O Balanço dos Europeus de Glasgow 2019: medalhas, recordes e muito mais

Pedro PiresMarço 5, 20199min0

O Balanço dos Europeus de Glasgow 2019: medalhas, recordes e muito mais

Pedro PiresMarço 5, 20199min0
Os Europeus em pista coberta de Glasgow 2019 já terminaram e o Planeta do Atletismo faz o balanço nacional e internacional! Como correu aos portugueses na Escócia?

Foi fim-de-semana de Campeonatos Europeus em Pista Coberta, em Glasgow, e o FairPlay, em colaboração com o Planeta do Atletismo, esteve presente!

O Balanço Nacional

A nível nacional, tivemos 13 portugueses em competição, com os seguintes desfechos (classificações finais):

Nelson Évora – 2º, Prata, no Triplo Salto

Francisco Belo – 4º no Lançamento do Peso

Patrícia Mamona – 4ª no Triplo Salto

Susana Costa – 5ª no Triplo Salto

Emanuel Rolim – 11º tempo na geral dos 1.500 metros

Tsanko Arnaudov – 12º no Lançamento do  Peso

Lorene Bazolo – 13ª nos 60 metros

Carlos Nascimento – 13º nos 60 metros

Paulo Rosário – 18º tempo na geral dos 1.500 metros

Ancuiam Lopes – 20º nos 60 metros

Cátia Azevedo – 23º nos 400 metros

Olímpia Barbosa – 26ª nos 60 metros com barreiras

Rasul Dabó – 28º nos 60 metros com barreiras

No geral, podemos dizer que o balanço foi positivo. Conquistámos uma medalha, tivemos 4 atletas a pontuar, somando para um classificação final de 21 pontos – a forma de pontuação é de 8 pontos ao primeiro lugar e os outros 7 lugares de finalistas a terem um ponto a menos por cada lugar abaixo. Os 21 pontos ficam abaixo dos 24 de Belgrado, mas são ainda assim a quarta melhor prestação portuguesa igualada. No ranking geral, terminámos em 15º lugar, um lugar bastante respeitável, sendo que o máximo que alguma vez atingimos foi o 11º lugar.

Algumas notas de balanço à prestação nacional:

  • Nelson Évora conquistou a única medalha nacional nestes campeonatos, com a Prata no Triplo, ao saltar o seu melhor desta temporada com 17.11 metros. É a 3ª medalha de Évora na competição, depois dos 2 Ouros passados. É também a sua 11ª medalha entre Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos;

  • Patrícia Mamona e Susana Costa saltaram as duas 14.43 metros no Triplo Salto, uma marca que ficou a um cm do recorde nacional em Pista Coberta que Patrícia tinha alcançado há poucas semanas em Madrid. Os 14.43 chegariam para vencer o Ouro há dois anos em Belgrado e, no caso de Susana Costa, é a marca mais alta de sempre de uma atleta no 5º lugar;
  • Para Susana Costa, os 14.43 metros significam um novo recorde pessoal absoluto. A atleta da Academia Fernanda Ribeiro começou a temporada 2019 com um melhor pessoal em pista coberta de 13.99 metros, tendo subido impressionantes 44cm desde aí. Em termos absolutos, o seu melhor eram os 14.35 metros atingidos nos Mundiais de Londres, pelo que, aos 34 anos, também aumenta 8cm a essa marca!
  • Francisco Belo voltou a melhorar o recorde pessoal absoluto, com os 20.97 metros que lançou na final de Glasgow e que lhe garantiram o 4º lugar na elite europeia. Em pista coberta, o melhor que tinha lançado antes desta temporada tinha sido 20.35 no ano passado (sendo que antes era de…18.64!), pelo que este ano ainda cresceu mais 62cm face ao ano anterior. Já tem marca de qualificação para Doha – assim como Pichardo, Évora, Mamona, Susana Costa, Tsanko e Inês Henriques (wild card) – e confessa que irá continuar a dupla aposta no Peso e Disco.
  • No geral, os restantes atletas cumpriram com o que era esperado, quer pela sua classificação atual no ranking, quer pelo seu atual momento de forma ou condição física. Os dois barreiristas poderão ter feito marcas ligeiramente mais baixas do que esperavam, mas tal facto é perfeitamente normal se pensarmos quando e como chegaram a estes campeonatos. Os atletas lutaram e sofreram bastantes por uns “mínimos” atingidos apenas no último momento possível, pelo que conseguindo esse grande objetivo, é complicado o reajuste de objetivos com tão pouco tempo de preparação, existindo alguma justificação para as suas prestações.
  • Portugal volta a conquistar medalhas na competição, sendo já a 13ª vez consecutiva que não saímos de mãos a abanar. A última vez que não conquistámos qualquer medalha foi em Génova 1992.
  • Ainda assim, é interrompida uma série que foi de 8 campeonatos consecutivos a conquistar (pelo menos) um Ouro. A última vez que não tínhamos qualquer medalha de Ouro tinha sido em 2000, em Gent.

Também é de assinalar o facto que dos 4 atletas que pontuaram em Glasgow, apenas 1 tem menos de 30 anos (Francisco Belo tem 27), o que, por um lado demonstra uma excelente longevidade dos mesmos, mas que também deve servir de alerta, pois os mesmos não irão estar cá sempre.

