O que se passa, Guardiola?

João NegreiraAbril 20, 20193min0

O que se passa, Guardiola?

João NegreiraAbril 20, 20193min0
Que o modelo de jogo de Pep Guardiola é fantástico, já todos sabemos. Que o City gastou muitos milhões em jogadores de topo, também sabemos. No entanto, os cityzens não obtêm os resultados para aquilo que jogam e para aquilo que gastaram.

É no rescaldo da eliminação do Manchester City da Champions League que fazemos esta análise à equipa de Pep Guardiola. Não tanto a querer dissecar o seu modelo de jogo, mas sim a querer questionar e refletir sobre os milhões gastos e o pouco sucesso europeu.

Em 3 temporadas nos cityzens, Pep Guardiola nunca conseguiu ultrapassar os quartos de final da Liga dos Campeões. Antes de chegar a Inglaterra – com Barcelona e Bayern de Munique – alcaçou sempre, pelo menos, às meias finais.

Não obstante, esta situação agrava-se ainda mais com a quantidade de dinheiro gasto em reforços. Com o apoio do City Footbal Group e do Sheik Mansour, o timoneiro espanhol recebeu tudo aquilo que pediu.

Fazendo as contas, gastou 213,5M€ na época 2016/2017, onde não ganhou qualquer título (3º classificado da Premier League). Na época seguinte, bateu recordes de transferências e gastou 317,5M€, onde foi campeão inglês e vencedor da EFL Cup. Na presente época, foi um pouco mais poupado e “apenas” gastou 77,09M€, tendo já ganho a EFL Cup, estando na final da FA Cup e estando a disputar o campeonato com o Liverpool, de Jurgen Klopp.

Nas 3 épocas, gastaram um total de 608,9M€, números algo impressionantes, mas que demonstram a realidade financeira do clube.

Para além disso, o Manchester City quando contratou Pep Guardiola sabia que para além de estar a contratar um treinador, estava a contratar uma filosofia de jogo. Com um modelo de jogo reconhecido em todo o mundo, principalmente, pelo sucesso no Barcelona, os responsáveis do clube inglês também tiveram que investir para ter este treinador.

E é mesmo por essa filosofia de jogo tão apreciada que a surpresa ainda é maior. Muito similar à de Johan Cruyff, aliás, Pep diz que o holandês foi como um pai para ele. Contudo, o mesmo Cruyff chegou a dizer que nunca viu nenhum saco de dinheiro ganhar um jogo e esta é talvez a lição que, no presente, Guardiola deve refletir sobre.

Esta eliminação contra o Tottenham vem realçar este grande por(menor) do Futebol Moderno. Os spurs não contrataram ninguém neste mercado de verão e eliminam o todo-poderoso City, chegando assim, às meias-finais, da maior competição europeia.

E para além disso, numa escala mais pequena, tomemos atenção ao exemplo do Fulham que gastou 112M€ neste mercado e já tem a descida de divisão confirmada, faltando ainda algumas jornadas para terminar o campeonato.

É a grande lição para todos aqueles que acham que o dinheiro traz felicidade e, no contexto do futebol, resultados.

É por isso que questionamos o trabalho de Guardiola. Com tanto investimento e com tanto alarido à volta do seu modelo de jogo porque é que não consegue ter melhores resultados (principalmente europeus)? É certo que existem mais fatores influenciadores no futebol, mas não teria o Manchester City a obrigação de fazer mais? Com um plantel avaliado em 1,14MM€ (sim leu bem, 1,14 mil milhões de euros) a qualidade é tanta que as desculpas são poucas.

Não queremos, com este artigo, diminuir o trabalho de Pep Guardiola e do Manchester City (até porque esta época já ganharam 2 títulos e podem ganhar mais 2), queremos sim que o leitor pense e reflita sobre o facto de equipas como o Ajax e o Tottenham, por exemplo, conseguirem chegar às meias-finais da Liga dos Campeões sem cometer loucuras financeiras.

Por isso, a margem de manobra é pouca e podemos levantar a questão se Guardiola conseguiria ter este sucesso sem todo o apoio financeiro.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter