O passo em frente dado por Martínez

Pedro SousaJulho 21, 20186min0

O passo em frente dado por Martínez

Pedro SousaJulho 21, 20186min0
Roberto Martínez revolucionou o futebol da seleção belga e chegou às meias-finais na Rússia. Descobre como!

Pedro Sousa é autor do projeto Bola na Relva e colaborador do Fair Play!


Roberto Martínez, treinador espanhol fez um “upgrade” enorme na forma de jogar dos belgas. Conseguiu juntar os melhores jogadores na equipa inicial, ninguém, agora, é capaz de dizer que Hazard não encaixa com Kevin de Bruyne no mesmo onze.

Sempre a “cair” nos quartos

Marc Wilmots assumiu o comando técnico dos belgas com o objetivo de colocar os diabos vermelhos na fase final do Mundial 2014. Com jogadores de alto gabarito, Wilmots qualificou a seleção belga, mas caiu nos quartos-de-final. Dois anos depois, já no Euro 2016, voltou a tombar na mesma fase. Apesar de falharam uma fase final de uma grande competição desde 2002, as prestações nestes dois torneios acabaram por saber a pouco, perante a qualidade do plantel.

Marc Wilmots não teve muito sucesso na frente da seleção belga (Foto: Claudio Villa/Getty Images)

Uma nova forma de jogo nasceu com Roberto Martínez

Desde cedo, o espanhol deu a entender que tinha ideias diferentes para conduzir a Bélgica a algo maior. O principal objetivo passava por juntar os melhores jogadores no mesmo onze.

Essa mudança começou na vitória por 0-6 sobre a Estónia. A falta de defesas laterais de qualidade levou Martínez a mudar o sistema. O 3-4-3 passou a ser o alinhamento dos jogadores. Com várias nuances táticas, os jogadores, do meio campo para a frente trocavam de posições constantemente. A dinâmica prometia. Hazard jogava como um peixe na água. Kevin de Bruyne, com a ajuda de Pep Guardiola no City, era médio centro para alimentar melhor os avançados. Mertens uma seta apontada à baliza. Romelu Lukaku, com o poderio físico que o caracteriza, baixava em apoios e ainda aparecia na área e finalizar. Os laterais, ora Carrasco ou Chadli na esquerda, ora Thomas Meunier na direita, eram grandes apoios aos homens da dianteira. Faziam o corredor todo e ajudavam a dar equilíbrio defensivo. Este foi, talvez, o maior feito de Martínez.

Estava criada uma equipa “dos diabos”. Dinâmicas muito fortes estavam implementadas. Com ela, a qualificação para o Mundial foi tranquila. Apenas um empate – frente à Grécia, em Bruxelas – manchou a corrida à perfeição.

Martínez conseguiu juntar todo o talento belga no mesmo 11 (Foto: goal.com)

O “mestre da tática” quase subiu aos céus

Foi então que chegou o Mundial. A preparação para o torneio ficou marcada pela não convocatória de Radja Nainggolan. Mas, por muito surpreendente que fosse esta decisão, ela já estava tomada desde do empate frente à Grécia, em Março de 2017. Desde então, o jogador do Inter nunca mais foi opção para Martínez. Consciente que a decisão não ia ser bem aceite, o selecionador disse que “Sabia que esta decisão não ia ser muito popular e o mais fácil era chamar o Nainggolan. Mas ia ser um grande erro. Eu tomei a decisão tendo por base os diferentes tipos de jogadores que preciso para colocar a equipa a jogar”.

Aqui, o espanhol mostrou caráter e segurança nos seus valores e, dois dias depois, viu o seu vínculo renovado pela federação belga. Foi então que a bola começou a rolar. Confiando nas mudanças outrora feitas, o ex treinador do Everton passou a fase de grupos com um pleno de vitórias. Nos oitavos, enfrentaram a seleção guerreira do Japão. Apanhados a perder por dois golos, os belgas, em mais um sinal de força, deram a volta ao texto com três golos nos últimos 20 minutos.

O maior teste chegou nos quartos-de-final. A seleção brasileira era a principal candidata a ganhar o Mundial, mas Roberto Martínez tinha um plano para os parar. No melhor jogo do campeonato do mundo, os belgas fizeram, talvez, a melhor primeira parte da sua história em fases finais de mundiais. Adaptando novos jogadores ao mesmo sistema, Fellaini foi peça chave nesta vitória histórica.

A campanha no Mundial esteve muito perto da glória (Foto: Hindustan Times)

Normalmente, o meio campo belga é composto por Kevin de Bruyne e Alex Witsel. Para este jogo, Martinez incluiu Fellaini e tirou Mertens da frente. Jogando com Hazard, de Bruyne (a falso nove) e Lukaku (descaído para a direita, assim fugindo à marcação dos centrais), o selecionador belga trocou as voltas a Tite. Dois golos no primeiro tempo e muito sofrimento no segundo ditaram a passagem dos belgas às meias-finais da competição. De realçar o excelente jogo de Hazard. O extremo belga foi o principal defensor. Estranho? Mas verdade. Nos últimos minutos de jogo, conseguiu segurar a bola na frente, afastando o perigo da sua baliza.

As meias-finais trouxeram a primeira derrota oficial de Roberto Martínez no cargo de selecionador. Em alguns períodos foram superiores, mas a França acabou por ser uma justa vencedora. Prémio de consolação? Medalha de bronze conquistada numa vitória contundente frente à Inglaterra e uma promessa que, nos próximos anos, continuarão a andar perto dos títulos.

Ascensão depois da queda após candidatura via internet

Roberto Martínez teve uma carreira modesta enquanto jogador. Passou quase a totalidade em Inglaterra. Wigan e Swansea foram os principais emblemas que representou. A carreira de treinador começou no emblema dos cisnes. Duas épocas depois, ingressou no Wigan, onde ficou durante quatro épocas. Os bons desempenhos nos “Latics” levaram-no ao Everton. A primeira época foi um sucesso, mas nas duas seguintes, devido ao êxito alcançado no primeiro ano, não conseguiu satisfazer os adeptos exigentes dos Toffees.

Tudo indicava para uma queda na carreira, mas depois da tempestade veio a bonança. Quando menos se esperava, Roberto Martínez foi apresentado como selecionador da Bélgica. No comando de uma das melhores gerações belgas de todos os tempos, a primeira amostra foi positiva. O mais peculiar foi que ganhou o cargo depois de um anúncio na internet por parte da federação belga. História curiosa, não?


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