O mercado acabou, mas que lacunas existem em Alvalade?

José Nuno QueirósSetembro 6, 20195min0

O mercado acabou, mas que lacunas existem em Alvalade?

José Nuno QueirósSetembro 6, 20195min0
O Sporting fechou o seu plantel e mudou o seu treinador, mas estará o plantel leonino preparado para o que falta jogar nesta época?

O mercado já fechou em Alvalade e apesar do ataque final que foi feito pelos dirigentes leoninos continuam a haver carências evidentes que não foram devidamente preenchidas e que levantam questões sobre como irá o Sporting adaptar-se a essas ausências.

Na baliza continua por explicar o caso Viviano. O guarda-redes italiano foi contratado para render Rui Patrício, mas após a lesão que o tirou do primeiro jogo da época 2018/2019, onde iria ser titular, o veterano internacional nunca mais foi tido em conta para a posição de guarda-redes e acabou por ser Renan a tomar conta da baliza verde e branca.

Será preciso que alguém explique a falta de oportunidade que foi dada a Viviano para passar de primeira opção para última solução, ao passo que Renan, terceira opção passou para primeira aquando das lesões dos rivais de posição, algo no mínimo caricato e confuso aos olhos dos adeptos.

Numa altura em que falta ao Sporting um guarda-redes que consiga fazer a diferença, é estranho e inexplicável a ausência de reforços nesta zona ou o afastamento de Viviano, para manter um guarda-redes que, não comprometendo, não traz aquele nível de excelência que se pede a um guardião de equipa “grande”.

No entanto, é na posição “6” que me parece que o Sporting ficou “descalço” e onde irão surgir a maior parte dos problemas ao longo da época. Quer Doumbia, quer Eduardo são jogadores mais talhados para jogar numa posição mais adiantada do terreno e ainda bastante longe daquilo que é exigido a um “6”, quer a nível ofensivo, quer a nível defensivo.

Doumbia não é o “6” que o Sporting precisa. (Fonte: A Bola)

Na primeira fase de construção é raro vermos estes jogadores tomarem a iniciativa de sair com a bola, de frente para o jogo e com a capacidade necessária para transportar a bola para zonas de perigo, cabendo esta solução, normalmente, a Coates e Mathieu, tornando muito previsível e facilmente anulável esta saída a dois, em vez de a três.

Desta forma, o médio mais recuado, passa muitas vezes ao lado do jogo, forçando a que a bola ou passe pelas laterais, ou seja imediatamente colocada na frente, sendo várias vezes visível  o recuo, ou de Wendel ou de Bruno Fernandes, para zonas defensivas de forma a tentar mudar este paradigma, tornando o futebol leonino confuso e desorganizado. Doumbia acaba por ser o expoente máximo de um jogador “perdido” sem noção do seu papel em campo, tão comum neste início de época do Sporting.

A defender esta linha de dois médios apresenta-se como a principal razão para os problemas de transição defensiva da equipa de Alvalade. Nenhum dos médios cai em cima do organizador de jogo adversário, antes pelo contrário, recuam para cima de uma linha defensiva e abrem um espaço enorme entre setores que permite ao adversário pensar todo o jogo e aproveitar quer o corredor central, quer o lateral para causar perigo.

Doumbia e Wendel não perceberam ainda os ativadores de pressão, continuando a pressionar quando não devem e a serem ultrapassados, ou a permitirem que uma bola na lateral, ou num jogador de costas seja controlada calmamente e o mesmo jogador possa vir para dentro ou rodar sem o mínimo de oposição.

Desta forma, praticamente qualquer adversário controla o jogo frente aos leões, tendo mais posse de bola e mais oportunidades claras de golo do que o conjunto verde e branco.

É certo que existe ainda Battaglia no leque de opções para o meio campo, mas até quando pode o Sporting esperar pelo argentino? Estamos perto de atingir 1 ano desde a sua paragem e ainda não há sinais de que o seu regresso esteja para breve (não foi inscrito na Liga Europa), parecendo irrealista contar com o regresso de Battaglia para solucionar todos estes problemas.

Battaglia para quando? (Fonte: Record)

Na frente, o mercado trouxe alguma confusão ao jogo leonino. Basta ver que para as três posições do ataque, o Sporting pode contar com: Plata, Camacho, Jovane, Luiz Phellype, Vietto, Acuna e ainda Fernando, Bolasie e Jesé.

Se por um lado parece faltar um verdadeiro ponta-de-lança, por outro parece quase certo que a ideia passa mesmo por abdicar desse conceito e ter antes um trio bastante móvel na frente com dois extremos e um avançado centro.

Mas a grande dúvida na cabeça dos sportinguistas será: “Para quê Fernando?”.

O que será feito de Camacho, Plata e Jovane, jogadores jovens já com pouco tempo de jogo, quando se vai buscar um extremo de 20 anos, sem opção de compra, que não servia para o Shakhtar. Fará sentido apostar mais no brasileiro do que nos jogadores que pertencem aos quadros do clube de Alvalade? Camacho custou 5M€, para viver na sombra de Fernando?

E então Jovane, Plata e Camacho? (Fonte: Record)

Foi de todos os reforços, aquele que menos sentido terá feito aos adeptos do Sporting, uma vez que Bolasie e Jesé, entram na equipa numa ótica de reforços puros que procuram acrescentar, não só qualidade, mas também experiência às zonas de finalização da equipa de Alvalade.

 


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