O Regresso do Melhor Rali do Mundo

Francisco da SilvaMaio 12, 20185min0

O Regresso do Melhor Rali do Mundo

Francisco da SilvaMaio 12, 20185min0
O Rali de Portugal, considerado "o melhor rali do mundo" é o evento automobilístico que mais aficionados move no nosso país, sendo responsável por uma autêntica romaria aos vales e serras de Portugal.

O mês de Maio não é apenas marcado pelas semanas académicas, pelos atos de fé e oração, pela consagração dos campeões nacionais. O quinto mês do calendário gregoriano é palco de um dos eventos desportivos mais importantes do panorama nacional, o Rali de Portugal.

O Rali de Portugal foi organizado pela primeira vez em 1967, ainda em pleno Estado Novo, contudo, durante largos anos esta competição manteve exclusivamente um carácter nacional, rompido apenas em 1973 quando o Rali de Portugal integrou finalmente o calendário do Campeonato Mundial de Ralis. Num país às portas de uma revolução económica e social silenciosa, residiam centenas de milhares de aficionados pelas quatro rodas que viviam os ralis em família: partiam em caravana no início do dia, marcavam lugar com o tradicional banco portátil, enchiam a barriga com acepipes e completavam o coração com a poeira e o barulho ensurdecedor dos motores.

Durante as décadas de 70 e de 80 o Rali de Portugal ficou mundialmente conhecido não só pelas vitórias categóricas de Markku Alen, Michèle Mouton ou Hannu Mikkola, mas sobretudo pelas multidões eufóricas que assistiam às provas demasiado próximas das máquinas, como se depositassem absoluta confiança na simbiose piloto-copiloto. Do norte a sul do país, o Rali de Portugal marcava o fim de semana mais emblemático para ateus, agnósticos ou religiosos, ninguém queria perder a oportunidade de ver bem de perto os seus ídolos e as máquinas mais potentes. Mudaram-se os tempos, mas a paixão pelos ralis permaneceu sempre, agora alimentada por quatro magos: Carlos Sainz, Juha Kankkunen, Tommi Makkinen e Colin McRae.

Colin McRae no Rali de Portugal em 1997 | Fonte: Pinterest Crisoliv

Em Março de 2001 dava-se um dos episódios mais tristes desta história, sob fortes chuvadas Tommi Makkinen vencia o Rali de Portugal e marcava o início de um hiato de 5 anos. Depois de ser consagrado o melhor rali do mundo por inúmeras vezes, Portugal deixava de constar do calendário da principal prova de ralis do mundo, provocando um enorme vazio em toda a massa aficionada que agora deixava de poder ver de perto os seus ídolos. Em 2007, o barulho das máquinas voltava a ecoar nos vales e serras do sul de Portugal, no entanto, houve um nome que roncou mais alto, Sébastien Loeb auxiliado pelo monegasco Daniel Elena. Desde então, à exceção do ano de 2008, o Rali Portugal faz parte do calendário do mundial de ralis, no entanto, só nos anos mais recentes é que a principal prova nacional de automobilismo voltou a reencontrar o seu público mais fiel, o norte do país, onde as pessoas vivem o rali como se de uma peregrinação se tratasse. Após comemorar a 50ª edição do Rali de Portugal em 2017, há vários motivos para acompanhar de perto esta prova em 2018.

O Eterno Favorito: Sébastien Ogier.

O piloto gaulês já venceu o Rali de Portugal por 5 vezes, nesse sentido, o homem da M-SPORT é o principal favorito a suceder-se a ele próprio como vencedor da prova portuguesa. Com 3 vitórias em 5 ralis, Ogier irá também procurar defender a sua liderança no mundial de pilotos depois de uma prova na Argentina que não correu da melhor forma e permitiu a aproximação de Thierry Neuville e Ott Tänak.

Os Perseguidores: Thierry Neuville e Ott Tänak.

O belga é o principal adversário de Sébastien Ogier quer pelo seu talento quer pela competitividade do Hyundai i20 WRC, porém, Neuville é um piloto demasiado irregular e azarado para quem quer ser campeão, nesse sentido, não surpreende que até ao momento Neuville tenha ganho apenas uma prova (Suécia). Algo distante de Ogier e Neuville está Ott Tänak, que na sua temporada de estreia pela Toyota chega a Portugal no seu melhor momento de forma após ter alcançado o 2º lugar na Córsega e vencido na Argentina.

Os Outsiders: Dani Sordo e Esapekka Lappi.  

O espanhol encontra-se a correr em part-time pela Hyundai depois de algumas temporadas de menor fulgor, no entanto, Dani Sordo está em grande no mundial de ralis e em 3 provas disputadas chegou por duas vezes ao pódio, sendo que na outra prova ficou no 4º posto. Já o jovem finlandês é um dos pilotos mais excitantes do campeonato, contudo, necessita de elevar os seus níveis de concentração e regularidade para que possa sonhar com o trono do mundial de ralis.

Os Vencedores Amaldiçoados: Kris Meeke e Jari-Matti Latvala.

O britânico é um piloto extremamente espetacular e afável mas peca sempre por errar nas trajetórias e por lapsos frequentes de concentração. Vencedor em 2016, Meeke tem boas recordações de Portugal e pode ter nesta prova a oportunidade de se consolidar como chefe de fila da Citröen. Latvala é um daqueles pilotos difíceis de não gostar, mais não seja pela constante infelicidade que acompanha o finlandês. Apesar de ser um dos pilotos mais rápidos, o piloto da Toyota padece sempre ou dos seus próprios excessos ou dos recorrentes problemas mecânicos. 3 anos depois de vencer em Portugal, Latvala procura encontrar finalmente o seu ritmo e o seu equilíbrio neste mundial de ralis.

Thierry Neuville, Ott Tänak e Dani Sordo foram ao pódio na Argentina | Fonte: Toyota Newsroom

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