CFL Global Combine – Parte 2: 8 jogadores franceses e escandinavos para seguir

Miguel Veloso MartinsMarço 15, 202010min0

CFL Global Combine – Parte 2: 8 jogadores franceses e escandinavos para seguir

Miguel Veloso MartinsMarço 15, 202010min0
A CFL continua à procura dos melhores talentos da Europa. Depois de falarmos dos jogadores selecionados nos combines alemães, britânicos e italianos, está na hora de falar dos atletas escolhidos na França e Escandinávia. Fica a saber mais sobre alguns dos melhores jogadores europeus.

Norrköping, Suécia e Helsínquia, Finlândia 

William James (Suécia) – FS, Dresden Monarchs

William James começou a sua carreira na equipa juvenil dos Arlanda Jets, onde já era possível observar o seu potencial. Rapidamente James descobriu que, com o seu talento, havia a possibilidade de jogar futebol americano nos Estados Unidos, acabando por receber uma bolsa de estudo da University of North Dakota. Depois do grande sucesso das suas temporadas, William James não foi escolhido para jogar profissionalmente na América do Norte. O sueco voltou para a Europa, assinando pelos Dresden Monarchs. Mais recentemente, James abandonou o futebol americano e a Europa, mudando-se para a Austrália, onde jogou rugby pelos Manly Marlins. 

O destino trouxe o sueco de volta à modalidade e ao velho continente com uma oportunidade que não podia recusar: um try-out para o Combine da CFL. William James tem uma versatilidade inegável, como é comprovado pelo seu sucesso em dois desportos tão diferentes. A facilidade com que lê e reage de forma instintiva aos ataques adversários vai também ser uma grande vantagem para o sueco. Com experiência na América e técnica fenomenal, William James está pronto para fazer parte da rotação de qualquer equipa da CFL, seja na defesa ou nas special teams.

 

Micky Kyei (Finlândia) – WR, New Yorker Lions

Micky Kyei foi uma escolha inesperada, mas, quanto mais penso neste jogador, cada vez faz mais sentido a sua seleção para Toronto. Com 1 metro e 72 de altura, a primeira comparação que surge quando penso em Kyei é o Chad Owens na época de 2012. Owens tinha também uma estatura pequena, com 1 metro e 73 de altura, mas isso nunca impediu o jogador de encontrar sucesso na CFL.

Micky Kyei tem jogado futebol americano desde muito jovem, incluindo nos Estados Unidos, mas, após a sua temporada com os New Yorker Lions, Kyei pensou em desistir. Na companhia de outro selecionado para o Combine da CFL, William James, o finlandês decidiu ir para a Austrália jogar nos Manly Marlins. O convite para o Combine em Helsínquia surgiu assim como uma última oportunidade para Micky Kyei justificar continuar a sua carreira na modalidade. Algumas das razões da sua seleção para o Combine em Toronto foram a sua força, durabilidade, velocidade e capacidade de enganar os DBs adversários.

 

Malcolm Engstrom (Suécia) – DE, Stockholm Mean Machine

Malcolm Engstrom tem talento para dar e vender. Engstrom é considerado um dos melhores jogadores da Suécia, senão mesmo o melhor. O sueco é um defensive lineman letal com a forma como movimenta as suas mãos e braços.

A técnica do DE dos Stockholm Mean Machine merece todo o louvor e admiração que lhe deve ser dado. Engstrom não precisa de ser o jogador mais rápido, o simples facto de ter uma técnica tão bem desenvolvida permite-lhe ter enorme sucesso em campo. Seria inesperado ver Malcolm Engstrom fora do topo da lista de selecionados do CFL Global Draft.

 

Sebastien Sagne (Finlândia) – WR, Frankfurt Universe

Sebastien Sagne é facilmente uma das maiores estrelas do futebol americano na Finlândia. Sagne começou a sua carreira na liga finlandesa com os Helsinki Wolverines, mas, poucos anos depois, recebeu uma oferta para se mudar para a melhor liga da Europa: a German Football League. O WR finlandês tem desde então se tornado num dos melhores nomes da GFL, jogando pelos Dresden Monarchs e mais recentemente com os Frankfurt Universe.

Sebastien Sagne tem um talento especial para aproveitar todas as oportunidades dadas pela defesa adversária de forma a criar jogadas incríveis. Sagne tem uma velocidade fenomenal e uma boa capacidade de se ajustar à trajetória da bola. O finlandês deverá ser um dos principais candidatos no CFL Global Draft.

 

Paris, França

Anthony Mahoungou (França) – WR, Frankfurt Universe

Para os adeptos europeus da NFL e da NCAA, Anthony Mahoungou provavelmente não precisa de apresentações. Mahoungou começou a jogar com os La Courneuve Flash, depois de ver Devin Hester na Super Bowl XLI. O jovem WR rapidamente foi selecionado para a seleção nacional, assim como a seleção mundial da International Bowl. Mahoungou estava a chamar a atenção das universidades americanas, recebendo pouco tempo depois uma bolsa para jogar na Purdue University.

Anthony Mahoungou ganhou destaque em Purdue aos poucos, acabando o seu último ano com os Boilermakers com 688 jardas e 8 touchdowns. Chegando ao fim da sua carreira universitária, Mahoungou recebeu a oportunidade de assinar com os Philadelphia Eagles, apesar de apenas ter ficado com a equipa até ao final da pré-época, sendo que o mesmo ocorre mais tarde com os Edmonton Eskimos da CFL. Mahoungou é um jogador que, apesar da sua estatura enorme, mostra total controlo do seu corpo. O francês ainda precisa de melhorar o seu jogo, mas qualquer equipa da CFL tem lugar no seu plantel para um projeto como este.

