22 Jun, 2018

Mundial: quando o campeão em título entra a perder é mau prenúncio

Daniel FariaJunho 20, 20183min0

Mundial: quando o campeão em título entra a perder é mau prenúncio

Daniel FariaJunho 20, 20183min0
No século XXI há um facto que vai ganhando consistência no início de um mundial: o campeão em título entra a… perder.

A derrota da Alemanha frente ao México, por 1-0, no passado domingo, confirmou justamente isso. Olhando para os últimos cinco mundiais disputados, há um padrão pouco favorável a quem festejou quatro anos antes: nas últimas cinco edições da prova, apenas por uma vez o campeão do Mundo em título entrou no torneio a vencer, façanha conseguido pelo Brasil, em 2006, quando venceu a Croácia por 1-0 no jogo inaugural do Grupo F.

França (2002), Itália (2010), Espanha (2014) e agora a Alemanha em 2018, foram os campeões mundiais em título que “escorregaram” na sua estreia. Há uma maldição a formar-se entre os campeões do mundo no jogo inaugural nesta competição? Não queremos ser supersticiosos, mas os factos encaminham para que a resposta seja no sentido positivo à questão formulada anteriormente.

Em 2002, depois de França se sagrar campeã do Mundo em casa, os gauleses viajaram até à Coreia do Sul/Japão, onde se estrearam na prova frente ao Senegal. A estreia foi de má memória para os franceses (tal como todo o Mundial, diga-se) e os campeões do Mundo não foram além da fase de grupos. Com contornos de escândalo foi a estreia espanhola no último campeonato do Mundo: pesada derrota por 5-1 às mãos da Holanda, com os nossos vizinhos a ficarem no último posto do seu grupo. Relativamente à Itália, campeã em título em 2010, a entrada na maior prova de seleções foi também decepcionante. A ‘squadra azzurra’ não foi além de uma igualdade a uma bola com a Nova Zelândia.

Ou seja, parece que quem ganha um Mundial, entra a perder quatro anos mais tarde. Desta vez foi a Alemanha a ser surpreendida e afectada por essa tese.  

“Maldição” reina no primeiro jogo dos campeões do mundo. (Foto: playmakerstats)

Perder na estreia é mau pronúncio

Com a derrota da Alemanha nesta ronda inaugural, há quem já duvide que a seleção alemã vá longe no mundial. Têm cabimento essas dúvidas? Se quisermos ir “mais longe” e analisar o que se passou com os campeões mundiais que perderam na sua estreia na competição podemos traçar um perfil negativo nesse sentido. Realmente, perder na estreia tem sido um mau pronúncio para os campeões mundiais enfrentarem o resto da prova. Por três vezes, o campeão do mundo que entrou a perder no Mundial, ficou-se mesmo pela fase de grupos.

Em 1950, o México, por exemplo, terminou a fase de grupos sem qualquer ponto somado, num grupo constituído por Brasil, Suíça e Jugoslávia. Depois, em 1982 e 1990, a Argentina, logrou a 2.ª fase, sendo finalista em 1990, sendo derrotada pela Alemanha Ocidental na final da competição.

Em 2002, como já foi referido, a França teve um mundial para esquecer. Terminou o mundial na fase de grupos, no último lugar, com um ponto, num grupo constituído pelo Uruguai, Senegal e Dinamarca. Mais recentemente, no último mundial, em 2014, o desastre espanhol. A Espanha ficou-se também pela 1.ª fase, terminando no 3.º lugar do grupo com apenas três pontos somados.

Quando o campeão inicia o mundial a perder, geralmente não chega muito longe. (Foto: playmakerstats)

Estaremos perante mais um mundial em que o campeão em título não irá longe? Só o tempo o dirá.


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