A montanha-russa de Daniel Farke com o Norwich

Pedro SousaMaio 9, 20213min0

A montanha-russa de Daniel Farke com o Norwich

Pedro SousaMaio 9, 20213min0
Daniel Farke trouxe o Norwich de volta à Premier League, num percurso raro no futebol. O Pedro Sousa do Bola na Relva conta-nos tudo!

Pedro Sousa é autor do projeto Bola na Relva e colaborador do Fair Play!


O Championship ainda não terminou, mas já há uma certeza: o Norwich está de regresso à Premier League. Os canários desceram na temporada passada, mas Daniel Farke conseguiu retomar ao principal escalão do futebol inglês.

O mais curioso nesta história de sucesso é que o treinador alemão desceu de divisão, manteve-se para esta época e voltou a subir. Subiu com o título de campeão da segunda divisão. Feito que repetiu em 2018/2019. Agora uma questão: Isso podia acontecer em Portugal?

O sobe e desce sempre com os trunfos na mão

Daniel Farke assumiu o comando técnico do Norwich City em 2017/2018, depois de ter passado pela liderança da formação B do Borussia Dortmund. O treinador de 44 anos foi convidado a assumir a formação inglesa e na primeira época terminou no 14º lugar do Championship. Uma prestação que acabou por não ser boa. Contudo, havia confiança no projeto de Farke e no ano seguinte colheram os primeiros frutos.

Numa época (quase) irrepreensível, os canários agarraram uma vaga na Premier League, como campeões da segunda divisão. Com figuras como Teemu Pukki, Emiliano Buéndia, Todd Cantwell, entre outros, o emblema do leste de Inglaterra destacou-se e não deu hipóteses à concorrência. A confiança dada a Farke estava a dar resultado.
Eis que chegou a primeira experiência de Daniel Farke na Premier League.

O Norwich sagrou-se campeão e regressa à Premier League (Foto: Eurosport)

O início até perspetivava boas sensações, mas a equipa nunca se afirmou e terminou a temporada no último lugar, com dez derrotas consecutivas. Foi uma época atípica e muito aquém das previsões. No entanto, Daniel Farke continuou no comando técnico dos canários e, mais uma vez, a confiança foi recompensada com sucesso.

Esta temporada, os canários garantiram a subida de divisão e também de forma inequívoca. A palavra chave para este trabalho de Farke é confiança. As coisas abanam, mas nada belisca a posição do alemão. Agora, na segunda experiência na Premier League, Daniel Farke vai ter de comprovar o que fez no Championship e tentar permanecer na liga mais vista do mundo.

Emiliano Buendia é uma das caras desta equipa (Foto: Football League World)

E em Portugal? Isto podia acontecer?

Penso que a resposta é fácil: NÃO. Este “não”, escrito em caixa alta, serve para expressar bem a impossibilidade da “história Farke” acontecer no nosso futebol profissional.

Pego no exemplo do Nacional. Luís Freire subiu de divisão (de forma meritória), mas não aguentou a pressão dos maus resultados esta época. Um caso entre muitos que já tivemos esta época. A facilidade com que se despede um treinador é assustadora. Não há confiança nos treinadores.

Depois, há quem venha com a conversa dos “projetos”. Ao contrário do que aconteceu com Daniel Farke, é irrisório quando os presidentes dos clubes portugueses, na altura de anunciarem um treinador, falam dos ditos “projetos”. Os treinadores são os primeiros a cair e há quem seja despedido após estar a fazer uma boa época.

Portanto, mais uma pergunta. Os “projetos” das equipas são baseados em quê? São assim tão frágeis desde o início que tombam logo à primeira fragilidade?


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter