Clássicas das Ardenas- The Show Must Go On

Diogo PiscoAbril 14, 20187min0

Clássicas das Ardenas- The Show Must Go On

Diogo PiscoAbril 14, 20187min0
Clássicas das Ardenas - 1 Semana, 3 Corridas, Favoritos, Outsiders e 3 homens que podem ser uma surpresa.

Findada que está a época do pavê o pelotão ruma às Ardenas para uma semana que se espera de muito espectáculo sobre as duas rodas. Durante estes dias os olhos dos amantes do ciclismo vão poder saborear o melhor que a região das Ardenas, na Bélgica, e de Limburg, na Holanda, tem para oferecer. A ementa é composta pela entrada, que será a Amstel Gold Race, prato principal com a La Flèche Wallone e para finalizar o “repasto” será servido o último monumento da primavera, Liege-Bastogne-Liege. Os paralelos são substituídos por muitas subidas históricas que muito já ofereceram à história do ciclismo. Todas colocadas estrategicamente ao longo dos percursos, este é o ingrediente principal que dá a esta semana um sabor tão especial.

1 Semana, 3 Corridas

Amstel Gold Race– Domingo, 15 de Abril. 263 quilómetros com 35 subidas ao longo de um percurso bastante exigente. A corrida acaba por ser feita dentro de um circuito que vai sofrendo algumas alterações de volta para volta. Este ano sem o Cauberg (1,2 quilómetros com pendente máxima de 12 %) como última subida já perto da meta. A organização pretende que os favoritos procurem resolver a corrida mais cedo em vez de deixar as decisões para a última subida. Já dentro dos 30 quilómetros finais os ciclistas irão enfrentar o Keuterberg que chega aos 22% de inclinação, uma terceira passagem pelo Cauberg a 19 quilómetros da meta, o Geulhemmerberg (1 quilómetros a 5% de inclinação média) e a última subida antes da meta, o Bemelerberg,  com 900 metros a 4,5% de inclinação média com 6 quilómetros para a meta. O ponto chave pode estar numa destas dificuldades. Vamos ver como e quando irá o vencedor da Amstel deixar a concorrência para trás. Alejandro Valverde quer a única clássica desta semana que lhe falta no currículo, enquanto Philipe Gilbert quer igualar o recordista da prova, Jan Raas, com cinco triunfos. No entanto, a lista de favoritos é enorme.

La Flèche Wallonne– Quarta-feira, 18 de Abril. 198,5 quilómetros com 11 subidas. É um pouco inglório dizê-lo desta forma mas enquanto Valverde por cá andar, a corrida irá resumir-se a ele e ao Mur de Huy, ou Mur de Valverde como alguns já lhe chamam. Esta subida é passada três vezes pelo pelotão, sendo a última e derradeira subida que irá ditar o vencedor. São 1,3 quilómetros com 9,6% de inclinação média. Com os primeiros 400 metros a serem de aquecimento, seguem-se 400 metros a 11%, 100 metros a 17%, 300 metros a 14% e uns “meigos” 100 metros finais com 6% de inclinação. A pendente máxima chega aos 26%. Uma subida brutal que faz quase todas as outras passarem despercebidas, mas elas estão lá, principalmente o Côte de Cherave (1,3 quilómetros a 8,1%) a 5,5 quilómetros da meta. A lista de homens a querer derrotar Valverde volta a ser enorme, com o espanhol a querer alargar o seu recorde para seis vitórias.

Valverde, Who else? Será que alguém vai conseguir derrotar o espanhol durante esta semana? Fonte: Tim de Waele

Liege-Bastogne-Liege– Domingo, 24 de Abril. 258 quilómetros com 11 subidas. O caminho até Bastogne será pacífico para o pelotão que irá apenas encontrar uma subida digna desse nome. O caminho de regresso a Liege vai revelar quase todas as dificuldades aos ciclistas. Côte de Saint-Roch, 1 quilómetro a 11,2% de inclinação média, Col du Rosier, 4,4 quilómetros a 5,9% (a maior e o ponto mais alto 565 de altitude), Col du Maquisard, 2 quilometros a 5% e Col de la Redoute, 2 quilometros a 8,9% com máxima de 13% (a icónica), Côte de la Roche aux Faucons, 1,3 quilómetros a 11% e Côte de Saint-Nicolas, 1,1 quilómetros com 8,9% de média e secções de 10,9%, serão um parte pernas para quem no fim enfrenta um quilómetro final que rondará os 5% de inclinação. É um monumento e por isso tudo pode acontecer. Resta saber como iremos fechar esta semana. Certamente em grande.

