La Liga e as primeiras reflexões a fazer de um início atribulado

Bruno DiasOutubro 17, 20187min0
Com 8 jornadas decorridas, a “La Liga” apresenta-se como o campeonato europeu de topo mais equilibrado, nos dias que correm. Vamos tentar perceber porquê, e reflectir um pouco sobre os principais destaques destes primeiros 2 meses no futebol espanhol.

Após 8 jogos, o equilíbrio é a palavra-chave desta edição da La Liga. Já todas as equipas venceram…e já todas as equipas perderam, e apenas uma delas (o surpreendente líder Sevilla) conseguiu vencer mais de metade dos jogos em que participou para o campeonato. Sevilla esse que, apesar de liderar, conta apenas com 2 pontos de vantagem sobre o Deportivo Alavés, actual 6º classificado e uma das “sensações” do campeonato até ao momento. Registos que

Este equilíbrio na “balança do poder” de um futebol onde FC Barcelona e Real Madrid, normalmente, são reis e senhores, é justificado por vários factores. Desde logo, o início pouco fulgurante de “culés” e “merengues” (ambas as formações perderam já pontos em 4 jogos distintos), que outras crónicas equipas dos lugares cimeiros da tabela não souberam aproveitar (com destaque óbvio e claro para o Atlético, mas também para o Valencia, por exemplo, cujo início de campeonato tem sido, no mínimo, peculiar). Para além disso, é notória a forma como o nível médio da La Liga continua a subir, com equipas como o já referido Alavés, o Espanyol, o Athletic ou o Leganés a conseguirem “bater o pé” aos colossos neste início de temporada.

Muito estatuto, pouco futebol

Não tem sido propriamente fácil este início de temporada para Barcelona e Real Madrid. Tanto os catalães como a equipa de Madrid venceram apenas metade (4) dos jogos da liga, estão ambos a viver séries bastante negativas de resultados e a contestação, em ambos os casos, começa a crescer de tom.

Começando por Barcelona, a equipa liderada por Ernesto Valverde até iniciou bem o campeonato, com 4 vitórias em outras tantas jornadas. Parecia o continuar daquilo que foi a temporada passada, onde apenas perderam uma vez, na penúltima jornada e num encontro espectacular em Levante, que terminou com a vitória da equipa da casa por 5-4.

No entanto, os 4 jogos que se seguiram foram o completo oposto dos iniciais, e em nenhum deles a formação “blaugrana” conseguiu a vitória. 3 empates e uma derrota (no terreno do Leganés) retiraram ao Barcelona a liderança do campeonato e fazem agora soar os alarmes. A não-utilização de Malcom – extremo brasileiro de enorme talento contratado no Verão -, a fraca qualidade de jogo demonstrada pela equipa e a forma paupérrima em que pilares da equipa como Gerard Piqué ou Luis Suárez se têm apresentado neste início de época fazem com que Valverde já tenha sentido o seu lugar mais seguro em Camp Nou.

O caso do Real Madrid poderia, de resto, ser contado seguindo, sensivelmente, as mesmas linhas orientadoras. Também os “merengues” iniciaram bem o campeonato (com 4 vitórias e um empate nos primeiros 5 jogos) e também eles desabaram nas 3 jornadas seguintes, com duas derrotas e apenas um embate, conseguido em casa frente ao eterno rival Atlético. De destacar a derrota frente ao Sevilla, especialmente dura pela forma como o Real foi totalmente dominado, do início ao fim da partida.

Julen Lopetegui não convenceu uma parte substancial dos adeptos madrilenos desde o primeiro dia, e as prestações recentes só têm feito elevar o tom da contestação. A saída de Cristiano Ronaldo deixou um enorme vazio no ataque e feriu de forma significativa a capacidade goleadora de um Real Madrid que, sem ele, esta época já ficou em branco em 4 dos 11 jogos que disputou esta temporada, sendo que não marcam um único golo para a liga há 3 jornadas consecutivas.

Nem Messi conseguiu evitar os recentes resultados negativos do Barcelona (Foto: www.sports.yahoo.com)

Liderança com um tom sevilhano

A liderança do campeonato mora mesmo em Sevilha, onde o Sevilla arrancou a temporada em grande forma. O início até foi titubeante, com apenas 4 pontos em 4 jogos e uma derrota no grande dérbi da cidade contra os rivais Betis. Mas à 5ª jornada, os comandados de Pablo Machín “explodiram” no terreno do Levante, com uma goleada por 2-6, e desde aí venceram os 3 jogos realizados para a liga, incluindo a já referida vitória por 3-0 frente ao Real Madrid, numa tremenda exibição e demonstração de força dos sevilhanos, que poderiam até ter elevado o resultado para números históricos e humilhantes.

aqui falamos da qualidade deste “novo” Sevilla, e as primeiras 8 jornadas da La Liga parecem confirmar aquilo que se augurava. Para tal, muito têm contribuído duas das principais figuras da equipa e, até ao momento, da própria liga: o português André Silva, que se reencontrou com a sua qualidade em Espanha e que leva já 7 golos apontados (sendo apenas superado pelos 8 do uruguaio Stuani, do Girona), e o espanhol Pablo Sarabia, que tem sido provavelmente o melhor jogador da competição até ao momento. Um autêntico “dínamo”, capaz de render a um nível altíssimo em várias posições e que consegue impactar de forma decisiva o rendimento da sua equipa em vários momentos do jogo.

Pablo Sarabia tem sido a “estrela” da liga até ao momento (Foto: www.skysports.com)

As desilusões

Não há como fugir, aqui, à campanha do Villarreal nestas primeiras 8 jornadas. Apenas duas vitórias (curiosamente, ambas fora de portas), 8 pontos e um frustrante 16º lugar, para as normais aspirações de uma equipa que se habituou, nas últimas temporadas, a estar frequentemente presente nos lugares de acesso às competições europeias, e que esta época, apesar das saídas de duas peças importantíssimas (Samuel Castillejo e Rodri Hernández), se reforçou de forma convicta e objectiva.

Mas ainda mais desapontante é o registo do Valencia nesta temporada. Depois de um excelente trabalho na temporada passada (4º lugar e respectiva qualificação para a UEFA Champions League, com 73 pontos, a apenas 3 do Real Madrid), a equipa comandada por Marcelino Toral iniciou a época com um registo que tem tanto de peculiar como de horrendo. Em 8 jornadas da liga, o Valencia venceu um jogo (em casa da Real Sociedad), perdeu outro (no terreno do Espanyol) e…empatou todos os restantes. De resto, nos 10 jogos realizados até agora, entre a La Liga e a Champions, o Valencia só venceu mesmo o jogo em Anoeta, tendo apontado apenas 6 golos. Um registo francamente insuficiente, e que terá de ser urgentemente melhorado, sob pena da época poder assumir, rapidamente, contornos de um grande fracasso e desilusão.

Um início entusiasmante, e que poucos poderiam prever, marca definitivamente os 2 meses iniciais da La Liga. Se as restantes 30 jornadas seguirem o mesmo caminho de imprevisibilidade e emoção, estaremos perante a liga mais atractiva das últimas temporadas e, por isso, estaremos também perante uma liga de acompanhamento obrigatório.

Com apenas 6 golos marcados, o ataque do Valencia é um dos piores da liga até agora (Foto: www.marca.com)

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