Giro d’Italia – 2ª semana de reviravoltas

Diogo PiscoMaio 28, 20194min0

Giro d’Italia – 2ª semana de reviravoltas

Diogo PiscoMaio 28, 20194min0
A semana em que começou o Giro a sério, finalmente. Quando todos pensavam que a esta altura Roglic iria dominar o Giro e apenas se teria de defender na última semana, não é bem esse o cenário que está montado.

A semana começou calma, ainda na onda da semana anterior, e em duas chegadas ao sprint viu-se Arnaud Démare (Groupama FDJ) e Caleb Ewan (Lotto Jumbo) vencerem a 10ª e 11ª etapas, respetivamente.

O pelotão entrou depois na alta montanha e logo na 12ª etapa tivemos uma amostra do que viria a ser o final da segunda semana do Giro 2019.

Mikel Landa (Movistar Team) e Miguel Ángel López (Astana Pro Team) abriram as hostilidades, sendo os mais atrasados e inconformados com a situação que viviam. Atacaram em conjunto e conseguiram recuperar alguns segundos, num dia que viu a UAE Team Emirates trocar a liderança de Valerio Conti para Jan Polanc e Cesare Benedetti dar a 3ª vitória à BORA – hansgrohe.

Na 10ª etapa, a UAE Team Emirates viu Conti perder a Rosa, mas para o seu colegade equipa Jan Polanc. Giro bastante poditivo para esta equipa. Fonte: Tim de Waele/Getty Images

A 1º chegada em alto, mostrou um Ilnur Zakarin (Katusha – Alpecin) que não se via à muito tempo. À 13ª etapa, Zakarin foi para fuga, assim como Bauke Mollema (Trek Segafredo) que comprovou o bom momento de forma, e para além da vitória assumiu-se como candidato a lutar pelos os lugares cimeiros.

Landa voltou a atacar, assim como M. A. Lopez que viu o seu esforço ser em vão derivado a problemas mecânicos. A Movistar saiu a vencedora do dia, com Landa a recuperar 1:37 min e Richard Carapaz 1:19 aos dois grandes favoritos, até então, Vincenzo Nibali (Bahrain Merida) e Primoz Roglic (Jumbo Visma). Preocupados em demasia um com o outro, a jogar ao gato e ao rato, aqueceram os ânimos na corrida e na imprensa.

Carapaz ao ataque. Uma vez, outra e outra. Parece que ninguém o levava a sério cada vez que o viam sair do grupo dos favoritos. À entrada para a ultima semana é líder e parece bastante bem. Fonte: Tim de Waele/Getty Images

No entanto, esqueceram-se que não há vencedores antecipados e agora vêm-se obrigados a recuperar tempo para quem está à frente e a ganhar a quem vem atrás. Isto porquê? Porque na etapa 14, entre os seus joguinhos, deixaram fugir Carapaz, que voltou a vencer uma etapa e, mais importante que isso, ganhou quase 2 min aos restantes favoritos e conquistou a Maglia Rosa. Dia grande para o equatoriano e para a Movistar, novamente, que mantinha Landa junto dos homens da geral continuando como hipótese válida para o top 3.

Para fechar a semana, havia uma mini Volta à Lombardia, onde todos esperavam ver o Tubarão de Messina (Vincenzo Nibali) ao ataque. Assim aconteceu, num final de etapa emocionante, com Nibali a atacar antes da descida para a meta, sendo seguido apenas pelo líder da corrida. Bem coordenados ganharam 40 segundos a Roglic, que não respondeu com prontidão ao ataque e depois acabou por cair na descida, uma das suas especialidades, o que pode mostrar alguma fragilidade.

Nibali ao ataque seguido por Carapaz. Uma boa combinação entre os dois rendeu 40 segundos sobre Roglic na meta. Fonte: Tim de Waele/Getty Images

Apesar de todo este espetáculo entre os homens da geral, foi insuficiente para alcançar os homens da fuga do dia, onde Dario Cataldo (Astana Pro Team) batia ao sprint Mattia Cattaneo (Androni Giocattoli – Sidermec) e vencia a etapa 15.

Entre os protagonistas da semana, estão Pavel Sivakov (Team Ineos), aguentando-se entre os favoritos, está no Top 10 e vai dar luta na defesa da Maglia Bianca, e Simon Yates (Mitchelton- Scott), que após desiludir tem vindo a recuperar forma. Longe de poder vir a discutir a vitória, mas pode ser um animador desta última semana, entrando na luta por um possível top 3. Rafal Majka (BORA – hansgrohe) continua a cumprir, chegando sempre entre os melhores, estando neste momento a 2:35 min do líder na 4ª posição.

Não sendo uma primeira hipótese para a maioria, também ninguém tinha coragem de afirmar que não podia acontecer. Na verdade, Richard Carapaz chega à última semana do Giro como líder e parece bastante à vontade com isso.


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