Femininos – 6 Recordes Mundiais que podem estar sob ameaça em 2019

Pedro PiresOutubro 4, 201813min0

Femininos – 6 Recordes Mundiais que podem estar sob ameaça em 2019

Pedro PiresOutubro 4, 201813min0
O Planeta do Atletismo explica quais os 10 Recordes Mundiais da modalidade que podem cair já em 2019! Conheces os principais candidatos femininos aos recordes?

Este artigo foi redigido pela página Planeta do Atletismo, dirigido por Pedro Pires! Visita a página acedendo por este link: Planeta do Atletismo

100 metros com barreiras (F)

Atual recorde mundial: Kendra Harrison (USA), 12.20 (+0.3) (Londres, 2016)

Basta relembrar as palavras de Aries Merritt – o recordista mundial dos 110 barreiras – para se perceber que este é um recorde sempre sob ameaça: “Sempre que tivermos em prova Kendra Harrison e Briana McNeal no máximo da forma de ambas, este recorde está em risco de cair”. E é um facto. É um recorde recente, ainda mais se tivermos em conta a quantidade de recordes femininos que duram há mais de duas décadas.

Foi a 22 de Julho de 2016 que Kendra Harrison foi a Londres correr em 12.20 (+0.3) bater uma marca que durava há 28 anos! Foi surpreendente. Não por ter vindo de Kendra e não porque ela não tivesse já dado mostras de o bater. Foi surpreendente porque duas semanas antes, Kendra Harrison tinha falhado com estrondo nos Trials norte-americanos, não passando de um 5º lugar e falhando a qualificação para os Jogos do Rio. Nesse ano, Kendra Harrison teve 8 dos 9 tempos mais rápidos do ano. Aliás, o único tempo que se intromete nesses 9 foi quando Briana correu em 12.34 nos Nacionais/Trials.

Briana McNeal foi a campeã olímpica no Rio em 12.48, num pódio totalmente norte-americano, o que prova bem a qualidade do field dos EUA que nem contava com a recordista e líder mundial. Não se deve, ainda assim, colar o Ouro olímpico de Briana (que na altura ainda era Rollins) apenas ao falhanço de Kendra. McNeal é uma vencedora, que tem aquela aura de brilhar nos grandes palcos. Já havia sido campeã mundial em Moscovo e é também ela uma atleta rapidíssima, claro.

Na verdade, ela é a 4ª mais rápida de sempre (igualada). Em 2018, os confrontos entre as atletas acabaram bem igualados, mas McNeal bateu Kendra na final da Diamond League em Bruxelas.

Kendra Harrison afirmou que foi uma época de experimentação, sem eventos globais (embora tenha corrido em 12.36, marca líder do ano). Briana McNeal regressou depois de um ano de ausência (falhou a atualizar os seus dados no sistema de localização anti-doping), mas já correu em 12.38. Antes em pista coberta, Kendra provou não ter perdido nada da sua forma e, pela primeira vez não falhou em eventos globais, conquistando o Ouro com recorde dos campeonatos, na distância mais curta. Ainda assim, falta-lhe não falhar ao ar livre.

Nos Mundiais de Londres do ano passado nem ao pódio foi. De qualquer forma, grandes marcas nunca serão um problema para ela. Kendra tem 26 anos, Briana 27. A duas atravessarão este ciclo de 3 anos provavelmente no topo do seu potencial e este é por isso um dos recordes que deverá cair. A juntar ainda temos outras rapidíssimas atletas como Sharika Nelvis e a grande promessa que representa Porto Rico, Jasmine Camacho-Quinn (22 anos), que no seu último ano como universitária, correu em 12.40!

3000 metros obstáculos (F)

Atual recorde mundial: Beatrice Chepkoech (KEN), 8:44.32 (Mónaco, 2018)

Caiu com estrondo. Não é muito comum, mas foram retirados 8 (!) segundos ao anterior recorde da disciplina e já vamos em 8:44.32. A proeza foi da queniana Beatrice Chepkoech, num ano em que baixou duas outra vezes dos 9 minutos. A atleta só tem registos de 3.000 obstáculos desde 2016 e, sendo esta a terceira época, é uma incógnita em que fase do seu crescimento se encontra.

Ainda assim, os melhores de cada ano (9:10.86/8:59.84/8:44.32) fazem crer que Chepkoech pode ainda ter algo mais na manga, especialmente quando procura as suas primeiras medalhas globais da carreira na distância, depois do 4º lugar nos Jogos do Rio e da mesma classificação nos Mundiais de Londres. Correr abaixo dos 8:44 poderia parecer utópico há alguns anos atrás, mas não vamos esquecer que é uma distância relativamente recente no programa feminino e, portanto, ainda poderemos estar longe de alguma estagnação.