 

Bryan Billy (França) – SS, Thonon Black Panthers

Bryan Billy começou a jogar futebol americano em 2012 e desde então teve uma longa e estranha carreira. O francês que começou como QB, sendo chamado para try-outs no Canadá (Concordia University, Montreal), quando volta para a França, converte-se a WR e chama a atenção da McGill University, onde joga durante uma época em 2015. No ano seguinte, volta para Europa, assinando pelos Kiel Baltic Hurricanes como WR durante uma época. Em 2017, regressa para Pessac Kangourous, onde finalmente começa a jogar como Defensive Back, mas continuando também como WR. 

Representando a seleção francesa no Europeu de 2018, Bryan Billy mostrar para toda a Europa o seu valor como Free Safety, ajudando a França a levar o ouro para casa. Após a vitória, este decide mudar-se para os Thonon Black Panthers durante a temporada de 2018/2019, jogando apenas como DB e ocasionalmente como LB. É aqui que Billy se começa a estabelecer como um jogador de referência na sua posição, pois é um jogador extremamente físico com ótima técnica de placagem. A sua explosividade tornam o francês numa opção fenomenal para jogar nas special teams, elevando consideravelmente o seu valor no CFL Global Draft.

 

Jason Aguemon (França) – RB/WR, La Courneuve Flash

Jason Aguemon é um dos melhores atletas que surgiram na liga francesa. Aguemon é um híbrido fenomenal de RB e WR que consegue abusar das defesas adversárias sem grande esforço, a sua explosividade e força são pontos de destaque que podem ser observados nos highlights dos seus jogos pela seleção nacional no Europeu de 2018.

Estando, inicialmente, atrás de Stephen Yepmo no plantel da seleção nacional, Aguemon tem vindo a provar-se um jogador superior pela sua versatilidade. Yepmo era demolidor, mas Aguemon consegue criar mais oportunidades pela sua velocidade e mãos. 

Apesar de existir muita competição na posição de RB neste CFL Global Draft, o francês vai conseguir lutar por um lugar no topo das listas de jogadores da posição muito devido à sua capacidade de adaptação.

 

Tony Anderson (França) – FS, Grand View (anteriormente)

Tony Anderson é um caso semelhante ao Anthony Mahoungou. Anderson começou a jogar futebol americano bastante jovem em França, neste caso nos Les Templiers D’Elancourt. O francês procurou um lugar numa universidade americana da primeira divisão, mas a sua elegibilidade (devido ao clube onde jogou na França) não lhe permitiu jogar nesta divisão. 

Anderson escolheu então jogar na Grand View University, numa divisão mais baixa (NAIA), onde encontrou grande sucesso. Após a sua carreira universitária, Tony Anderson recebe convites para treinar com os Indianapolis Colts e Los Angeles Rams. À semelhança do seu compatriota Bryan Billy, este é um jogador oportunista que consegue ler extremamente bem as jogadas adversárias. O francês é também reconhecido pela forma eficaz como cobre os WRs e os separa da bola. A versatilidade de Tony Anderson pode fazer com o jogador tenha também algumas rotações a CB e LB na CFL.

 

Copenhaga, Dinamarca

Leo Krafft (Noruega) – DE, Eidsvoll 1814s

Leo Krafft foi provavelmente o melhor atleta do combine da capital dinamarquesa. O norueguês mostrou a sua força e resistência no evento e foi premiado com um convite para Toronto. Krafft é um DE monstruoso e impossível de bloquear pela sua enorme força e estatura física. A sua técnica e capacidade de escapar dos linemen adversários sem grande esforço são também grandes vantagens para o atleta norueguês. Leo Krafft tem todas as características para ser uma das primeiras estrelas internacionais na CFL, mas a liga canadense terá de competir com a NFL pelo jogador. 

Krafft foi convidado pela NFL para o seu programa International Player Pathway. Infelizmente esta iniciativa não tem sido tão bem sucedida quanto a liga canadense, com a maior parte dos atletas internacionais a nunca verem o campo em jogos de época regular. Na CFL, Leo Krafft teria maior probabilidade de ganhar mais experiência e tempo de jogo, algo que o poderia levar a ser chamado pela NFL, desta vez para jogar no plantel principal, não apenas na equipa de treinos.

 

Michel “Junior” Konate joga nos Copenhagen Towers. Foto de Michael Quist.

Michel Konate (Dinamarca) – RB, Copenhagen Towers

Michel Konate também conhecido como Junior tem sido provavelmente a arma mais usada pela equipa da capital dinamarquesa, Copenhagen Towers. O jovem RB europeu é conhecido na National Ligaen pela sua versatilidade, sendo capaz de tanto marcar touchdowns longos, como em jogadas de conversão de 2 pontos, com extrema facilidade. 

Konate é um atleta fenomenal capaz de trazer impacto no jogo de corrida e aéreo, assim como nas special teams. O dinamarquês tem auxiliado a sua equipa a chegar à Super Bowl dinamarquesa, Mermaid Bowl, quase todos os anos. Michel Konate representa também a seleção nacional dinamarquesa nas competições internacionais da modalidade.

 

Para a semana falaremos os resultados do Combine brasileiro e japonês!


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