

O ano passado, foi Vincenzo Nibali a dar aos adeptos do ciclismo o que mais queriam ver. O tubarão saiu da água no Poggio e nadou mais rápido do que todo um pelotão de sprinters famintos que ficaram a ver o italiano a erguer os braços

Já em 2017, após o ataque no Poggio de Peter Sagan (Bora – Hansgrohe), que levou Michal Kwiaktowski (Team Sky) e Julian Alaphilippe (Deceunink – Quick Step) na sua roda, 3 artistas que o pelotão não conseguiu seguir, deixando-os discutir a vitória num dos sprints mais espetaculares que a prova já viu.

Um dos sprints mais espetaculares que Sanremo já viu. Fonte: pintherest

Mas apesar das últimas duas edições terem brindado os adeptos com o melhor do que o ciclismo tem, é provável que as fortes armadas que os melhores sprinters do mundo levam para esta prova, consigam controlar e responder os vários ataques que certamente irão acontecer. Afinal este é o monumento dos sprinters.

Posto este enredo, é mais uma vez muito difícil limitar os potenciais vencedores desta prova. Se há favoritos? Há, mas qualquer ciclista pode sair vitorioso no desenrolar de uma prova mítica.

Para além dos nomes já citados, Elia Viviani (Deceunink – Quick Step), Greg Van Avarmaet (CCC Team), Arnaud Démare (Groupama – FDJ), Caleb Ewan (Lotto Soudal), Matteo Trentin (Mitchelton – Scott), Dylan Groenewegen (Team Jumbo-Visma), Michael Mathews (Team Sunweb), John Degenkolb (Trek – Segafredo), Alexander Kristoff ou Fernando Gaviria (UAE Team-Emirates) são os chefes de fila com equipas mais fortes e que mais se adequam às caraterísticas da prova. Mas muitos mais nomes se alinham como potenciais vencedores, pois quase todas as equipas levam outras opções que lhes permitem jogar uma tática diferente da esperada.

Quem levará a melhor? A arte ou a força?


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