Com o castigo da campeã olímpica e ex-recordista mundial (Ruth Jebet), envolvida num caso de doping, a outra grande candidata a bater a atual marca pode ser Celliphine Chespol, a jovem queniana de 19 anos, que no ano passado com apenas 18 anos baixou dos 9 minutos. Chespol é a recordista mundial sub-18 e sub-20 por larga margem e irá agora à procura da glória como sénior. Norah Jeruto (23 anos) é outra queniana a baixar dos 9 minutos este ano, tendo-se tornado apenas a 5ª mulher a fazê-lo na história. Outro nome sempre a equacionar é o de Hyvin Kiyeng, a ex-campeã mundial, que está a 2 segundos de baixar essa barreira, acima de tudo, psicológica.

De resto, afastando-nos do Quénia, apenas as norte-americanas Courtney Frerichs (a nova recordista nacional em 9:00.85) e Emma Coburn (a campeã mundial) poderão ameaçar as quenianas, embora não pareçam com capacidade de se aproximar da marca de recorde mundial. De qualquer forma, uma prova com as quatro quenianas na máxima capacidade e rápida desde o início, pode fazer cair o recorde mundial e uma série de recordes pessoais. A ver com atenção em 2019.

Salto em Altura (F)

Atual recorde mundial: Stefka Kostadinova (BUL), 2.09 metros (Roma, 1987)

Terminada a final dos Europeus de Berlim quem visse a reação de Mariya Lasitskene pensaria que a russa teria perdido. A frustração era visível e foi expressa com um soco na cadeira, entre palavras que dizia para si mesma. Lasitskene tinha acabado de conquistar o Ouro.

Foi nas redes sociais, mais tarde, que o seu marido e comentador desportivo, Vladas Lasitskas, explicou que a atleta estava contente com a medalha de Ouro, mas que ela neste momento luta contra si mesma na busca pelo recorde mundial, tendo ficado desiludida com a sua marca.

É este o maior objetivo da atleta que falhou os Jogos do Rio devido ao castigo russo e quer fazê-lo antes de Tóquio em 2020, de forma a chegar menos pressionada aos Olímpicos. A sua grande oportunidade será na longuíssima temporada de 2019, que terá o seu ponto alto em Doha, nos Mundiais que começam em Setembro e acabam apenas em Outubro.

Aqui não há outro nome na discussão. Tivemos um ano bom na Altura, com outras três mulheres a passarem os 2 metros: a medalhada de Prata no Rio, Mirela Demireva (2.00), a especialista em provas combinadas, Nafi Thiam (2.01) e a grande surpresa Elena Vallortigara (2.02). Apesar de Lasitskene este ano “só” ter saltado um máximo de 2.04, parece muito pouco provável que ela seja ameaçada do topo da Altura, podendo-se concentrar no recorde mundial, depois de “despachar” cedo as rivais.

Lasitskene teve 45 vitórias consecutivas. Perdeu surpreendentemente em Rabat (num dia em que só saltou 1.90 metros), mas desde aí já vai em mais 7 vitórias consecutivas. São 52 vitórias em 53 competições. Ainda é a 4ª da história e sabemos de casos como o de Blanka Vlasic, que tão perto andou, mas que a um centímetro ficou. É precisamente para evitar situações assim que Lasitskene quer alcançar o topo do Olimpo o mais rapidamente possível. Pode ser o ano.

800 metros (F)

Atual recorde mundial: Jarmila Kratochvílová (TCH), 1:53.28 (Munique, 1983)

Só há um nome nesta equação e todos o sabemos de cor: Caster Semenya. A nova lei de regulamentação de atletas intersexo da IAAF que deveria estar neste momento a passar do papel para a prática tem toda a cara de não passar do papel, uma vez que tem sido alvo de várias críticas de altas instâncias internacionais que questionam a sua legitimidade. Dessa forma, Caster Semenya continuará na sua própria luta contra os tempos, não havendo rival que a possa ameaçar em pista.

A sul-africana não perde uma prova desde setembro de 2015, altura em que a regulamentação de limitação dos níveis de testosterona estava ainda em vigor e não se prevê que o caso mude de figura, apesar de existir um considerável número de atletas abaixo dos 1:58 (este ano foram 7!) Semenya este ano alcançou o seu melhor pessoal, com os 1:54.25 no meeting de Paris e subiu a 4ª mais rápida de sempre. Tem como objetivo o recorde mundial da distância, sem que deixe de continuar a construir alicerces importantes nos 400 e nos 1500 metros.

Independentemente de nos posicionarmos de um lado ou de outro no que diz respeito à proposta de legislação da IAAF e, sabendo que a mesma dificilmente entrará em vigor, pouca gente acredita que Semenya não será capaz de bater o recorde mundial da distância, que ainda assim está a quase um segundo. Foi a 26 de julho de 1983 que que se correu em 1:53.28, num recorde rodeado de dúvidas e suspeitas relativamente aos meios utilizados para a sua obtenção, alcançado por Jarmila Kratochvílová. São 35 anos, mas a marca parece agora sob forte ameaça.

Foto: IOL

Meia-Maratona (F)

Atual recorde mundial: Joyciline Jepkosgei (KEN), 1:04:51 (Valência, 2017)

As 13 atletas mais rápidas desta distância obtiveram essas suas melhores marcas desde 2015, o que demonstra bem a montanha-russa que têm sido os últimos da Meia feminina. Até é possível que este recorde seja batido antes do final deste ano, sendo que a marca absoluta é de 1:04:51, obtida pela queniana Joyciline Jepkosgei em outubro do ano passado em Valência, melhorando em 1 segundo o seu anterior recorde.

