Pedro Sequeira. “Um dia seremos Campeões Europeus de Andebol”

João de MatosNovembro 12, 20185min0

Pedro Sequeira. “Um dia seremos Campeões Europeus de Andebol”

João de MatosNovembro 12, 20185min0
O vice-presidente da Federação Portuguesa de Andebol conversou com o Fair Play sobre o futuro da modalidade. Pedro Sequeira aborda o agora e o que vem a seguir para Portugal

Pedro Sequeira, Vice-Presidente da Federação de Andebol de Portugal. As ideias e os caminhos a seguir para que o andebol seja a modalidade de topo no panorama nacional.

Concorda que a Andebol é considerada a modalidade “pobre” por parte da comunicação social em Portugal?

PS: O andebol é em Portugal a 2ª modalidade com o maior número de praticantes, é a única modalidade a par do futebol que tem a implantação a nível regional de todos os distritos em Portugal, e a maioria das modalidades não consegue fazer isso. Respondendo à pergunta em concreto, o futebol em Portugal não tem que fazer nada para que a comunicação social lhe dê atenção e seja notícia, e no andebol é necessário fazer algo para que seja merecida essa atenção. Embora reconhecendo que de facto o Andebol deve ter estratégias para se dar a conhecer melhor à CS.

O que se tem feito nos últimos anos para o desenvolvimento desta modalidade?

PS: Temos feito várias iniciativas, de salientar a criação da Andebol TV, a partilha nas redes sociais da modalidade. A ida de atletas para outros países jogar faz crescer o desenvolvimento da modalidade, e até nos jogos da Seleção Nacional muitas pessoas já conhecem os jogadores o que demonstra um aumento do interesse internamente pela modalidade. Há uns anos, poucos jogadores eram conhecidos pelos portugueses.

Se este modelo de campeonato atual é o mais apelativo, para o crescimento da modalidade? Tendo em conta a experiência anterior com o modelo playoff.

PS: Nós não conseguimos acertar no melhor modelo, pois os dois modelos têm aspectos positivos e negativos. O modelo playoff tem a vantagem da incerteza, como é a eliminar, nunca se sabe quem será o campeão porque até as equipas grandes podem ter um jogo mau e muda logo tudo, e em termos de espectáculo e incerteza este é um bom modelo. O modelo que actualmente os clubes pediram, é um modelo que premeia a regularidade. Um premeia a incerteza e outro a regularidade. Em termos desportivos o modelo actual é um modelo mais justo, do ponto de vista do espectáculo e defendendo a modalidade o modelo playoff é o melhor. Mas, no meu entender, o melhor modelo que existe é o modelo da Liga Alemã.

Fonte: FairPlay
Concorda com esta naturalização de vários jogadores estrangeiros, principalmente cubanos, que tem vindo a aumentar?

PS: Em Portugal somos 10M de habitantes, é impossível um pais como o nosso ter uma quantidade de atletas suficiente e de consistente qualidade. Actualmente temos 50 mil agentes desportivos, numa cidade da Alemanha temos o triplo dos atletas.

As naturalizações são por necessidade, é uma oportunidade de fazer a selecção mais competitiva e equilibrada, e com o desenvolvimento dos nossos atletas nas camadas mais jovens, a naturalização “forçada” passará a ser um recurso de pouca utilização.

Tendo presente que recentemente tem havido um crescente aumento da procura de jovens valores, será espectável que Portugal alcance o feito da Seleção Portuguesa de Futebol?

PS: As expectativas são muito boas, os escalões de formação são muito competitivos, no andebol de praia temos uma medalha olímpica, a selecção de seniores masculinos está às portas de se qualificar para o campeonato da Europa. No entanto, as diferenças entre o futebol é que do ponto de vista financeiro, os outros países têm mais poderio que nós, na liga francesa o 1º classificado, o PSG tem um orçamento de 60M e o último tem 4M; em Portugal nenhuma equipa tem metade do orçamento do último da França. E o andebol deve copiar o futebol, na sua base em termos da criação de bons escalões de formação para que sejam o futuro das equipas portuguesas e quem sabe chegar a esse feito.

Fonte: FairPlay
Quais os planos e a estratégia a adoptar para que o andebol se transforme no andebol top de pavilhão?

PS: Temos uma estratégia, temos o Andebol 4 kids, em que o propósito é eles jogarem mais, marcarem mais golos, terem mais contacto com a bola, em vez de ser 7 contra 7. O caminho esta em arranjar modelos simplificados, para que o andebol na escola seja mais praticado, porque sempre foi muito complexo e não era tão praticado nas escolas, todas as modalidades de pavilhão tem trazido modelos de simplificação para trazer mais atletas, e fazer nascer a paixão nas crianças.

Se sente alguma evolução no andebol feminino, e qual a importância do Sport Lisboa e Benfica ter regressado com uma equipa feminina e se não seria importante os outros clubes do Campeonato de Andebol 1, seguirem os passos do clube da Luz?

PS: Nós achamos que esse é o segredo do sucesso do futuro do andebol feminino, e o andebol feminino foi durante anos a modalidade mais praticada por atletas femininas em Portugal. E no nosso país temos um regime muito ligado aos clubes, o adepto do Benfica é adepto em todas as modalidades, o adepto do Sporting a mesma coisa. E se os clubes apostarem nessa criação das equipas femininas certamente vai crescer muito o andebol feminino em Portugal.


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