O ciclismo está parado, mas não está morto.

Diogo PiscoMarço 27, 20205min0

O ciclismo está parado, mas não está morto.

Diogo PiscoMarço 27, 20205min0
Como foi a vossa semana como adeptos de ciclismo? A do Fair Play foi muito intensa. Desde o sterrato a San Remo, da Flandres a Roubaix, houve ataques e vitórias para todos os gostos. Bem ao jeito de uma óptima primavera.

Provavelmente se estão a ler este artigo é porque são verdadeiramente adeptos do ciclismo. Daqueles adeptos que prepararam intensamente uma grande primavera com muitas horas em frente à televisão, horas intensas com saltos, berros, batatas fritas e cerveja belga pelo ar. Os mesmos que agora se vêm privados de vários sentimentos e vêm demasiadas horas a sobrar ao longo do dia.

Como adeptos do desporto em geral, e do ciclismo em particular, existe um impulso natural de viver a próxima vitória, de descobrir o próximo herói, de consumir de forma desmedida prova após prova só pelo prazer de ver em directo como os seus favoritos vão perder ou ganhar a próxima competição.

Esta forma de viver uma modalidade como o ciclismo, torna-se um pouco injusta para com os atletas. A memória torna-se curta e esquece-se como foram espectaculares os momentos que os ciclistas nos têm brindado nos últimos anos.

Talvez esta era Covid-19 possa ser útil para reviver momentos fantásticos que ficaram para sempre na história. Porque na verdade o ciclismo está parado, mas continua tão vivo conforme os seus adeptos quiserem.

O Fair Play dá o mote e conta como foi esta semana  cheia de ciclismo.

Strade Bianche 2017

A semana arrancou no sterrato italiano com um Michal Kwiatkowski fortíssimo, num dia de chuva e lama, estar super atento e activo na frente da corrida dentro dos 50 kms finais. Entrou na movimentação correta para depois despachar nomes como Greg Van Avarmaet, Zdeněk Štybar e Tim Wellens, como uma vitória clara a solo onde demonstrou que naquele dia era claramente o mais forte.

Milano – Sanremo 2019

Ainda em Itália foi bom relembrar o primeiro monumento de Julian Alaphilippe. Depois de um excelente trabalho da sua equipa o francês atacou no Poggio sendo seguido por Peter Sagan e Michal Kwiatkowski, naquilo que parecia uma reedição do que se passara em 2017. O Poggio voltou a ser decisivo para deixar os sprinter para trás e seleccionar o grupo que discutiria vitória. Desta feita o grupo seria um pouco maior. Aos 3 já referidos juntaram-se nomes de luxo como Oliver Naesen, Matej Mohorič, Wout Van Aert, Alejandro Valverde, Vincenzo Nibali, Simon Clarke e Matteo Trentin. No fim dos quase 300 kms de La Clacissima, Lou-Lou foi mesmo o mais forte e conquistou uma grande vitória.

Imagem marcante da época 2019. Alaphilippe conquista o seu primeiro monumento. Fonte: tellerreport.com

Tour des Flandres 2017

O terceiro dia da semana teve um só nome Philippe Gilbert! A mais de 50 kms ganha uma ligeira vantagem da fuga que se tinha formado na frente da corrida. Phil Gil não mais olhou para trás e foi ganhando segundo após segundo e nem um pelotão compacto, nem o trio Peter Sagan, Greg Van Avarmaet e Oliver Naesen, retiraram ao belga a glória naquele dia. O destino estava traçado e quando parecia que a vitoria podia estar em perigo, o casaco de um espetador “mandou ao chão” o trio perseguidor anulando qualquer dúvida que poderia existir. Um dia incrível!

Gilbert rejuvenesceu com a troca de equipa. Com mais de 34 anos ainda foi a tempo de conquistar Roubaix e a Flanders, falta-lhe agora apenas Sanremo para completar os cinco monumentos. Fonte: 3bikes,fr

Paris-Roubaix 2019

Outro dia incrível, o mesmo protagonista. Novamente a mais de 50 kms Philippe Gilbert volta a mexer na correr na corrida, deste feita com a ajuda do outro grande protagonista do dia, Nils Politt. Mais tarde, Peter Sagan, com vontade de repetir a vitória do ano anterior, arrancou do pelotão para se juntar ao duo da frente. Consigo levou Wout Van Aert, Sept Vanmarcke e Yves Lampaert. Os 5 fixeram as delícias dos adeptos endurecendo a corrida, atacando-se mutuamente e distanciando-se do pelotão. Apesar de todos os estarem a descartar por terem estado mais tempo em fuga, após um ataque sério de Gilbert, foi Politt a acelerar e a descartar a concorrência. Sensacional após o que se tinha passado nos últimos kms e com todo aquele pavê a endurecer muito mais todo o percurso. O duo inicial seguiu então até ao velódromo de Roubaix, onde o gigante Politt foi incapaz de retirar a Gilbert mais um monumento. Um dia de loucos que colocou o belga na possibilidade de conquistar os 5 monumentos, faltando-lhe agora apenas a Milano-Sanremo.

Qualquer um destes dias irá certamente satisfazer os verdadeiros adeptos do ciclismo. Porque apesar de ja saberem o final, o espectáculo ficou lá para a historia e é sempre bom recordá-lo.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter