A caminhada para o primeiro Mundial em terras de sua majestade

João Ricardo PedroAbril 5, 20194min0

A caminhada para o primeiro Mundial em terras de sua majestade

João Ricardo PedroAbril 5, 20194min0
Portugal enfrentou por duas vezes a Turquia na qualificação para o Mundial de 1966? Relembra a história dessa época de glória da nossa seleção!

Portugal iniciou a qualificação para o Campeonato do Mundo de 1966 com o pé no acelerador, um dia antes de Eusébio celebrar os 23 anos de idade: 24 de Janeiro de 1965. O Estádio Nacional estava “cheio que nem um ovo” e a seleção portuguesa cilindrou a formação turca com uma vitória expressiva por 5-1, o pantera negra assinou naquela tarde de futebol um hat-trick.

Três meses mais tarde em Ancara, capital da Turquia, cerca de 50 mil adeptos estavam no estádio a exigir vingança pela goleada sofrida em Lisboa, o terreno de jogo estava completamente inapropriado para receber um jogo daquela importância. Num jogo em que houve mais luta que futebol a lei do mais forte acabou por prevalecer e Portugal venceu com um golo de livre de direto concretizado por Eusébio.

Os duelos com os vice-campeões do Mundo.

Estádio Slovan – 25 de Abril de 1965

Sete dias depois da vitória em Ancara, os portugueses aterrarem em Bratislava para enfrentar a Checoslováquia, vice-campeão do Mundo em título. Novamente o remate em força de Eusébio voltou a ser decisivo e valeu a vitória portuguesa pela margem mínima. A vitória na Checoslováquia foi decisiva para a participação portuguesa pela primeira vez num Campeonato do Mundo. A partida heroica de Bratislava foi realizada no dia 25 de Abril de 1965, nove anos exatos antes da Revolução dos Cravos.

Este jogo não ficou para a história apenas pelo resultado mas também ficou na história todo o dramatismo que esteve presente durante os 90 minutos de um jogo de futebol. Logo no início da partida uma entrada impiedosa de Andrej Kvašňák sobre Fernando Mendes que praticamente acabou com a carreira do capitão do Sporting fez com que a seleção portuguesa jogasse em inferioridade numérica durante 85 minutos, na época os regulamentos não permitiam substituições.

O golo português surgiu ao minuto 21, quando Eusébio recebeu a bola do guarda-redes, Costa Pereira, e driblou vários jogadores enquanto correu cerca de 60 metros com a bola, e ao entrar na grande área já quase sem angulo aplicou um remate fulminante que enganou Viliam Schrojf que estava a contar com um cruzamento de Eusébio para Torres. Já em cima do intervalo o juiz bulgáro concedeu uma grande penalidade favorável à equipa da casa, mas Costa Pereira, também conhecido como o Pássaro Azul, adivinhou o lado e voou na direção da bola e defendeu a penalidade de Vojtech Masný.

No final da partida, o selecionador Manuel da Luz Afonso (Otto Glória tinha o cargo de treinador) emocionado afirmou: “Jogamos apenas com dez anos, mas pareciam vinte”.

Estádio das Antas – 31 de Outubro de 1965

No dia 31 de Outubro de 1965 no Estádio das Antas seis meses após a vitória em Bratislava, estavam nas bancadas do estádio do Futebol Clube do Porto cerca de 45 mil expectadores para assistir ao Portugal vs Checoslováquia. À equipa de Otto Glória apenas o empate era necessário para garantir a presença no Mundial. Mas foi necessário empregar muita luta e empenho na partida até ao momento em que o holandês, Leo Horn, levou o apito à boca pela última vez e Portugal garantiu a primeira presença no Mundial.

As lágrimas no relvado e a alegria nas bancadas foi imediata, Portugal ia estar representado pela sua seleção num Mundial de Futebol pela primeira vez,  foram mais de 30 anos de espera para tal acontecer, desde 1934 que os portugueses tentavam chegar a uma fase final.

Otto Glória e Eusébio, as duas principais figuras desta qualificação eram adversários na liga portuguesa, na época o técnico brasileiro orientava também o Sporting (quinze dias antes deste jogo o Sporting venceu no Estádio da Luz por 4-2), saudaram-se após o final do jogo.

O dia 31 de Outubro foi descrito pelo selecionador, Manuel da Luz Afonso, como “o dia mais importante do futebol português”. Mas os feitos dos magriços não se ficaram por aqui e as boas exibições em terras de sua majestade, sobretudo a vitória o Brasil (bi campeão do Mundo em título) e os nove golos de Eusébio fizeram “esquecer” o dia em que Portugal superou os vice-campeões do Mundo no caminho para a melhor prestação portuguesa de sempre em Mundiais de futebol.

Pelo meio houve dois jogos contra a Roménia

Os jogos contra a seleção da Roménia foram os menos brilhantes da fase apuramento. Uma vitória suada em Lisboa por 2-1, num jogo em que o resultado foi francamente melhor que a exibição portuguesa. Em Bucareste o resultado foi uma derrota por 2-0, mas este jogo foi apenas para cumprir calendário, era o último da fase de qualificação e Portugal já tinha assegurado a presença no Mundial que pela primeira vez se iria realizar no berço do futebol.


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