Portugal: a dupla jornada do apuramento para o Mundial 2023

Margarida BartolomeuSetembro 25, 20216min0

Portugal: a dupla jornada do apuramento para o Mundial 2023

Margarida BartolomeuSetembro 25, 20216min0
Margarida Bartolomeu explica o que se passou nos jogos de Portugal frente à Turquia e Israel no caminho para o Mundial 2023

A primeira convocatória da Seleção Nacional – neste caso, para o Mundial – sem a sua Capitã, Cláudia Neto, que se retirou das competições a nível de seleção, não apresentou grandes surpresas, com a exceção da chamada de Suzane Pires, que foi mãe recentemente. Pela sua qualidade e consistência exibicional, surpreendeu-me um pouco a não chamada das atletas do Benfica, Lúcia Alves e Beatriz Cameirão. Se a primeira se encontra algo tapada, pela presença de Joana Marchão e Alícia Correia, a segunda poderia muito bem ter sido opção, no lugar de Suzane Pires, embora sejam jogadoras de características diferentes.

Também Ana Capeta acabou por ficar fora da convocatória para o Mundial, talvez cumprindo “castigo” devido à atitude reprovável que apresentou no final do dérbi que teve lugar em Alvalade, na época transata. Ana Dias, em bom plano no Zenit, acabou por também não ser convocada (por mim, a sua chamada faria mais sentido do que a chamada de Ana Rute), à semelhança de Ágata Filipa e Mónica Mendes, ambas em bom plano no Glasgow e no Servette, respetivamente. Por outro lado, Mariana Azevedo, atleta do Famalicão, há muito que vem justificando uma presença mais assídua nas convocatórias da seleção nacional, talvez em detrimento da experiente Sílvia Rebelo. Mas esta é uma opinião muito pessoal… As convocadas de Francisco Neto para esta dupla jornada de apuramento foram as seguintes:

Guarda-Redes: Inês Pereira, Rute Costa e Patrícia Morais;
Defesas: Diana Gomes, Sílvia Rebelo, Carole Costa, Catarina Amado, Joana Marchão, Ana Borges (defesa, média, avançada, joga quase em todo o lado) e Alícia Correia;
Médias: Tatiana Pinto, Suzane Pires, Dolores Silva, Andreia Norton, Ana Rute, Andreia Faria, Kika Nazareth, Fátima Pinto e Andreia Jacinto;
Avançadas: Telma Encarnação, Carolina Mendes, Jéssica Silva e Diana Silva.

Integrada no Grupo H de Apuramento para o Mundial, que se realizará em 2023, a Seleção Nacional Portuguesa Feminina iniciou o seu percurso no presente mês de setembro, com um embate frente à Turquia a 16 de setembro, ao qual se seguiu novo embate, mas, desta feita, frente à sua congénere Israelita, no dia 19 do mesmo mês.

O jogo contra a Turquia não correu bem às jogadoras lusas, visto que era esperado o domínio de jogo por parte da seleção portuguesa, algo que não se verificou durante toda a primeira parte, chegando ao intervalo em desvantagem no marcador. Na segunda parte, a equipa “acordou” para o jogo, e conseguiu dominar todos os momentos do mesmo, chegando à igualdade ao minuto 59’, após uma excelente arrancada de Diana Silva.

No entanto, as jogadoras lusas voltaram a demonstrar uma imensa incapacidade para finalizar as inúmeras ocasiões criadas, sendo incapazes de desfazer a igualdade no marcador, que acabou por se manter até final do encontro. Um empate, o primeiro contratempo da nossa seleção nesta caminhada cuja finalidade será atingir o primeiro apuramento da história para um Mundial Feminino.

Após o jogo em terras turcas, a comitiva nacional viajou para Israel onde, no dia 19, realizou o segundo jogo desta dupla jornada. E se o primeiro jogo não correu de feição, o mesmo não se pode dizer deste segundo jogo. Com várias alterações no 11 inicial, a equipa das quinas dominou todos os momentos de jogo, defensivos e ofensivos, e conseguiu dominar a posse de bola e criar diversas oportunidades de golo.

Com uma Andreia Jacinto em evidência, fortíssima no transporte em progressão, passes de rutura e receções orientadas, capazes de desmontar a organização das linhas adversárias, o 2-0 que se registava ao intervalo parecia curto para a qualidade da exibição da equipa lusa. Sim, temos que admitir que a seleção Israelita é uma seleção limitada, de qualidade notoriamente inferior à da seleção portuguesa, mas a intensidade empregada pelas nossas jogadoras em todos os momentos do jogo foi notória e determinante para o sucesso.

Com um domínio claro da posse de bola, evidenciado por uma rápida reação à perda da mesma, que resultava numa quase imediata recuperação da posse, a equipa portuguesa deu muito pouco espaço à sua congénere israelita para progredir no terreno, tendo esta disposto de apenas 2 ou 3 oportunidades durante todo o jogo, sendo que apenas uma delas exigiu uma intervenção mais complicada da guardiã portuguesa. Portugal conseguiu, neste jogo, demonstrar tudo aquilo que não tinha conseguido demonstrar contra a seleção turca, mas que também era exigido para esse mesmo jogo.

4 pontos em 6 possíveis. Não foi o começo ambicionado, mas foi um começo que nos coloca no segundo lugar do grupo H, do qual também fazem parte a toda poderosa Alemanha, a Sérvia e a Bulgária. Se o primeiro lugar está praticamente entregue, à partida, à Alemanha, o segundo lugar irá certamente ser disputado pela Seleção Portuguesa e pela Sérvia, pelo que todos os pontos são essenciais para garantir o tão ambicionado apuramento histórico para o Mundial 2023.

Numa fase em que a seleção portuguesa se encontra em renovação (ex.: “abandono” da Cláudia Neto), e como tem vindo a ficar demonstrado jogo após jogo, talvez este seja o momento de suportar as suas crescentes ambições e aspirações com a aposta em mais jogadoras jovens, de qualidade elevada, já experientes em contextos competitivos exigentes, como é o caso de Ana Dias, Mariana Azevedo, Lúcia Alves e Beatriz Cameirão, que me parecem ser as jogadoras com maior qualidade e capacidade para solidificar a sua presença na equipa nacional, caso a oportunidade lhes seja apresentada (de forma estruturada, e não como foram proporcionadas as estreias de algumas dessas jogadoras, atiradas aos tubarões em momentos cruciais e de elevada pressão).

Podem comprovar, ou não, o que digo, assistindo aos jogos da Liga BPI de 26 de setembro, particularmente ao Sporting – Benfica (Canal 11 – 17h00) e ao Famalicão – Braga (Sport TV – 15h00), 2 jogos grandes, que prometem muita intensidade, entrega e emoção!


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