O que esperar deste novo Arsenal, taticamente?

João NegreiraJulho 15, 20187min0

O que esperar deste novo Arsenal, taticamente?

João NegreiraJulho 15, 20187min0
Num artigo que expõe a mudança no comando técnico, procurámos ir mais além neste novo Arsenal e focar-nos naquilo que pensamos que Unai Emery nos pode trazer, a nível tático.

Tendo em conta que Arsène Wenger esteve no clube por 22 épocas, é natural que surjam algumas mudanças na equipa a nível tático, seja no sistema, na mentalidade, nas estratégias ou na maneira como vão encarar os jogos.

Posto isto, de referir que o artigo será para apresentar-mos aquela que pensamos que será a melhor maneira de jogar, tirando o máximo proveito do plantel que têm.

O Fim de uma Era

É um passar de testemunho. É uma nova Era que nasce em Londres. O eterno timoneiro francês, Arsène Wenger deixou o clube após 22 anos de ligação aos gunners. Já há várias épocas contestado pela falta de títulos, a gota de água para os responsáveis do clube deu-se esta época com um mero 6º lugar, falhando, pela 2ª temporada consecutiva, a entrada na Liga dos Campeões.

Quer se queira, quer não, Wenger deu muito ao clube; talvez não tanto aos olhos do grande público, mas deu. A nível de palmarés, ganhou 3 Campeonatos, 7 Taças da Liga e 7 Supertaças. Em 22 anos, pode parecer pouco, mas há que referir que elevou o clube a um patamar bem elevado, lapidou jogadores como poucos e manteve-se sempre fiel ao clube.

Wenger é uma figura indubitável do Arsenal. Pode ter sido mal-amado durante muito tempo, mas há que lhe reconhecer o valor. E os responsáveis londrinos reconheciam-no… até certo ponto. Até ao ponto de acharem que estava na altura de fazer mudanças no clube. O clube está a ir num certo rumo e há que mudá-lo.

E é mesmo disso que trata o artigo: o que podemos esperar deste novo Arsenal. Com Unai Emery no comando da equipa, que sistema tático irá utilizar e como irá jogar?

Arsène Wenger disse adeus no final da época transata. (Foto: DNA India)

O que podemos esperar deste Arsenal

Unai Emery já veio afirmar que quer que a sua equipa seja sempre protagonista, que seja uma equipa confortável com bola e, sem bola, muito pressionante na busca pela mesma.

Estes deverão ser os princípios básicos do Arsenal, na temporada que se aproxima. E mencionar, desde já, que, apesar de no primeiro teste da pré-época contra o Boreham Wood – onde golearam por 8-0 – a equipa não ter aparentado jogar no sistema tático que vamos apresentar, vamos mantê-lo, pois é com esse sistema que pensamos que a Emery conseguirá tirar melhor proveito do plantel que tem.

De referir também que já chegaram alguns reforços importantes, mas que será difícil para qualquer um deles entrar já no onze inicial. Dos que chegaram, apenas Sokratis terá mais facilidade em garantir já um lugar – Mertesacker reformou-se e Koscielny está lesionado até ao final deste ano – mas mencionar que Lichtsteiner mostra-se uma excelente opção para o corredor direito, assim como Leno para a baliza, preparando uma possível reforma de Cech no próximo ano.

Chegaram mais 2 homens para o meio-campo, para colmatar as saídas de Cazorla e Wilshere. Torreira, que chegou por 30 milhões de euros, pode ser uma opção muito viável para o meio-campo, tendo já dado provas nas duas últimas épocas na Sampdoria, e Guendouzi que, com 19 anos, a transferir-se do Lorient, chega como jovem promessa, para ir tentando ganhar o seu espaço.

Posto isto e, apesar de termos em conta que podem entrar e sair mais jogadores, pensamos que Emery será mais bem sucedido se colocar a equipa a atuar num 343. Wenger já tinha colocado o Arsenal a jogar num sistema de 3 centrais, no ano passado, assim como outras equipas, mas voltou ao sistema mais habitual, o 4231.