O salto de Évora para o 2º lugar! (Foto: Getty Images)

O Balanço Internacional

A nível de qualidade de performances, assistimos a um dos melhores Europeus em pista coberta de que há memória.

Igualou-se o recorde europeu dos 400 metros, com os 45.05 de Karsten Warholm e bateu-se o recorde europeu júnior dos 3.000 metros por Jakob Ingebrigtsen que venceu nas eliminatórias (7:51.20) mais rápido do que até conquistou o Ouro nas finais! Nesse dia, Jakob tornou-se também no mais novo campeão de sempre na competição e no primeiro norueguês a conquistar um Ouro, uma vez que o fez minutes antes de Warholm!

Uma das maiores surpresas viria a acontecer no última dia com a derrota de Jakob para Lewandowski na final dos 1.500 metros. O polaco até era o campeão em título e, portanto o desfecho não deveria surpreender ninguém, mas a verdade é que Jakob por momentos fez-nos acreditar que não era humano, até Marcin Lewandowski o voltar a devolver à Terra.

Nos  Saltos masculinos, destaque para dois grandes saltos em duas competições que se revelaram bem melhores a nível de marcas dos medalhadas do que aquilo que seria expectável.

No Comprimento, o jovem grego Miltiadis Tentóglou assumiu o favoritismo, mas fê-lo com 8.38 metros, um grande novo recorde pessoal absoluto e o melhor salto indoor europeu dos últimos 10 anos. Já no Triplo, para nosso azar, também o jovem do Azerbaijão, Nazim Babayev se superiorizou em muito, ao saltar 17.29 metros, numa prova marcada por um incrível número de saltos nulos (em 44 saltos tentados, 24 foram nulos!).

Nos Lançamentos, uma grande prova, com todos os medalhados acima dos 21 metros, com o vencedor a ser Michal Haratyk, com 21.65 metros.

No feminino, o grande destaque foi para Laura Muir, a atleta local que assumiu o estatuto de estrela e disparou para o duplo Ouro nos 1.500 e nos 3.000 metros, sem nunca ter tido em dúvida qualquer uma das vitórias. Muir foi a primeira atleta da história a repetir a dobradinha na história dos campeonatos. Na velocidade, destaque para Ewa Swoboda que provou o favoritismo e venceu os 60 metros, com 7.09 segundos.

Nos Saltos femininos, enorme nível, tal como já esperávamos. Mariya Lasitskene passou mais uma vez dos 2 metros, com 2.01, um resultado que já é o “pão nosso de cada dia” para a atleta russa, que domina por completo a disciplina.

Na Vara, outra russa, Anzhelika Sidorova confirmou também o favoritismo e no Comprimento vimos Ivana Spanovic assumir a liderança mundial com os seus 6.99 metros. Ainda assim, o maior destaque terá sido o Triplo Salto, com o Ouro a ir para a espanhola Ana Peleteiro, ao saltar impressionantes 14.73 metros, um novo recorde absoluto espanhola. Nesta competição 5 atletas passaram dos 14.40 metros, o que aconteceu pela primeira vez na história da competição.

Destaque ainda para as provas combinadas, com o espanhol Jorge Ureña a dar um show no masculino e a britânica Katarina Johnson-Thompson no feminino, ambos muito, muito próximos dos seus recordes pessoais.

Por país, a Polónia teve mais Ouros (5), mas a Grã Bretanha, com apenas menos um Ouro, teve mais medalhas (12 face às 7 polacas). No 3º lugar (em ambas as contagens) ficou a Espanha com 6 medalhas, 3 delas de Ouro, mostrando, mais uma vez, que algo de bom está a ser feito aqui ao lado pelos nossos vizinhos.

Todos os medalhados podem ser consultados aqui:

https://www.european-athletics.org/competitions/european-athletics-indoor-championships/2019/medals/medal-winners.html

Como nota final, temos a dizer que a nível organizativo foram uns campeonato que, terminando com nota positiva, apresentaram também alguns aspetos negativos pouco usuais em eventos realizados na Grã-Bretanha. Como positivo o facto de não termos tido atrasos e poucas alterações no programa, bem como toda a logística relacionada com o transporte de todos os envolvidos, que decorreu de forma irrepreensível. A nível dos voluntários, também cumpriu com os padrões habituais britânicos, assim como a nível de grafismos e apresentações. A pista apresentava excelentes condições para a prática desportiva e proporcionou excelentes performances, que é o mais importante em qualquer competição.

Ainda assim, existiram problemas com as cerimónias de medalhas (ora ocorreram em corredores…ora ocorreram todas seguidas no estádio) e com o excesso de finais no último dia, o que não permitiu aos atletas dos saltos ter o melhor desempenho.

O excessivo barulho no pavilhão – por estarem a acontecer demasiados eventos ao mesmo tempo – terá contribuído para que todos os atletas tenham feito ensaios nulos na última ronda do Triplo e para que Lasitskene não se tenha nunca aproximado sequer de passar a 2.05 metros. Também ao nível do apoio e condições para a imprensa, não tendo sido péssimo, o nível não impressionou também. Para 2021, a organização viaja até Torun, na Polónia, a segunda vez no país europeu, depois de Katowice, em 1975.

Muir… o que se segue? (Foto: The Courier)

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