Liga BPI 2025/2026 – breve análise

Margarida BartolomeuAbril 12, 20264min0

Liga BPI 2025/2026 – breve análise

Margarida BartolomeuAbril 12, 20264min0
Margarida Bartolomeu faz uma análise ao que se passou até aqui na Liga BPI 2025/2026, com o Benfica a ser o líder incontestável do campeonato

Chegado o mês de abril, e a escassas 3 jornadas do final da Liga BPI, talvez este seja um bom momento para fazer uma breve análise ao desempenho das várias equipas, bem como do nível competitivo da própria liga.

Numa época em que o número de equipas a disputar a Liga BPI foi reduzido para 10, alegando que tal redução iria melhorar a competitividade da liga, penso que todos os que acompanhamos os jogos da primeira divisão feminina podemos concordar com o seguinte – embora sim, talvez a liga se tenha tornado mais competitiva, a verdade é que essa competitividade não veio associada a um aumento de qualidade de jogo das várias equipas, mas sim a um decréscimo na qualidade do futebol praticado pelas equipas mais “dominantes” (Benfica, Sporting e Braga).

Após finda a 15ª jornada, o Benfica apresenta-se, mais uma vez, com uma diferença pontual confortável, e que faz antever mais uma conquista do campeonato, tornando-se hexacampeão. Contudo, a equipa parece algo desencontrada, com exibições pouco intensas e apelativas, e sem o poderio ofensivo que sempre a caracterizou. Por exemplo, Cristina Martín Prieto tem sido uma jogadora muito menos influente esta época, contrariamente ao que seria esperado, e a melhor marcadora da equipa é Carole Costa, defesa central, com 8 golos.

Por outro lado, o Sporting, eterno candidato (não conquista o campeonato desde a época 2017/2018), pratica um futebol cada vez menos apelativo, lento, previsível, onde cada vez se torna mais difícil identificar princípios de jogo e dinâmicas coletivas que evidenciem um “trabalho de casa” bem feito. A equipa conta já com 2 derrotas para o campeonato, sendo que nenhuma delas foi contra uma equipa com o objetivo definido de conquistar o campeonato (muito respeito pelo Torreense, mas a conquista do campeonato nunca foi, até agora, um objetivo assumido).

E, pegando no Torreense, a equipa sensação das últimas 2 épocas – equipa bem trabalhada, com processos muito bem definidos, onde se vê um enorme entrosamento e espírito coletivo. De longe, a equipa          que melhor futebol pratica na Liga BPI (pelo menos, na minha opinião), e uma das que ainda não atingiu o estatuto de “profissional”, na sua totalidade. Conquistou, desde 2024/2025, 3 troféus – Taça de Portugal, Supertaça, e Taça da Liga, demonstrando que “com pouco se faz muito”, encontrando-se atualmente num meritório 3º lugar do campeonato, seguida de perto pelo Valadares Gaia, outra equipa com um projeto com “pés e cabeça”, e um grande crescimento ao longo da época.

Em sentido contrário, e após (mais) um ano de grande investimento, o Sporting de Braga encontra-se talvez na sua pior fase em termos exibicionais, tendo caído para o 5º lugar da classificação, a apenas 1 ponto do Racing Power e do recém-promovido Vitória SC. Esta última equipa, contudo, e embora a apenas 3 pontos da zona de descida (zona de acesso ao playoff Liga BPI/II Divisão), apresenta um nível exibicional bastante interessante, dado que há apenas 1 ano se encontrava a disputar a II Divisão. Os seus processos estão muito bem implementados, e as jogadoras parecem saber exatamente como agir em cada momento do jogo, o que é demonstrativo do excelente trabalho realizado pela sua equipa técnica, dada a inexperiência nestas andanças mais “profissionalizadas”.

Em zona de descida encontram-se 3 equipas que acabam por não ser surpresa – o recém-promovido Rio Ave, que embora muito forte defensivamente a jogar em casa, apresenta várias lacunas a nível de dinâmica de jogo, sendo uma equipa muito à semelhança do seu treinador – física e agressiva, que joga na transição; o Marítimo, que tem apresentado sempre muita dificuldade nas últimas épocas, para se manter na primeira divisão; e o Damaiense, que está em zona de descida direta, e que acaba por não surpreender, dada toda a situação que envolveu a sua manutenção na Liga BPI em 2025/2026.

Em forma de conclusão, fico com a sensação de que este maior equilíbrio pontual acaba por iludir o adepto mais desatento – não é reflexo de uma evolução na qualidade das equipas ditas “pequenas”, mas sim o resultado da estagnação da Liga BPI, que deu origem a uma diminuição da qualidade do futebol praticado pelas equipas, não só as profissionais, como as semi-profissionais. Basta olharmos para a crescente incapacidade de retenção do maior talento nacional e internacional no nosso campeonato, que reflete um pouco a forma como a Liga é vista – como um trampolim para voos mais altos.


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