Giro d’Itália 2021: in João Almeida we trust!

Davide NevesMaio 7, 202111min0

Giro d’Itália 2021: in João Almeida we trust!

Davide NevesMaio 7, 202111min0
Começa já este sábado a 104ª edição do Giro d'Itália. Depois da edição fantástica do ano passado onde João Almeida se mostrou ao mundo, o que podemos esperar este ano?

De 08 a 30 de maio, quase 3500 quilómetros e dois contrarrelógios, um a abrir a prova com 9 quilómetros, e outro a fechar, em Milão, com 30. A primeira grande volta de 2021 está aí e irá certamente proporcionar um grande espetáculo. Assim, através da minha análise do percurso e dos favoritos, e da análise do Gonçalo Melo dos jovens e dos ciclistas mais rápidos, o Fair Play irá gerar aqui um pequeno guia para o Giro 2021.

O percurso

O Zoncolan. O teste dos testes neste Giro.

A primeira semana começa com o prólogo, perfeito para o campeão do mundo Filippo Ganna. As duas etapas seguintes serão relativamente planas, com a quarta etapa a apresentar as primeiras complicações em Sestola, com uma subida de 4 quilómetros com pendente média de 9.5% (e pendentes de 13%!). As etapas 5, 7 e 10 servirão os propósitos dos sprinters ou de um ataque estratégico de longe – no caso da sétima etapa, um ataque a 2 quilómetros pode ser suficiente, devido a uma rampa relativamente complicada. As etapas 6, 8 e 9 têm chegadas em alto, com destaque para a subida de San Giacomo na etapa 6 (15.5km com pendente média de 6.5%) e para a chegada a Campo Felice na etapa 9: 5.7 quilómetros com pendente média de 5.8%, sendo que o último quilómetro e meio em sterrato.

A segunda semana começa igualmente com sterrato, com quatro sectores da prova. Uma etapa muito parecida a uma Strade Bianche, por exemplo. Na etapa 12 regressamos a Bagno di Romana, onde Rui Costa perdeu em 20117 para Omar Fraile. A etapa 13 é plana e seguimos para aquela que será a etapa decisiva para muitas aspirações: a subida ao Zoncolan. 205 quilómetros de extensão, com treze dolorosos quilómetros finais com pendente média de 8.9%. Os últimos três quilómetros mostrarão quem tem o que é preciso para levar a maglia rosa para casa: uma pendente de 13% espera o vencedor do Zoncolan. A etapa 16 colocará à prova novamente os melhores trepadores em prova, com a subida ao Passo Giau (9.8km com pendente média de 9.5%) e descida para Cortina d’Ampezzo, onde em 2012 Joaquin “Purito” Rodriguez venceu.

A terceira e úlitma semana começa com uma chegada ao brutalíssimo Sega di Ala, com 11 quilómetros com pendente média de 10%. A etapa 19 tem três subidas, com a final a ser em Alpe di Mera. A etapa 20 é igualmente com chegada em alto, em Alpe Motta (8.1km com pendente média de 7.8%. A última etapa é o contrarrelógio de 30 quilómetros em Milão.

Os favoritos

Simon Yates procura nova vitória em grandes voltas.

Conseguimos selecionar facilmente os mais favoritos à vitória final em Milão. Para começar, Egan Bernal. O antigo vencedor do Tour tem no Giro a oportunidade de mostrar à INEOS que pode voltar a liderar em França, e a equipa montada em torno do colombiano irá colocar à prova todo o pelotão. Pela Bahrain, o sempre favorito mas nunca vencedor, Mikel Landa. O espanhol fechou pódio apenas uma vez numa grande volta (Giro de 2015), e de lá para cá já fechou em quarto lugar por três ocasiões. Pela Astana, Alexsander Vlasov procura fechar top-5, com uma equipa que aposta na experiência de Gorka Izagirre e Luis Leon Sanchez. Remco Evenepoel e João Almeida são os líderes da Deceunick (apesar de no papel apenas Almeida ser o líder, o belga terá sempre o apoio da equipa se estiver bem classificado).

