Ruben Amorim está livre: o seu despedimento e futuro
Ruben Amorim foi a mais recente vítima do Manchester United. O treinador português durou um ano e dois meses no cargo, não conseguindo atingir o posto de digno sucessor de Sir Alex Ferguson, numa lista que começa a ser longa. Os red devils estão para a Premier League como a Ferrari para a Formula 1: são históricos, criam expectativas nos adeptos e acabam sempre por desiludir, voltando a iniciar um ciclo, que promete sempre o regresso ao auge.
O treinador português não foi despedido pela questão dos resultados. O Manchester United ocupava o sexto posto e estava consideravelmente melhor que na última época, tendo aspirações legítimas a sonhar com uma vaga na próxima edição da Champions League. Ruben Amorim chocou com a estrutura e percebeu que não estavam todos a remar para o mesmo lado. Jason Wilcox, diretor desportivo dos red devils, não estava de acordo com o sistema tático e trouxe nomes para o Old Trafford que o luso não queria. Ruben Amorim procurava elementos mais experientes como Emiliano Martínez e Ollie Watkins, que conhecem a Premier League como a palma da sua mão. A visão do dirigente era outra, que optou por fechar as contratações de Senne Lammens e Benjamin Sesko.
Ruben Amorim é conhecido pelo seu carácter e intransigência. O ex-médio é um treinador de ideias fixas e isso acabou por traí-lo nesta aventura, que durou bem menos do que o que se esperava, principalmente após a indicação de Jim Ratcliffe, que garantiu que o treinador era para o longo prazo. O Manchester United terá que pensar sobre o que quer para o futuro, mas seguramente a opção de fechar com um nome promissor para 2026/27 está fora da mente dos dirigentes, procurando alguém com provas dadas dentro das Big 5. Até lá, caberá a um interino assumir o posto e tentar colocar os red devils nas competições europeias, como mínimo.
O português no Sporting era ‘rei e senhor’, definia onde e quando investir, apoiado a 100% por Frederico Varandas e Hugo Viana. Ruben Amorim era o principal pilar do projeto dos leões (que acabou por ser bem substituído por Rui Borges, pese a diferença de qualidades), papel que não desempenhou no Manchester United, o que possivelmente não esperava, dadas as suas funções de manager.
Ruben Amorim aprendeu uma lição para o futuro e seguramente na eleição do seu projeto estudará com exatidão todas as variáveis. A grande pergunta que se faz é: qual o seu futuro?
Sejamos francos, a época está terminada para Ruben Amorim. O treinador não vai assumir um clube a meio da temporada e esta aventura do Manchester United fechou-lhe algumas portas. O seu nome está desgastado na Premier League, já que não ganhou sequer o carinho dos próprios adeptos. Ruben Amorim sabe que nenhum emblema dos Big 6 o contactará (nem mesmo o Tottenham, que está a perder a paciência com Thomas Frank) e para se manter em Inglaterra, terá que esperar e descer um degrau. Ainda assim, é complicado a manutenção do treinador naquela que para muitos é a melhor liga do mundo.
Ainda assim, Ruben Amorim não é um treinador ultrapassado, não terá que rumar a um campeonato secundário como muitos fizeram e não aparenta ser ‘seduzido’ pelo dinheiro. É quase certo que se mantenha na Europa, resta saber em que projeto. A sua associação à Primeira Liga é inevitável, principalmente ao Benfica, um dos clubes do seu coração. José Mourinho vai ficar na Luz até ao final de 2025/26 e o seu futuro dependerá muito do que acontece com Roberto Martínez na seleção. Caso Pedro Proença opte por demitir o técnico de líder da seleção nacional, o special one é claramente o principal candidato a assumir o posto, caso o deseje. Além disso, o seu contrato conta com uma cláusula que permite a uma das partes rescindi-lo no final da época, o que facilitaria o processo. Os adeptos das águias estariam certamente recetivos a abrir as suas portas a Ruben Amorim, velho desejo de toda a estrutura, pese embora o sucesso no rival da Segunda Circular.
O Sporting também estará pelo menos de olho na situação. Rui Borges está seguro no cargo, conquistou o universo sportinguista, mas Ruben Amorim é um nome que traz boas memórias. Embora uma parte dos adeptos não perdoem a sua saída para o Manchester United em novembro de 2024, a maioria gostaria de o voltar a ver no banco dos leões. Ainda assim, a época teria que virar um desastre para Frederico Varandas equacionar a saída de Rui Borges. O Sporting está a realizar uma Champions League sólida, mantém-se na Taça de Portugal e tem aspirações válidas pelo tricampeonato, ainda que esteja a sete pontos do FC Porto de Francesco Farioli. Num campeonato em que os candidatos ao título cada vez perdem menos pontos, sete pontos já é uma distância considerável, mas 17 encontros traduzem-se num longo caminho. Caso algum clube invista na contratação de Rui Borges, é seguro afirmar que Ruben Amorim será o grande alvo da estrutura.
Apesar da ligação forte do técnico aos clubes de Lisboa, a probabilidade do ex-médio prosseguir a sua carreira no estrangeiro é alta. As Big 5 pagam bem, mesmo que não sejam clubes de topo e vários emblemas precisam de um abanão, que pode vir a ser dado por Ruben Amorim. O técnico tem na reconstrução do Sporting o seu magnum opus e pode vender sonhos a alguns clubes. O verão de 2026 será marcado por saídas de alguns treinadores que podem ver o seu ciclo chegar ao fim, ou até mesmo darem um salto para outra equipa (Diego Simeone no Atlético Madrid, Antonio Conte no Nápoles, Niko Kovac no Borussia Dortmund ou Roberto De Zerbi no Marselha). Ruben Amorim encaixa na perfeição em emblemas que procurem dar uma volta à sua situação, que estejam ‘fartos’ de serem coadjuvantes e procurem o protagonismo.
A temporada acabou para Ruben Amorim, mas o técnico fará muitas capas até ao verão, dando entrevistas e sendo incluído em rumores. Hoje em dia é complicado falarmos do futebol português sem nos cruzarmos com o nome do treinador, que tem tudo para suceder a José Mourinho como o líder da escola lusa (que neste momento não tem propriamente um chefe), mas terá que dar o passo correto na sua carreira para poder voltar a ser incontestável.



