22 Mai, 2018

Um lugar ao Sol para Jay McCarthy – Cadel Evans Road Race

Diogo PiscoJaneiro 30, 20184min0

Um lugar ao Sol para Jay McCarthy – Cadel Evans Road Race

Diogo PiscoJaneiro 30, 20184min0
Jay McCarthy já tinha avisado e neste domingo foi mesmo o 1º na prova que fecha a Temporada de Verão Australiana. Mas quem é este jovem da equipa de Peter Sagan?

Numa corrida de muita beleza natural e 10 kms finais que fizeram valer o tempo de quem viu a prova, foi perante um grupo de respeito que, no domingo, o jovem Jay McCarthy se tornou o primeiro Australiano a vencer a Cadel Evans Great Ocean Road Race.

Para chegar até à meta situada em Geelong que consagrou Jay MacCarthy, começamos por observar o seu mês de Janeiro e o seu percurso para tentar perceber o que levou este jovem de 25 anos a comprovar que tem a qualidade necessária para vencer ao mais alto nível.

Jay McCarthy ao pormenor

Chegou à Bora-Hansgrohe no “pack” que veio da Tinkoff com o campeão do mundo Peter Sagan, com o objetivo de crescer como ciclista ao lado da estrela da equipa, sendo um dos seus homens de trabalho. Até então tinha como cartão de apresentação um 3º lugar na geral da Volta à Turquia, que conseguiu graças à sua capacidade de trepar bem na montanha. Conseguiu também uma vitória no prólogo do Tour de l’Avenir em 2012.

Como bom Australiano que é, tem apostado nesta fase inicial da época para se mostrar perante o seu público, e no ano passado alcança o 3º lugar da geral do Tour Down Under, ficando atrás de Richie Porte e Johan Chaves e à frente de nomes como, Diego Ulissi, Nathan Haas, Rohan Dennis, Wilco Kelderman e Robert Gesink.

Já este mês, reclamou a medalha de prata nos campeonatos nacionais do seu país, e no Tour Down Under fecha um pódio, um top 10 e perde apenas 24 segundos na etapa-rainha para o compatriota Richie Porte. E foi assim que este ciclista completo, que rola bem, tem uma muito boa ponta final e qualidades de trepador, foi deixando o aviso à concorrência de que queria ganhar este ano no seu país.

A prova

Quanto à Cadel Evans Oceans Road Race, McCarthy, beneficiou muito da sua equipa, principalmente de Peter Kennaugh e Daniel Oss. O primeiro, abriu as hostilidades a 10 km’s da meta e asfixiou toda a gente na última subida do dia, selecionando um grupo de 9. O segundo esteve pronto na resposta aos vários ataques que se fizeram notar no grupo e muito fez para que o grupo só fosse apanhado pelos perseguidores nos metros finais da jornada. McCarthy esteve sempre lá, atrás do trabalho dos colegas e quando chegaram os 600 metros finais não desiludiu e deu a resposta pretendida. Apanhou a roda do arranque precoce do português José Gonçalves e não olhou para trás até erguer os braços depois de passar a meta em 1º lugar. O jovem Australiano superou nomes como Daryl Impey (2º e vencedor do Tour Down Under 2018), Elia Viviani (3º), Dries Devenyns (4º), Simon Gerrans (5º) e o vencedor do ano passado Niklas Arndt (6º).

O lugar ao sol no verão Australiano para Jay McCarthy. (Foto: Michael KleinSource | News Corp Australia)

Esta foi, até então, a grande vitória da carreira de Jay McCarthy. Quanto ao futuro, será difícil ter muitas oportunidades uma vez que parece adequar-se a um tipo de provas que serão declaradamente para o seu líder de equipa, o tricampeão do mundo Peter Sagan. No entanto, poderá sempre reclamar a aposta nas suas qualidades sempre que a estrada incline mais um bocado ou quando o campeão do mundo não estiver em ação. Até lá tem a oportunidade de trabalhar e de evoluir ao lado de um dos melhores da sua geração.

Os portugueses

A prestação lusa ficou marcada pela presença, nunca indiferente, de Tiago Machado (33º), a resposta de Ruben Guerreiro (20º) ao esticão de Kennaugh na última subida, mantendo-se sempre em lugar de destaque, e ao arranque talvez um pouco prematuro de José Gonçalves (17º) que pagou o esforço que fez para chegar ali no grupo da frente e acabou por servir de lançador para o vencedor da corrida. Sem dúvida uma boa prestação portuguesa em terras australianas, com bons indicadores para os próximos desafios.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter