25 Jun, 2018

Gigante adormecido ou morto: Newcastle, O Norte Esquecido

João NegreiraDezembro 11, 20177min0

Gigante adormecido ou morto: Newcastle, O Norte Esquecido

João NegreiraDezembro 11, 20177min0
O histórico britânico, Newcastle, está de volta à Premier League este ano, depois da sua 4ª descida de divisão. O Fair Play analisa, aquilo que tem sido a sua época até agora.

O Fair Play, com este segundo episódio, inicia uma série de artigos, onde analisa um gigante que tem estado fora da órbita dos títulos. Convida-mo-lo, ainda a dar ideias de mais equipas para analisar.

Com 4 Premier Leagues‘s arrecadadas podemos considerar os magpies um clube respeitado em Inglaterra, já que são poucos aqueles que se podem orgulhar disso. Mas não só, nomes como Alan Shearer, Shay Given ou Andy Carrol por lá passaram e deixaram a sua marca, colocando o clube noutros patamares. No entanto, a maior parte dos campeonatos conquistados ocorreram no início do século passado e desde aí o Newcastle, andou quase que a vaguear pela Premier. O pior cenário possível viu-se já neste século com 2 despromoções tanto humilhantes como surpreendentes.

O seu lugar é na Premier League.

É triste ver um clube como o The Toon a ser relegado para o ChampionshipQuem se lembra do filme “Golo!” onde a personagem principal vai viver para Newcastle e nos apresenta a cidade e os seus adeptos? E quando o filme nos mostra imagens fantásticas do St. James Park, casa do Newcastle desde a sua fundação?; é de se apaixonar e de ficar com uma boa recordação do clube. Mesmo quem não conhece fica com a sensação de que a cidade e, consecutivamente, os seus habitantes, vivem para o futebol e apoiam a equipa ao máximo; quem conhece, fica ainda mais apaixonado por esta bela arte que é o futebol, podendo apreciar o quão boa é a atmosfera vivida em Newcastle.

Parece quase que injusto e irreal, vermos um clube com um palmarés nacional e massa associativa (são 52 000 lugares a encherem-se todas as semanas) tão invejável, a descer de divisão. Mas o futebol é assim e é isso que o torna tão especial e entusiasmante. Seguindo para a situação dos magpies, é de realçar que passava-se o ano de 2008 quando Mike Ashley, presidente do clube, decidiu colocar o clube à venda. O fator a retirar daqui é o facto de na época 2008/2009, o Newcastle desceu de divisão, acusando, provavelmente, alguns problemas de má gestão. A antiga glória, Shearer ainda tentou dar a volta, mas já foi tarde. Depois da despromoção Ashley volta a colocar o clube à venda, mas mais uma vez sem resposta, retira a proposta.

Apesar de alguns problemas na direção do clube, há que saber distinguir as coisas. O plantel e o seu treinador têm que saber focar-se no seu trabalho, abstraindo-se daquilo que pode atrapalhá-los. Por isso, é imperial que o clube (direção em conjunto com plantel) faça todos os possíveis para que o clube se estabilize na Premier, sendo que é ali que o mesmo faz parte.

Corajoso, Rafa!

Depois de ter entrado já com a época bem avançada em 2015/2016, Rafael Benítez não conseguiu evitar a despromoção. Na altura os rumores de que o espanhol iria deixar o clube eram imensos, mas o mesmo decidiu ficar e aceitar o desafio. Se para um clube como o Newcastle é difícil jogar no Championship, imaginem para Rafa Benítez que na temporada anterior tinha comandado o poderosíssimo Real Madrid; não só por uma questão de salários e de motivação própria, mas também da imagem que passa. O técnico ficou “escondido dos holofotes” durante uma época e, apesar de à primeira vista podermos achar que é mau, o espanhol deu a volta por cima e trouxe o clube de volta à Premier, fazendo, aquilo que parecia ser uma história triste e desagradável, numa história de superação e conquista.

A acrescentar dificuldade a esta tarefa estavam, como já foi referido, as dificuldades internas na direção. E a solução por nós apresentada foi realizada por Benítez. Com a sua experiência, conseguiu manter alguns dos melhores jogadores e convencê-los de que poderiam fazer algo mais pelo clube, conseguiu afastá-los dos problemas do presidente e assim, terminou a temporada 2016/2017 no 1º lugar do Championship com 1 ponto de vantagem para o 2º e 9 para o 3º e com 85 golos marcados.

Rafa Benítez foi corajoso ao não largar a equipa após a despromoção. [Foto zerozero]

Podia ser pior, mas também podia ser muito melhor

1 época. Foi o tempo que o Newcastle United ficou fora da Premier (interessante que na última despromoção foi igual). Já a disputar a “melhor liga do mundo”, os magpies, apesar de terem que lutar por mais, devem fazer por não descer e assegurar o mais rápido possível a manutenção (Rafa já admitiu que o objeivo são os 40 pontos). Depois de assegurarem-na, poderão começar a pensar, já para a época seguinte, objetivos mais arriscados e ousados, com jogadores de maior qualidade. A questão aqui é a base do artigo: é um gigante, de quem não se espera que desça de divisão e que lute por algo mais que a manutenção, por isso as expectativas já tão arrojadas.

Contudo, a teoria é quase sempre mais fácil que a prática e os objetivos pensados primeiramente, nem sempre se conseguem realizar. Isto porque o Newcastle está muito perto da linha de água, apenas a 2 pontos. De mencionar que já não ganham há 7 jogos estando aquém das expectativas. Não se esperava que a turma de Newcastle estivesse nos lugares cimeiros, a lutar pelo título, mas também não se esperava que estivesse quase nos 3 últimos e numa forma tão vergonhosa; assim, só podemos concluir que pior ainda pode ser, mas também pode ser muito melhor.

Da temporada passada para cá, houve algumas mudanças. Algumas peças fundamentais do título da época passada saíram, mas também entraram alguns jogadores que já mostraram ser capazes de substituir os outros, mas não todos. Não obstante, o Newcastle parece pecar na concentração, especialmente em momentos defensivos, sendo que, mais recentemente, têm tido a dificuldade de segurar um bom resultado, já que nos últimos 2 jogos começaram a ganhar, mas acabaram a perder; talvez pela juventude apresentada, onde existem muitos jogadores sub-23. De mencionar que o principal problema do Newcastle, não será a defesa, mas sim o ataque, já que os apenas 16 golos não estão a ser suficientes para o sucesso do clube; os melhores marcadores (2) têm 3 golos marcados.

A variar num 442 para um 4231, os magpies não conseguem ter um poderio ofensivo que lhes garanta uma vantagem sólida e lhes assegure resultados; entre os 5 melhores marcadores, 2 são defesas centrais, provando a falta de criatividade ofensiva. Nem uma defesa segura e experiente o suficiente para se aguentar numa liga tão forte como a Premier.

O Newcastle tem estado em baixo de forma. [Foto: Chronicle Live]
Em suma, há que referir que, por agora, o Newcastle não tem estado à altura da Premier League, mas tem algumas opções para conseguir manter-se lá; um treinador experiente e capacitado para superar este tipo de situações e uma massa associativa capaz de voltar a levar o clube para o topo. Há que apelar ao sentimento e à dita “raça” para que os jogadores percebam que o Newcastle United é um histórico inglês e que apesar de poder estar um tempo adormecido lá no norte do país, nunca pode morrer.


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