Amor em tempos de Guerra Fria – As aventuras de Gerd Müller na Albânia

João FreitasFevereiro 21, 20213min0

Amor em tempos de Guerra Fria – As aventuras de Gerd Müller na Albânia

João FreitasFevereiro 21, 20213min0
Gerd Müller é um dos avançados mais letais da história, mas suspirou de amores numa Albânia complicada. Vê a história toda aqui!

Esta é uma história de amor de duas partes, que envolve um dos mais letais avançados da história do futebol e uma jovem rapariga empregada de hotel na República Socialista da Albânia.

Gerd Müller, jogador do Bayern Münich e da seleção alemã, era um dos vários jogadores convocados por Helmut Schön para um jogo realizado em Tirana (Albânia) relativo à qualificação para o Europeu 1968. Porém, ao ser anunciado o 11 que subiria ao relvado em Tirana, para espanto de todos, o nome do dianteiro não estava na lista. Tudo ficou a questionar-se sobre o motivo de tão estranha ausência.

A seleção alemã ficou hospedada no Hotel Dajti, o melhor hotel que Tirana tinha para oferecer. Nos dias que antecederam a partida, o jovem Müller – de apenas 22 anos -, apaixonou-se perdidamente por uma empregada do hotel. Narram as lendas que o seu nome era Hojna. Aparentemente, o amor foi a causa da ausência de Muller do jogo, no qual certamente fez muita falta, pois a partida terminou 0-0 e a ajuda do “Der Bomber” teria sido uma autêntica mais-valia.

Muller era letal, mas mostrou ser um coração mole na Albânia (Foto: Getty Images)

A Albânia Hoxhaista era conhecia pelos seus 700 mil bunkers (sim, este número é real) e por ser um dos países mais isolados do mundo. O número de pessoas habilitadas a entrar naquele país era ínfimo e praticamente ninguém saía.

Os jovens enamorados, por conta do clima hostil que existia entre RFA e Albânia, não puderam continuar a maturar o seu amor, tendo que seguir caminhos distintos. Mas os “Deuses do Futebol” quiseram que os destinos de Müller e Hojna se voltassem a cruzar. Certamente, que no dia em que se deu a realização do sorteio para a Qualificação do Euuropeu de 1972, ninguém ficou mais feliz que Müller ao ver a Albânia calhar, novamente, grupo da RFA.
No dia 14 de Fevereiro de 1971, curiosamente “Dia dos Namorados”, a seleção alemã volta a se hospedar no Hotel Dajti. Três dias depois, 17 de Fevereiro, os alemães vencem a Albânia por 1-0, com o golo da partida a ser feito pelo pinga-amor Bávaro.

Müller bem esperou que a oportunidade de regressar a Tirana voltasse a ocorrer, mas nunca mais surgiu… Entrar na Albânia Hoxhaista era uma missão quase impossível, reservada na maior parte dos casos a agentes diplomáticos.
Mas se o destino não providenciou as oportunidades, Müller criou-as…

Ao saber que o clube albanês Klubi Sportiv Flamurtari Vlorë ia jogar com o HJK de Helsínquia, Gerd Müller – com 40 anos de idade e afastado há 4 anos dos relvados – ligou para o presidente do clube finlandês a oferecer-se para assinar um contrato de um jogo apenas.

Artigos de jornal a relatar a história de Muller (Foto: Getty Images)

Numa entrevista ao jornal finlandês, o presidente do HJK revelou que Müller ter-lhe-ia dito: “Por favor, deixem me ir convosco à Albânia. Gostaria muito de rever uma namorada minha”.

O presidente o HJK ficou incrédulo por saber os motivos e foi aconselhado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros Finlandês a recusar o acordo com Müller, por forma a evitar um potencial conflito diplomático com a Albânia.

Desta forma, Müller e Hojna nunca mais se voltaram a encontrar. Entretanto, Müller casou-se e foi diagnosticado com Alzheimer em 2015. A misteriosa albanesa que tanto fez suspirar esse terror dos defesas nunca apareceu em público, provavelmente por medo de ser perseguida pela “Sigurimi” – a polícia secreta albanesa.


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