Taça das Nações Africanas – História e origens do torneio continental africano

Thiago MacielJaneiro 26, 20224min0

Taça das Nações Africanas – História e origens do torneio continental africano

Thiago MacielJaneiro 26, 20224min0
A Africa Cup of Nations dará o pontapé inicial de mais uma edição, originalmente marcada para 2021, mas adiada em um ano por conta da pandemia.

A Taça das Nações Africanas, conhecida também por CAN ou Africa Cup of Nations, é uma das competições mais especiais do futebol que tem origens há mais de 70 anos atrás, carregadas de histórias e muito mais!

Origens

A cada dois anos, desde 1957, seleções africanas de futebol disputam a Copa Africana de Nações. O campeonato continental, que está na 33ª edição, é organizado pela Confederação Africana de Futebol (CAF). A entidade foi fundada em 1957, o primeiro ano da Copa.

Os fundadores da CAF foram apenas quatro países: Egito, Sudão, Etiópia e África do Sul — que vivia em regime de apartheid desde 1948, ainda não era um país oficialmente independente, mas foi uma das seleções fundadoras.

Mesmo sendo um dos países fundadores da confederação, a África do Sul foi excluída do primeiro campeonato. Vivendo em o período de segregação da população negra, a lista que o time queria inscrever só incluía jogadores brancos. Eles ficaram suspensos das competições até os anos 1990.

A história da Copa Africana de Nações se confunde com a descolonização do continente. A criação do torneio, em 1957, caminhou lado a lado com as independências e o Pan-Africanismo. Se a primeira edição contou com os únicos três países filiados à recém-criada Confederação Africana de Futebol, as guerras de libertação foram enriquecendo a competição a partir da década de 1960. Um a um, os países descolonizados se juntavam à entidade e a edição de 1962 contou com nove inscritos. Dez anos depois, já eram 23.

Edição 2022

As principais seleções do continente estarão presentes e, por mais que os clubes europeus façam um escarcéu exagerado, os principais craques também.

A edição desse ano será também um desafio. Camarões deveria receber o torneio em 2019, mas a sede acabou sendo transferida de data por causa de atrasos nas obras. Os conflitos na região anglófona do país, com movimentos separatistas, também preocupam ainda atualmente. Inclusive um treino da seleção de Mali foi interrompido por conta de um tiroteio na região.

Mas o que tende a causar mesmo impacto na competição é o aumento de casos de Covid-19 no mundo. Isso se reflete diretamente em alguns elencos, incluindo de seleções favoritas, com vários jogadores vetados neste início por testarem positivo. Conforme o regulamento da CAF, um tanto quanto radical, os times entrarão em campo se tiverem um mínimo de 11 atletas disponíveis – mesmo com goleiros improvisados. Cada elenco pôde incluir até 28 atletas. O que ocorreu com o adversário na partida de oitavas de final de Camarões, quando a seleção de Comores atuou toda a partida sem um goleiro de ofício, com o lateral-esquerdo Chaker Alhadur improvisado no gol.

As 24 seleções classificadas foram divididas em seis grupos, com quatro times. Nesta fase, cada seleção disputou três partidas, avançando o primeiro e o segundo colocado de cada chave, além dos quatro melhores terceiros colocados de cada grupos.

Africa
Grupos da edição de 2022 (Foto: CAN)

Esporte e política

Como em outros campeonatos, o futebol é também utilizado como vitrine e tem influência na política. Alguns jogadores até mesmo se aventuram em trajetórias eleitorais.

O caso mais famoso é na Libéria, onde o atual presidente George Weah, que tomou posse em janeiro de 2018, é um ex-jogador da seleção de futebol. Weah foi eleito melhor jogador do mundo pela Fifa em 1995, enquanto jogava pelo Milan, na Itália. Ele também recebeu a Bola de Ouro e é o único africano, até hoje, a receber ambos os prêmios.

presidente George Weah (Foto: Getty Images)

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