Acontece que a IAAF também continua a reconhecer um recorde para provas exclusivamente femininas (como faz com a Maratona) e esse também foi batido este ano em Valência (nos Mundiais) pela etíope Netsanet Gudeta (1:06:11), mas só nestes últimos 3 anos tivemos 11 atletas a correr abaixo de 1:06, sendo que 6 já o fizeram este ano.

Quenianas dominam quase todas as atenções, mas as etíopes dominam começam a jogar um importante papel nesta distância de estrada. Incluindo alguém que, tendo nascido na Etíopia, corre e tem nacionalidade holandesa: Sifan Hassan! Hassan ainda deverá dar prioridade quase absoluta à pista até aos Jogos de Tóquio, mas a sua estreia (com objetivos reais, depois de ter feito uma prova anos atrás, quando tinha 18) na Meia-Maratona em Copenhaga dificilmente poderia ter corrido melhor: 1:05.15, saltando diretamente para o lugar de oitava mais rápida da história!

A prova não faz parte do programa para Mundiais e Jogos Olímpicos mas não deverá ser afetada por isso, devendo este recorde cair mais do que uma vez no futuro próximo.

400 metros com barreiras (F)

Atual recorde mundial: Yuliya Nosova-Pechonkina (RUS), 52.34 (Tula, 2003)

Nos últimos anos temos visto alguma aproximação à melhor marca de sempre da distância, em que o exemplo mais significativo será a fantástica corrida dos Trials norte-americanos em 2017, em Sacramento, onde 3 mulheres correram abaixo dos 53 segundos. A que ficou em terceiro (como o desporto é curioso!), Kori Carter, viria a tornar-se a campeã mundial em Londres. A que tinha ficado em primeiro nessa corrida, Dalilah Muhammad, é a campeã olímpica.

E a que ficou em 2º, Shamier Little, já em 2015 com apenas 20 conquistava a Prata nos Mundiais de Pequim e este ano teve uma temporada de excelente nível ao ar live, tendo sido a segunda mais rápida a nível mundial, vencendo também dois meetings da Liga Diamante. Há também a jamaicana Janieve Russell que venceu os Jogos da Commonwealth, venceu no meeting de Eugene e ainda a Continental Cup. Mas todos aguardamos a chegada de alguém que antes de entrar no circuito profissional, já é uma estrela: Sydney McLaughlin!

A jovem prodígio norte-americana completou os seus 19 anos apenas em Agosto deste ano, mas na temporada universitária, correu já abaixo dos 53 segundos (subindo à 9ª mais rápida de sempre, com os seus 52.75) e na única prova do ano que fez sem barreiras ao ar livre, correu em 50.07! É a recordista mundial júnior por larga margem (o melhor anterior era de…54.40) e é a recordista mundial júnior da distância indoor sem barreiras também, com os seus 50.36 segundos.

Nos 400 metros barreiras, Sydney McLaughlin tem 10 dos 11 tempos mais rápidas da história em atletas juniores. O seu primeiro ano como profissional ainda está pouco certo, uma vez que se fala de uma mudança de técnico (o grande Edrick Floréal mudou-se para o Texas e levou com ele algumas estrelas como Kendra Harrison e Kori Carter) e ainda não confirmou qual será a marca desportiva que representará, apesar de ter confirmado que não irá continuar no circuito universitário e se fale de algumas propostas milionárias. Será um ano de aposta exclusiva nos 400 barreiras? Veremos Sydney nos 400 sem barreiras apenas em ambiente indoor? Não temos resposta, mas não temos qualquer dúvida que o recorde andará sob ameaça já este ano.

A jovem prodígio norte-americana completou os seus 19 anos apenas em Agosto deste ano, mas na temporada universitária, correu já abaixo dos 53 segundos (subindo à 9ª mais rápida de sempre, com os seus 52.75) e na única prova do ano que fez sem barreiras ao ar livre, correu em 50.07!

É a recordista mundial júnior por larga margem (o melhor anterior era de…54.40) e é a recordista mundial júnior da distância indoor sem barreiras também, com os seus 50.36 segundos. Nos 400 metros barreiras, Sydney McLaughlin tem 10 dos 11 tempos mais rápidas da história em atletas juniores.

O seu primeiro ano como profissional ainda está pouco certo, uma vez que se fala de uma mudança de técnico (o grande Edrick Floréal mudou-se para o Texas e levou com ele algumas estrelas como Kendra Harrison e Kori Carter) e ainda não confirmou qual será a marca desportiva que representará, apesar de ter confirmado que não irá continuar no circuito universitário e se fale de algumas propostas milionárias.

Será um ano de aposta exclusiva nos 400 barreiras? Veremos Sydney nos 400 sem barreiras apenas em ambiente indoor? Não temos resposta, mas não temos qualquer dúvida que o recorde andará sob ameaça já este ano.

Fonte: Wikipedia

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