Reiterar que a escolha recai neste sistema, não apenas por uma questão de profundidade no plantel em certos setores, mas sim por conseguir retirar o melhor de praticamente todos os elementos.

Em traços gerais, o Arsenal é uma equipa ganhadora, que quer lutar por títulos, que quer ganhar todos os jogos e Emery já admitiu isso mesmo e por isso, pensamos que jogarão num bloco alto, a pressionar bastante o adversário, sendo que preferirão passar mais tempo com bola, do que sem ela, tendo que ser, por isso, muito eficazes, primeiramente, na reação à perda e, depois, na recuperação dela.

Seguidamente, como já referido vão querer ter a bola e irão optar por um jogo de posse, com a bola a rolar pelo chão, tendo também muitos elementos que assim o preferem. A qualidade do passe e a visão de jogo dos homens do meio-campo serão por isso fundamentais.

Aludir para o facto de jogarem com 3 homens na frente que podem ser muito móveis e, para além de poderem trocar entre si, conseguem deambular pela frente de ataque e baralhar as defesas adversárias.

Quanto ao sistema em si e a como a equipa se irá adaptar consoante os momentos do jogo: em organização defensiva, os alas baixam e criam uma linha de 5 defesas, juntando-se aos centrais, mas terão a grande missão de fazer o corredor todo da equipa, sendo também fundamentais no ataque. Desses 3 centrais, poderá haver algum que pode jogar mais descaído para trás, quase como libero – já que a equipa vai estar sempre muito subida e ele será importante nas transições defensivas – e os outros irão encarregar-se das marcações, se a situação de jogo assim o necessitar.

Em organização ofensiva, certamente, que haverá 1 ou até 2 deles que se destaquem com a bola no pé e sairão a jogar com ela.

No meio-campo, falamos de 2 jogadores que, na nossa opinião, funcionarão melhor, como um duplo pivot. Tanto defensiva, como ofensivamente, um irá cobrir o outro, dependendo do lado da bola.

Não obstante, serão sempre 2 homens que terão um grande à vontade com bola e que tanto ajudarão numa primeira fase de construção, como também podem ajudar na concretização de ataques.

Na frente de ataque temos 3 jogadores que serão muito importantes na manobra ofensiva da equipa. Os 2 médios-ofensivos, irão ser os principais artistas, aqueles que tanto podem dar profundidade à equipa, como ajudar o ponta de lança ou os médios-centro, como combinar entre si.

Aqui, deverá existir alguma liberdade já que aqueles que ali jogam, serão quase sempre jogadores que pensam muito bem o jogo e que saberão quase sempre o que fazer com e sem bola.

Para o ponta de lança cabe a tarefa de ajudar estes 2 homens nas suas obrigações, mas também de estar lá para marcar. Num sistema onde todas as posições estão bem ligadas, um avançado que tanto consiga dar profundidade, como saiba receber a bola de costas para a baliza e combinar com outros, é crucial, conseguindo fazer de tudo um pouco.

Este será o onze ideal do Arsenal. (Foto: BuildLineUp)

Quanto ao próprio plantel do Arsenal, de referir que a profundidade que têm é excelente para um campeonato como a Premier League. Tendo em conta as suas aspirações tanto a nível interno como externo, há que saber utilizar bem os jogadores que têm.

Mencionar também que, para além dos jogadores que apresentámos na imagem acima, Lacazette, Welbeck, Elneny ou Torreira são jogadores que podem muito bem entrar neste onze, devido à sua qualidade.

Fica, então, apresentada a maneira que pensamos que será melhor para o Arsenal atuar, neste início de uma nova Era.

 

Reiteramos que esta é apenas uma ideia de jogo, onde faltarão alguns pormenores e várias nuances, onde não queremos impor nada a ninguém, apenas expor uma ideia, com Fair Play.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter