Quem espera, sempre alcança

João de MatosDezembro 21, 20197min0

Quem espera, sempre alcança

João de MatosDezembro 21, 20197min0
As equipas portuguesas têm brilhado na Europa, chamando a atenção com vitórias que há não muito tempo poderiam ser consideradas imprevisíveis, mas que se têm tornado cada vez mais comuns.
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As equipas portuguesas têm brilhado na Europa, chamando a atenção com vitórias que há não muito tempo poderiam ser consideradas imprevisíveis, mas que se têm tornado cada vez mais comuns.
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As equipas portuguesas têm brilhado na Europa, chamando a atenção com vitórias que há não muito tempo poderiam ser consideradas imprevisíveis, mas que se têm tornado cada vez mais comuns.

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As equipas portuguesas têm brilhado na Europa, chamando a atenção com vitórias que há não muito tempo poderiam ser consideradas imprevisíveis, mas que se têm tornado cada vez mais comuns.

A juntar a isso, em janeiro dá-se o regresso de Portugal à fase final de uma grande competição, algo que não acontecia desde 2006. E também nas seleções mais jovens o verão de 2019 foi particularmente positivo, com as equipas de sub-19 e sub-21 a ficarem às portas da final dos mundiais das respetivas categorias. O andebol português vive um bom momento, mas ainda longe do que aconteceu na década de 90. Olhando para os anos 90, vemos que o ABC foi à final da Liga dos Campeões [1993-1994]. No ano seguinte chegaram aos quartos de final e no outro também. Depois, no ano em que não foram à Liga dos Campeões, chegaram às meias-finais da Taça EHF.

Na década de 90 a seleção nacional atingiu um nível excelente, atualmente, após um período grande de adormecimento, a nossa seleção voltou a atingir um excelente nível, com o regresso a uma fase final.

À semelhança do que também já tinha acontecido na década de 90, na altura com jogadores russos, agora temos algumas naturalizações de jogadores cubanos e é inegável que isso traz mais-valias em termos de peso, altura e agressividade. O que é um fator decisivo, para o aumento da qualidade da nossa seleção.

Alexis Borges, cubano internacionalizado português.

A seleção portuguesa vai voltar aos grandes palcos, neste caso ao Europeu que se vai jogar na Áustria, Suécia e Noruega.Quis o sorteio da fase final do Campeonato da Europa que Portugal, além de apanhar a anfitriã e vice-campeã do mundo Noruega, voltasse a ter de defrontar a seleção francesa dos irmãos Karabatic, de Luc Abalo, Valentin Porte, Sorhaindo, Ludovic Fabregas, entre tantos outros nomes sonantes da modalidade.

A tarefa de Portugal será muito complicada, num grupo em que há ainda há Bósnia, uma estreante nestas andanças. A Noruega vai jogar em casa, pratica um excelente andebol, tem dois ou três jogadores que fazem muita diferença.

No alto nível, primeiro que tudo, para se ter sucesso é necessário um grande guarda-redes, e Portugal tem dois excelentes guarda-redes, que podem decidir um jogo. Depois é preciso ter uma defesa forte, e Portugal já mostrou que consegue ter uma defesa forte, e claro o ataque, em que Portugal possuí muitos jogadores.

Gilberto Duarte, jogador do FC Barcelona.

Devido ao bom momento do andebol em Portugal, Thierry Anti, treinador francês do Sporting Clube de Portugal, que escolheu Portugal para primeira experiência no estrangeiro, apenas um ano depois de ter levado o Nantes à final da Liga dos Campeões, é um outro indicador muito positivo do excelente momento que a modalidade atravessa no nosso país. Outro caso, é o de Magnus Andersson que trocou o campeonato alemão, considerado um dos mais fortes do mundo, por Portugal, para devolver ao FC Porto o título nacional.

Anti, ao serviço do Nantes.

É notável, a olhos vistos, um enorme crescimento do investimento das principais equipas portuguesas, no andebol. O bom momento que se vive em Portugal deve-se ao grande investimento que Benfica, Sporting e FC Porto têm feito nos últimos anos. Têm dotado as equipas com excelentes plantéis e isso tem tido resultados, como mostra a boa campanha que o FC Porto fez no ano passado e está a fazer neste. Com a boa campanha que o Sporting fez na Liga dos Campeões da época passada, tendo sido apenas eliminado pelo Veszprem, que depois foi à final, e que está a fazer este ano. e também pela excelente campanha que o Madeira SAD fez na época passada na Taça Challenge. Se as equipas continuarem a ter este tipo de investimento nas modalidades, até é mais fácil obter bons resultados que no futebol. Ficará francamente mais barato ter bons resultados numa Liga dos Campeões de andebol do que no futebol.

Embora exista uma diferença abismal, entre os dois desportos. Os pavilhões das principais equipas portuguesas acolhem 1500 pessoas e nem sempre enchem, enquanto que os respetivos estádios de futebol têm 60 mil lugares e enche muitas vezes. O mercado é completamente diferente, mas quanto mais equipas tiverem financiamentos elevados, melhor.

Para Portugal dar o salto, para os grandes países de andebol é necessário dinheiro. São necessários parceiros, ter mais gente nos pavilhões, mais gente a pagar bilhetes e chamar grandes patrocinadores. Em Portugal há muito bons jovens jogadores, mas se querem ser mais fortes no futuro, terá de se construir uma Liga mais forte. Neste momento o campeonato de Andebol 1 tem 14 equipas, mas a maioria não luta para ser campeã. Não têm todas as mesmas condições para treinar. Talvez só FC Porto, Benfica e Sporting possam ser campeões. E isso, não é bom para o campeonato.

FC Porto, atual campeão português.

À luz do que acontece atualmente em França, o orçamento mínimo no é de 2,5 milhões de euros. Se uma equipa não tiver 2,5 milhões de euros, um excelente pavilhão, não apostar na comunicação, marketing, não pode jogar na primeira divisão.

O desnível do campeonato espelha um pouco o que é o nosso país, não só no andebol, mas em todas as modalidades. Os três grandes têm investimentos grandes, mas é difícil aos restantes clubes lutarem contra as armas deles. E a competição sai prejudicada por esse desnível.

Pedro Portela ao serviço do Tremblay.

Em Portugal as pessoas não têm a cultura do andebol. Se têm de pagar cinco euros para assistir a um jogo, já não vão. Se existir mais assistentes aos jogos, mais bonito se tornará o espetáculo, mais apaixonante será para o espectador e fora de Portugal começarão a olhar para o andebol português de outra forma, com outro respeito.

Também na quantidade de jogadores lusos nos melhores campeonatos, a realidade é diferente agora da que se viveu nos 90, ainda que neste caso com vantagem para aquilo que acontece atualmente. É muito positivo que mais jogadores portugueses saiam para jogar nos melhores campeonatos, e o contrário seria impensável, há um par de anos atrás. Jogadores do calibre de Carlos Ruesga, Toft-Hansen, Borko Ristovki, Nikcvic entre outros.


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