“Underrated” ou simplesmente “esquecíveis”? – Luca Toni

Pedro AfonsoMaio 10, 20205min0

“Underrated” ou simplesmente “esquecíveis”? – Luca Toni

Pedro AfonsoMaio 10, 20205min0
Nesta nova rubrica do FairPlay, trazemos-lhe alguns dos jogadores que a História do Futebol "esqueceu". Simplesmente "underrated" ou "esquecíveis", estes jogadores marcaram uma era do futebol. Hoje, trazemos-lhe Luca Toni.

Quando se fala em Itália e no seu futebol, duas características saltam logo à vista: o rigor defensivo e a quantidade de finalizadores natos que de lá surgiram. Talvez seja pelo formato do país, a verdade é que se falarmos da defesa italiana como pináculo das inúmeras conquistas dos Azzurri, não podemos descurar a frieza finalizadora que acompanhava essa clarividência defensiva. Como tal, é óbvio que alguns nomes passem despercebidos na História do Futebol, não pela sua falta de qualidade, mas pela abismal quantidade de substitutos que surgem para tomar o lugar dos craques que se reformam. É por isso natural que, se tivermos em consideração os últimos 20 anos, com Totti, Del Piero, Pippo Inzaghi, Iaquinta, Balotelli, Vieri e Quagliarella à cabeça, é natural que algum dos grandes avançados que vestiram a camisola italiana passem despercebidos. E é aqui que surge Luca Toni.

Difícil destacar-se numa Seleção assim… (Foto: Shaun Botterill/Getty Images)

Um verdadeiro tanque, com 1m93 e 85kg, o natural de Pavullo nel Frignano, uma pequena comuna na região de Modena, não teve uma carreira fácil. Começando no clube da sua região, a sua estreia como sénior aconteceu na época de 1994/1995, com 18 anos. Começaria aqui um percurso por equipas de segunda, terceira e quarta linha do futebol italiano, culminando com a sua contratação, na época de 2003/2004, pelo Palermo, à data na Série B. E aí começa a consagração de um nome incontornável na história do futebol italiano. Com 30 golos em 47 jogos, o avançado foi crucial para a conquista da Série B, numa equipa que contava com nomes como Vannucchi, Fabio Grosso e Massimo Mutarelli.

Mas a subida e o aumento da dificuldade dos adversários não melindrou Luca Toni, que marcou, época seguinte, já na Serie A, 22 golos em 36 jogos. Este rendimento não passou despercebido aos holofotes dos grandes clubes italianos, com a contratação na época seguinte pela Fiorentina. Em Florença, na sua primeira época, marca 33 golos em 42 jogos, conquistando a Bota de Ouro, para além de Melhor Marcador em Itália. A sua performance levaria à convocatória para o Mundial de 2006, onde viria a ser titular e festejaria a sua conquista.

Duas passagens por Florença (Foto: Reuters)

Após mais uma época em Florença, os voos seriam outros e, numa época de forte aposta por parte do Bayern de Munique, transferiu-se para os bávaros, já com 31 anos, por 28,5M€, um valor surpreendente tendo em conta a sua idade. No entanto, seria em parceria com Miroslav Klose, que faria uma época absolutamente fantástica, marcando 39 golos em 46 jogos, numa época onde seria suplantado por um super-Cristiano Ronaldo. Ainda assim, ajudou os bávaros à conquista da Bundesliga e da DFB Pokal, sagrando-se melhor marcador da Bundesliga e da Liga Europa. Na época seguinte marcaria 18 golos em 35 jogos, conquistando mais uma Bundesliga e uma DFB Pokal.

Um dos poucos italianos a singrar fora do seu País (Foto: FC Bayern Munich)

A temporada de 2009/2010 foi, no entanto, um momento de viragem para o italiano. Relegado para a equipa B devido a más relações com o treinador Van Gaal, o italiano haveria de regressar a Itália para representar a Roma, por empréstimo. Os anos seguintes foram de mudança, representando, em 2 épocas, Juventus, Génova e Al-Nasr, antes de regressar, em 2013, a Florença, para relançar a carreira. Já com 36 anos, muitos pensaram que seria a despedida do italiano, que marcou 8 golos em 28 jogos. No entanto, Toni decidiu surpreendeu o Mundo, transferindo-se para o Hellas Verona onde, nas duas épocas seguintes, marcaria 22 e 23 golos, respetivamente, conquistando, mais uma vez, o título de melhor marcador do Campeonato Italiano com 38(!) anos.

O que fazia, então, de Toni um jogador extraordinário? O Italiano não era rápido, nem muito móvel, mas a sua presença na área era sinónimo de golo. Dotado de uma inteligência de posicionamento e antecipação fora do comum, associadas a um físico soberbo, Luca Toni era exemplar no jogo aéreo e finalizava com qualquer pé e de qualquer forma. Jogador discreto, pouco dado a “rodriguinhos”, era pragmático e frio na hora de finalizar.

O seu percurso não pode ser esquecido na história do Futebol Italiano, como um caso de um jogador que se afirmou já em “idade avançada”, fruto de uma inteligência de jogo acima da média e um faro apurado, e fez parte de uma das seleções mais marcantes da história do futebol Azzurri. Luca Toni merece um lugar de destaque na História do Futebol, por muito que esta teime em “esquecê-lo”.


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