Team Katusha – Alpecin, a equipa que menos venceu em 2018

Diogo PiscoNovembro 18, 20185min0

Team Katusha – Alpecin, a equipa que menos venceu em 2018

Diogo PiscoNovembro 18, 20185min0
A Team Katusha-Alpecin foi a equipa que menos venceu na época 2018 e a segunda com menos pontos do ranking World Tour da UCI. Uma época para esquecer para a equipa de José Azevedo!

Esta foi de longe a pior época desde que a equipa subiu ao escalão principal do ciclismo, em 2009. A Team Katusha – Alpecin, comandada pelo  antigo ciclista português José Azevedo, alcançou a vitória apenas por 5 vezes nesta época. Foi também a segunda pior em termos de pontos do ranking world tour da UCI. Um época que a equipa quererá certamente esquecer rapidamente.

É difícil olhar para a época realizada pela Katusha e encontrar muitos pontos positivos. Sabemos que é injusto analisar uma época só pela número de vitórias, mas será certamente difícil aos adeptos de ciclismo relembrar momentos em que a equipa tenha efetivamente lutado por grandes vitórias.

Se retirarmos a vitória individual de Tony Martin no campeonato nacional de contra-relógio, a equipa tem apenas 4 vitórias e apenas 2 no escalão world tour. É muito pouco para uma equipa com o poder orçamental da Katusha, que todos os anos faz uma aquisição de peso para o seu plantel. Falamos de uma equipa que por norma alcançava 20 vitórias anuais (ou ficava lá perto ou passava) e que em 2015 conseguiu vencer por 40 vezes na época.

A equipa depositou muita confiança em Kittel, mas o sprinter não correspondeu. Fonte: Sirotti

Mais do que resultados, falta atitude numa equipa que sobressai mais pelas iniciativas e qualidade individual dos seus ciclistas, do que pelo desempenho coletivo. Pior de que não ganhar é ver que a equipa carece de espírito e carácter vencedor e isso reflete-se nos resultados.

Os dois principais líderes da equipa tiveram uma época muito sofrida, ficando à quem das expetativas. Desde 2016, quando Joaquim “Purito” Rodriguez deixou de ser líder da equipa na luta pela grandes voltas, que a equipa perdeu o seu rumo, chegando ao descalabro nesta temporada.

Ilnur Zakarin, apontou a mira ao Tour de France mas o tiro saiu-lhe ao lado. Foi uma época onde nunca conseguiu aguentar montanha a cima com os melhores e mesmo tendo terminado o Tour no Top 9 nunca se viu aquele Zakarin desafiante do Giro 2017 e 2016, nem o do 3º lugar na Vuelta 2017. Nas restantes provas da época as indicações foram idênticas ao que se passou no Tour, tirando na Vuelta em que tudo correu ainda pior. Zero vitórias e zero pódios em 2018, para um ciclista que vinha a prometer muito mais do que isto.

Se Purito Rodriguez assegurava as vitórias nas etapas de alta montanha e lutava pela geral das grandes provas, Alexander Kristoff era o espírito desta equipa quanto às etapas de sprint. Estes eram os dois nomes fortes da equipa. Se com a reforma de Purito a equipa se desorientou, com a saída de Kristoff afundou por completo. O sprinter norueguês vinha a perder fôlego desde 2015 e com a chegada de Marcel Kittel decidiu mudar de ares deixando o trabalho entregue a outro sprinter.

Kittel foi o grande investimento da Katusha para a época de 2018. Acabara a época de 2017 como o melhor sprinter do ano onde venceu por 14 vezes, 5 delas no Tour. Era uma aposta forte por parte de José Azevedo, que pensava que com este investimento iria encaixar um bom número de vitórias, algumas nas provas mais importantes do calendário. A aposta saiu bastante furada e Kittel não conseguiu de forma alguma ser sombra do ciclista que foi na época de 2017. Venceu por duas vezes no Tirreno-Adriatico e por aí fechou as suas vitórias ao longo da época. A primeira e a última vitória na temporada foi em Março. Um cenário que ninguém previa, nem nos piores pesadelos do ciclista, nem nos do diretor geral.

Foram os segundos planos que acabaram por dar mais visibilidade à equipa. Nathan Haas foi um lutador e procurou desde as primeiras, e até às últimas, provas da época alcançar vitórias para a equipa. Conseguiu vencer no Tour of Oman, mas não teve a mesma sorte no Tour de Suisse ou no Tour of Turkey, onde andou perto de vencer mas não conseguiu.

Um dos melhores da equipa em 2018. Nathan Hass foi sempre um inconformado com a falta de vitórias. Fonte: cyclingtips.com

O jovem Nils Polits foi outros dos nomes a dar nas vistas, em especial na reta final da época no Deutshland Tour, vencendo a etapa 4, e também no Tour of Britain. De realçar ainda, um 2º lugar na etapa 5 do Paris-Nice.

Também um português assumiu um papel de grande importância neste ponto. José Gonçalves esteve bem no Giro d’Italia. Conseguiu andar no Top 10 durante a primeira semana e lutou bastante para conseguir um excelente 14º lugar na geral final. Não conseguiu encaixar vitórias como no ano de 2017, mas foi um dos poucos pontos mais desta equipa.

A Katusha foi sem dúvida nenhuma uma das equipas mais apagadas da época. Longe da equipa que foi, as fracas exibições, juntas ao fraco número de vitórias e à fraca dimensão dessas vitórias, chegam para justificar o titulo de pior equipa da temporada. A equipa vê partir Tony Martin, que nunca conseguiu ser o grande ciclista que tinha sido até ingressar na Katusha, e vê chegar nomes como Jens Debusschere, Daniel Navarro, Enrico Battaglin e o português Rúben Guerreiro. 3 ciclistas de características diferentes, nenhum é um super nome ao contrário do que tem sido habitual nas contratações da equipa. Consistentes e bons ciclistas, com capacidade de lutar por vitórias mas óptimos homens a trabalhar para o grupo. Estas parecem ser as características que a equipa mais precisa neste momento. Vamos ver se com estas aquisições José Azevedo consegue reerguer uma equipa com muita qualidade e com muito para dar aos amantes das duas rodas.


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