Hugh Carthy vem embalado de um pódio na Vuelta de 2020 e mostrou que tem capacidade para ser líder da EF numa grande volta. Apoiado pelo vencedor da montanha de 2020, o nosso cowboy de Pegões, Rúben Guerreiro, o inglês irá lutar pelo pódio. Pela Jumbo-Visma, George Bennett procura melhorar o resultado de 2018, um oitavo lugar. Terá em Tobias Foss o principal apoio. Marc Soler é o líder da Movistar e conta com Davide Vilella, Nélson Oliveira ou Dario Cataldo como apoio.

Para finalizar, mais três nomes. Simon Yates pode aqui recuperar algum do estatuto perdido nos últimos dois anos e voltar a vencer uma grande volta, depois da vitória na Vuelta em 2018. Destaque final para os italianos Davide Formolo e o sempre irreverente Vincenzo Nibali. Formolo lidera uma Emirates confiante, a viver do enorme sucesso de Tadej Pogacar, enquanto que o tubarão de Messina traz a sua experiência para mais um Giro que já venceu duas vezes, numa Trek a fazer uma grande época e com um apoio bastante sólido: Mollema, Brambilla e Ciccone são três nomes de muito respeito no pelotão e tudo farão para levar Nibali à vitória pela terceira vez e tentar igualar nomes como Bernard Hinault ou Gino Bartali com três vitórias na prova.

Os jovens

Remco está finalmente de volta! Veremos o prodígio belga mostrar o que vale?
Foto: Sigfrid Eggers.

Mais um ano, e mais um Giro com uma quantidade elevada de jovens de qualidade em prova. A volta italiana é provavelmente a volta mais representada em termos de jovens, como mostram os dados relativos às últimas edições. Nos últimos dez anos, a grande maioria dos corredores em prova situava-se no intervalo etário dos 23 aos 28 anos, algo bastante relevante.

Mas quem são os jovens a quem não devemos estar mesmo desatentos?

Temos de começar pelo que é nosso. João Almeida estreou-se numa grande volta precisamente no Giro de 2020, e conseguiu logo um estrondoso 4º lugar. Este ano perdeu o factor surpresa, pelo que o “duro das Caldas” vai ter de elevar o seu jogo. A Deceunick montou uma grande equipa para o ajudar, equipa essa que conta com o também jovem Remco Evenepoel, de apenas 21 anos, com o jovem prodígio belga ainda à procura da melhor forma em 2021. João Almeida é, portanto, um dos grandes candidatos a melhor jovem da competição.

Egan Bernal ainda tem idade para entrar nesta acesa disputa, mas o colombiano da INEOS está naturalmente incluído no lote de principais favoritos à Maglia Rosa. No entanto, dentro da sua equipa há outros dois jovens à procura de um lugar ao sol: o russo Pavel Sivakov e o colombiano Daniel Martínez têm condições para lutar pela geral, e só não o farão se não tiverem oportunidade.

Outro nome forte na luta pela geral é o jovem russo Alexsander Vlasov. Apontado como um forte candidato ao top-5, o líder da Astana é por consequência um nome forte na luta pela classificação de melhor jovem.

Vindo da Austrália temos outro nome que desperta muita curiosidade para este Giro. Jai Hindley foi de forma surpreendente 2º classificado na edição do ano passado mas, tal como no caso de João Almeida, o fator surpresa desvaneceu. Hindley já será visto com outros olhos. Conseguirá manter a liderança com Romain Bardet na equipa da DSM?

Muita atenção também a Tobias Foss. o talentoso norueguês será provavelmente o grande apoio de George Bennett quando o terreno inclinar, mas o jovem de 23 anos já mostrou que tem pernas para ser algo mais. Pode ser uma das belas surpresas do mês de maio dentro da Jumbo-Visma.

