O Génio de Pep Guardiola na última década!

José Nuno QueirósAbril 13, 20205min0

O Génio de Pep Guardiola na última década!

José Nuno QueirósAbril 13, 20205min0
Pep Guardiola revolucionou o futebol mundial quando apareceu no Barcelona. Considerado por muitos como um dos principais técnicos do século XXI e nomeadamente da última década, explicamos como Pep vê o jogo no campo.

Pep Guardiola pode já não ser considerado o melhor treinador do mundo de forma unânime, como se calhar o foi durante largos anos, mas é sem sombra de dúvidas o melhor treinador a passar pelo futebol na última década (e parte final da anterior).

Pela forma que revolucionou o jogo no Barcelona em 2008/2009, Guardiola entrou no lote muito restrito de personalidades que mudaram a percepção do jogo, criando quase uma nova era no futebol mundial.

Mas o que permitiu a Guardiola criar esta superioridade em relação aos rivais e passar um enorme Barcelona para níveis históricos?

Esta pergunta não tem só uma resposta e quem acompanha o futebol sabe que as ideias vão muito para lá do papel e do quadro tático, mas para simplificar é exatamente por aí que vamos analisar.

Regra geral no futebol o campo é dividido em 18 zonas distintas.

A zona que mais preocupa os treinadores é a zona 14 e a zona 5 (a zona 14 do adversário), uma vez que esta é a posição frontal à baliza e a posição da camada “zona de decisão”. Aqui um atleta com a bola tem 4 possibilidades ofensivas: o remate, o passe para a zona 17 ou para as laterais 16 e 18. Mais nenhuma zona no terreno oferece esta panóplia de soluções ofensivas.

No entanto Pep Guardiola vê o jogo de maneira bastante distinta do tradicional. ele divide o campo em 20 zonas distintas e ao contrário deste modelo elas não são simétricas umas em relação às outras.

A justificação para esta opção é bastante simples. Pep adaptou o modelo anterior à sua filosofia e modelo de jogo posicional. Com este desenho instalado na cabeça dos jogadores Pep tenta ter sempre superioridade númerica em todos os momentos do jogo e em qualquer zona do campo. Deste modo a equipa ganha uma capacidade única de sair a jogar em zonas recuadas do terreno, mesmo presionada e consegue manipular a defensiva adversária.

Com este modelo os jogadores sabem sempre onde se posicionar para dar o maior número de soluções para o portador da bola. Esta quantidade de opções a juntar à inata criatividade e qualidade do plantel permitiram aos atletas darem o passo em frente que faltava para dominar o futebol mundial.

Convém referir que para Pep Guardiola nunca devem existir mais de 3 jogadores na mesma linha horizontal  e 2 na mesma linha vertical, pois só desta maneira se consegue tirar o maior proveito das tais soluções de passe.

Para Pep a antiga zona 14 continua a ser importante pelos mesmos motivos, mas com este modelo Pep tenta isolar as duas laterais do resto do campo, por serem as zonas mais limitativas do jogo, pois só podem jogar para o meio.

Isto leva a que Pep nunca queira mais do que um jogador nas zonas laterais do terreno, pois isto seria contrariar ideia anterior de criar o maior número de soluções de passe curto. Para além disso, Pep quer atrair o máximo número de adversários para a lateral, nem que seja por breves segundos, para aproveitar depois uma superioridade na zona central (zona 13).

Mas as zonas mais importantes são as duas zonas que não existiam no modelo anterior. As zonas 12 e 14, designadas de “half-space” para o Pep Guardiola.

Este espaço reduzido, permite à equipa libertar a bola do centro do terreno tradicionalmente mais congestionada, mas sem a colocar no lateral que limita as opções. A juntar a isto, continuam a ser zonas que permitem realizar as 4 soluções ofensivas, incluindo o remate. Com jogadores com a classe de Messi, estas zonas só precisam de o ter por breves segundos para ele aproveitar o espaço entre central e lateral para fazer a diferença e decidir uma partida.

Com os jogadores mais criativos nestas zonas fica muito difícil até para realizar as marcações pois caem numa zona de ninguém e podem fazer a diferença com bola e sem bola, a libertar o extremo, arrastando o médio que tapa esse ângulo de passe.

Com uma simples mudança de desenho do terreno, Pep consegue criar diversas soluções ofensivas, garantir a superioridade em todas as zonas, criar o maior número de possibilidades de passes e moldar a defensiva adversária com a rápida sequência de passes e a constante noção dos jogadores destas zonas.

Uma das muitas consagrações do técnico espanhol. (Fonte: Gazeta Esportiva )

Como é óbvio estas “regras” não são para serem cumpridas a 100%. Por exemplo pode haver alturas em que as zonas são congestionadas e a regra dos 2 na vertical não é cumprida, mas isto é permitido pela confiança do treinador nos seus jogadores, no momento do jogo, entre outros fatores, porque como foi dito no início a ideia tática é apenas um começo e uma base para se organizarem, mas não são ideias para serem cumpridas a 100% durante os 90 minutos.


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