Favoritos

Este será o grupo dos líderes. Daqueles que vão fazer marcação cerrada uns aos outros, que terão todos os olhos postos em cima, que grande parte do público quer que ganhe. Os que se espera que desfirão ataques fortíssimos, que façam aquela motivação surpreendente a mais de 50 quilómetros da meta ou então que pura e simplesmente fiquem a olhar uns para os outros com medo de estar a trabalhar para o seu rival, deixando fugir e abrindo as portas da vitória a um ciclista que ninguém esperava que vence-se. Os cabeças de série para esta semana são Alejandro Valverde (Movistar Team), Philipe Gilbert (Quick-step Floors), Julien Alaphilipe (Quick-step Floors), Michal Kwiatkowski (Team Sky), Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Nikki Terpstra (Quick-step Floors), Tim Wellens (Lotto Soudal) , Greg Van Avarmaet (BMC Racing Team), Tiesj Bennot (Lotto Soudal), Vincenzo Nibali (Bahrain Merida Pro Cycling Team), Dan Martin (UAE Team Emirates)) e Dylan Teuns (BMC Racing Team).

Outsiders

Daqui pode sair a vitória de qualquer forma e a qualquer momento. Seja com ataques inesperados ou por aproveitarem o trabalho da equipa e dos próprios favoritos até ao momento ideal para se superiorizarem. Este é um grupo de ciclistas que apesar de não serem líderes ou de não serem super especialistas em corridas de um dia, são ciclistas de muita qualidade que sabem aproveitar as oportunidades que lhes aparecem à frente. A mínima distração com um destes homens pode ditar uma derrota para os favoritos. Fazem parte desta lista Wout Poels (Team Sky), Enrico Gasparotto (Bahrain Merida Pro Cycling Team), Sergio Henao (Team Sky), Romain Kreuziger (Mitchelton-Scott), Rui Costa (UAE Team Emirates), Michael Albasini (Mitchelton-Scott), Michael Mathews (Team Sunweb), Fabio Felline (Trek-Segafredo), Nathan Haas (Team Katusha Alpacin), Tony Gallopin (Lotto-Soudal), Daryl Impey (Mitchelton-Scott). 

3 Homens que podem realmente surpreender

Romain Bardet – Depois da aposta ganha na Strade Bianche, onde só mesmo um gigante Bennot conseguiu ser maior do que ele, Bardet volta a tentar nesta semana de clássicas que parecem mais adequadas ao seu perfil de ciclista. O Francês já venceu este ano uma prova de um dia, ainda que numa prova de menor dimensão. No entanto não deixaria de ser uma surpresa vê-lo ganhar durante esta semana visto não ser apontado por quase ninguém nem como favorito nem como outsider.

É este o tipo de entrega que podemos esperar de Bardet. Valor e determinação! Fonte: Twitter Romain BardetVerified account @romainbardet

Marc Soler- Está em crescendo, sem medos e num daqueles momentos em que parece que um ciclista pode dar para tudo. Foi ao pavê e esteve em destaque mesmo que não tenha terminado em Roubaix. Soler pode ser uma das cartas a jogar num daqueles ataques já dentro dos quilómetros finais para obrigar outras equipas a trabalhar. Certo é que com as suas qualidades e com o momento de forma que atravessa o espanhol pode surpreender e arrancar uma vitória durante a próxima semana. Apesar de todos estarmos cientes do seu valor não deixaria de ser uma surpresa. Não lhe dêem muito espaço na chegada a Liege.

Michael Valgren- Tem sido um ano em grande para Valgren com uma prestação muito positiva na temporada de clássicas. Venceu a Omloop e, apesar de parecer que passou despercebido, terminou a Volta à Flandres em quarto e à frente de grande parte dos favoritos. Valgren pode não ter o perfil que encaixe perfeitamente nesta semana das Ardenas mas fica a chamada de atenção de que pode surpreender.


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