Harm Vanhoucke da Lotto Soudal é outro nome a considerar. O belga não tem como objetivo lutar pela geral, mas no ano passado também não era esse o caso e andou algum tempo pelo top-5. Com liberdade total, pode ser um wildcard interessante, tal como o estreante Gino Mader, que trabalhará para Mikel Landa mas quererá mostrar o seu bom momento de forma aos responsáveis da Bahrain.

Clément Champoussin é uma das novas coqueluches do ciclismo francês. Beneficiará do facto da AG2R ter como estratégia caçar etapas nesta edição do Giro, tendo o jovem assim uma pressão quase inexistente. No entanto, muito cuidado com este ciclista completo, capaz de ganhar em vários terrenos.

Na Movistar, atenção aos dois “juvenis” da equipa. Augusto Einer Rubio, de 22 anos, e Matteo Jorgenson, de 21, são o futuro da equipa, e terão aqui a sua oportunidade de mostrar o seu enorme talento numa grande volta, eles que estarão a trabalhar para Marc Soler.

Por fim, atenção ainda a Simon Carr, da EF-Nippo, e a Samuele Battistella da Astana, dois jovens com condições para caçar etapas, e para o trepador húngaro da Groupama-FDJ, Valter Attila.

Os homens rápidos

Caleb Ewan. O australiano é o principal favorito à camisola dos pontos desta edição do Giro.

Há muito por onde escolher, pelo que as discussões ao sprint vão ser frenéticas e cheias de tensão com a camisola roxa em disputa. Tensão essa proporcianada, em boa escala, pelo regresso de Dylan Groenewegen. O holandês da Jumbo-Visma está de volta de muitos meses de suspensão, devido ao brutal acidente envolvendo o também holandês Fabio Jakobsen. Para o ajudar, terá o rapidíssimo David Dekker.

Nestas discussões ao sprint, o grande favorirto é Caleb Ewan. O pequenino, mas supersónico ciclista da Lotto Soudal é, de forma quase unânime, considerado o melhor sprinter em prova, e traz consigo o bem oleado comboio composto por Roger Kluge e Jasper de Buyst.

Peter Sagan é outro nome que tem de ser sempre mencionado. No ano passado o eslovaco estreou-se no Giro, mas a única etapa que venceu não foi discutida ao sprint, onde foi sempre batido. Este ano parece estar a caminhar para a melhor forma, mas terá concorrência forte. Daniel Oss continua a ser o seu parceiro de sempre dentro da Bora-Hansgrohe.

O campeão europeu Giacomo Nizzolo é outro nome forte para vencer a camisola roxa. Dentro de uma Qhubeka-Assos que vem para vencer etapas, Nizzolo contará com o gigante Max Walscheid para o lançar.

À procura da sua melhor versão está Elia Viviani. O italiano, nome grande da Cofidis, teve um 2020 muito abaixo do esperado, e procura voltar aos grandes resultados a correr em casa. Para isso conta com a ajuda do irmão Attillio, de Simone Consonni e de Fabio Sabatini.

Fernando Gaviria é outro nome que procura redenção. O colombiano teve igualmente um 2020 para esquecer e tem de responder neste Giro. A UAE-Emirates não vem com o objetivo claro de lutar pela geral, pelo que a camisola roxa seria um prémio enorme para a equipa árabe. O experiente e sempre a ter em conta Max Richeze e o jovem Juán Sebastian Molano serão os lançadores do colombiano.

Finalizando os sprinters de topo, temos de mencionar Tim Merlier. Com todo o protagonismo nas suas costas, devido à ausência de Mathieu van der Poel, Merlier é o grande nome da Alpecin-Fenix, equipa belga que leva 6 elementos rápidos para ajudar o seu líder, que este já soma três vitórias em clássicas belgas.

A correr mais por fora, atenção também a Max Kanter e Niklas Arndt da DSM, Matteo Moschetti da Trek-Segafredo, Andrea Pasqualon da Intermaché Wanty-Goubert e Davide Cimolai da Israel-Start Up Nation.


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