As novas datas do ciclismo para 2020

Davide NevesJunho 1, 20206min0

As novas datas do ciclismo para 2020

Davide NevesJunho 1, 20206min0
O Fair Play vem mostrar o novo calendário das provas World Tour para o que resta da época. Serão três meses muito intensos, neste período pós-pandemia para o ciclismo mundial

Num período em que todos nós tentamos encarar o futuro com “a nova normalidade”, o desporto tenta reerguer-se desta pandemia. A UCI (União Ciclística Internacional) já publicou o novo calendário para o que resta da época de 2020. O maior escalão do ciclismo mundial regressa a 01 de agosto com a Strade Bianche. No que diz respeito à Volta a Portugal, a UCI manteve as datas previstas – de 29 de julho a 9 de agosto. A primeira prova neste regresso do ciclismo será a Sibiu Cycling Tour, daqui a sensivelmente um mês, a 2 de julho.

Agosto

Esta será a paisagem para o regresso oficial do calendário World Tour.

O primeiro dia do mês traz-nos a edição número 14 da Strade Bianche, cada vez mais famosa. Julian Alaphillippe (Deceunick-Quick Step)  é o vencedor em título, depois de ter terminado à frente de Jakub Fulgsang (Astana Pro Team) e Wout van Aert (Team Jumbo-Visma). Uma semana depois teremos a Milano-Sanremo, o primeiro monumento do ano (normalmente em Março, mas mantém o estatuto de ser o primeiro cronologicamente). Os últimos anos têm mostrado que não são apenas os sprinters a competir pela vitória nesta prova, já que os últimos vencedores decididamente não o são: Alaphillippe venceu em 2019, Vincenzo Nibali em 2018 e Michal Kwiatkowski em 2017. Este ano poderá trazer surpresas (ou confirmações) com os nomes de Remco Evenepoel (Deceunick-Quick Step) ou Mathieu van der Poel (Alpecin-Fenix).

O Critérium du Dauphiné começará a 12 deste mês, com 5 etapas. Visto por muitos como a última preparação para o Tour de France, este ano não será exceção. Jakub Fulgsang venceu no ano passado (já o tinha feito em 2017). A INEOS, que normalmente usa esta prova para mostrar que vai estar em força no Tour, tem seis vitórias nos últimos nove anos (duas de Bradley Wiggins, três para Chris Froome e uma para Geraint Thomas) – Bernal poderá ser favorito aqui. Outro que deverá usar esta prova para preparação para o Tour é Primoz Roglic (Team Jumbo-Visma).

A 29 de Agosto começará a Volta a França, com início em Nice e o final habitual em Paris, nos Campos Elísios. O domínio da Sky/INEOS nesta prova é indubitável, com sete vencedores nos últimos 8 anos (a exceção à regra foi Vincenzo Nibali em 2014). Em 2019 vimos Egan Bernal vencer, num final muito estranho – a etapa 19 foi neutralizada devido à presença de neve na estrada, onde os ciclistas iriam passar mais tarde. Egan Bernal, que tinha ganho vantagem relativamente à concorrência no topo do Col de l’Iseran, foi dado como vencedor da etapa e cimentou a distância para Julian Alaphilippe (o ano de 2019 foi incrível para o francês) e para os restantes concorrentes pela camisola amarela, onde se incluíam o seu colega de equipa Geraint Thomas, Steven Kruijswijk (Team Jumbo-Visma), Mikel Landa (Team Movistar, agora na Bahrain-McLaren) ou Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe).

Este ano, com o mais do que certo regresso de Chris Froome ao palco onde ele foi mais feliz, iremos ver se a INEOS apostará na história e em Froome para liderar a equipa (e igualar Jacques Anquetil, Bernard Hinault e Eddy Merckx com cinco vitórias na prova) ou se iremos ver a passagem de testemunho para o jovem Bernal como a nova cara da INEOS (o vencedor do Giro d’Italia, Richard Carapaz, também é forte candidato a líder). Tom Dumoulin e Primoz Roglic nunca são de descartar, os franceses Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) e Romain Bardet (AG2R La Mondiale) que também não e temos sempre a curiosidade para ver o que nos reservará Nairo Quintana (Arkea-Samsic) nas suas novas cores.

Setembro

O Mur de Huy, ou o Mur Valverde, irá fechar o mês de setembro.

A primeira prova World Tour do mês entra em conflito com o Tour – o Tirreno-Adriático. Ao contrário do Paris-Nice, que foi terminado, esta prova nem sequer começou, visto que em Itália a situação já estava bem mais complicada. Com as habituais sete etapas, o Tirreno não terá os maiores nomes da montanha, muito provavelmente, devido ao conflito de datas com o Tour. O vencedor do ano passado, Primoz Roglic, não estará presente.

A 11 e 13 de setembro é a vez das clássicas do Canadá  e a 23 e 27 de setembro é a vez dos mundiais de estrada, primeiro o de contrarrelógio individual e depois a prova de estrada. O mês termina com o BinckBanck Tour e com a Fléche Wallone.

Outubro

Teremos Roubaix no Outono.

Este mês está… preenchido, à falta de melhor palavra. Começa com o Giro d’Italia, de 03 a 25 de outubro, com início em Budapeste, na Hungria, e final com um contrarrelógio de 16.5 quilómetros, em Milão. Na edição de 2019 fomos surpreendidos com a vitória de Richard Carapaz (Team Movistar, agora na INEOS). Este ano, e devido ao confronto de datas entre o Giro e a Vuelta (de 20 de outubro a 8 de novembro), a ginástica que as equipas terão de fazer entre as duas grandes voltas e as clássicas que se encontram pelo meio será muito interessante. A título de exemplo, a Liège-Bastogne-Liège será no dia 04 de outubro, a Amstel Gold Race é no dia 10 e a Ronde van Vlaanderen dia 18 – dois  monumentos que irão acontecer ao mesmo tempo que o Giro.

Já com a Vuelta na estrada, teremos dia 25 o Paris-Roubaix, o “Inferno do Norte” e a Il Lombardia dia 31. A Volta a Espanha deste ano terá menos três etapas, visto que a partida, que seria na Holanda, foi cancelada, bem como as duas etapas seguintes. As etapas 15 e 16, que tinham passagens por Portugal (a 15 terminaria entre Porto e Matosinhos, a 16 começava em Viseu) foram alteradas para se manterem em território espanhol.

O calendário World Tour revisto. (Fonte: ProCyclingStats)

Três meses de muita emoção, com muitos quilómetros para percorrer e, esperemos nós, com a maior segurança e saúde possível.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter