Gigante adormecido ou morto: Nottingham Forest, a Floresta Esquecida

João NegreiraMarço 1, 20185min0

Gigante adormecido ou morto: Nottingham Forest, a Floresta Esquecida

João NegreiraMarço 1, 20185min0
O Nottingham Forest é um nome incontornável na história do futebol europeu, apesar de estar fora da ribalta há largos anos .O Fair Play analisa o porquê de ser considerado um histórico e o seu momento atual.

A rubrica volta a Inglaterra para recordar outro gigante. Com a promessa de nos expandirmos para outros voos, convidamos o leitor a sugerir mais nomes para novos artigos. A pergunta que se coloca é a habitual: Estará o gigante, adormecido ou morto?

O Nottingham Forest é o único clube que ganhou o título da Taça dos Campeões Europeus, a par do Aston Villa, e está em divisões inferiores. Depois de um passado glorioso com Brian Clough, não se tem visto pela ribalta. Por isso, apesar da má forma num passado recente, pode ser considerado um histórico.

O sucesso europeu

Com mais de 150 anos de história, os The Reds são parte importante da história futebolística britânica. E apesar de terem apenas um campeonato inglês no seu palmarés, o bicampeonato europeu não pode passar despercebido, deve até ser algo de realce para descrever o clube.

Assim, há que referir o nome de Brian Clough. O homem que colocou o nome deste clube entre os maiores do mundo, que escreveu história, que faz-nos estar a escrever este artigo. Antes de seguirmos para a glória europeia, mencionar o seu único campeonato inglês, conquistado em 1977/1978, também orientados pelo timoneiro britânico.

Este é também um feito histórico, pois dá-se um ano após a subida da equipa à Primeira Divisão inglesa, algo alcançado por poucos. Nos dois anos seguintes, dão-se os êxitos europeus. Com o inigualável Clough ao leme, o Nottingham Forest fez história com duas vitórias pela margem mínima.

Apenas 5 equipas inglesas ganharam a Champions League e apenas 3 ganharam mais que uma vez. Os Tricky Trees fazem parte desse conjunto de clubes, juntando-se a Liverpool e Manchester United. Este feito raro, torna o clube em algo maior do que é no presente, sendo que o esperado é voltar a ver o clube na ribalta.

A década de 70 é memorável para o Reino Unido a nível internacional, tendo em conta que de 76/77 a 81/82, a Liga dos Campeões só foi ganha por clubes da Terra de Sua Majestade.

 

Brian Clough com a Taça dos Campeões Europeus. (Foto: vice.com)

A era pós-Clough

Depois da conquista europeia, Clough ficou ainda mais 13 anos no comando do Nottingham mas não mais voltou à glória, tendo sido até despedido no ano em que não impediu a despromoção. O treinador inglês, para além dos títulos já referidos, somou também 4 Taças da Liga. Daí até ao presente, o clube ganhou apenas uma Taça de Inglaterra.

De referir que a lealdade de Clough foi rara nos anos que se seguiram. Pois nenhum treinador conseguiu ficar mais tempo no clube como ele. Ora, em 1999, em 2011 e em 2017 o clube teve 4 treinadores. As mudanças de treinador podem demonstrar a falta de prudência na escolha dele e de falta de concordância entre a direção e o mesmo. O que nos pode levar a afirmar que algo se passa com os responsáveis pelo Forest.

Os treinadores são fundamentais no sucesso de uma equipa e estas transições em nada ajudam no crescimento e maturidade da mesma. É a partir daqui que tiramos uma conclusão e fazemos o ponto de ligação para o próximo tópico, isto é, o atual e futuro Nottingham Forest tem que assumir que quer voltar ao que Clough nos habituou e para isso tem que ter uma estratégia diferente.

O Nottingham Forest de hoje em dia…

O Nottingham de hoje em dia está completamente consolidado no Championship, mas não almeja mais do que isso. A última vez que esteve no principal escalão inglês foi na temporada 98/99 e poucas foram as vezes que de lá esteve perto. Chegou até a descer para o 3º escalão inglês em 2004/2005, voltando depois em 2008/2009.

Referir que esta temporada não está a ser de feição ao Forest, sendo que encontram-se no 15º lugar na tabela. Neste momento estão a 7 pontos do 14º e apenas com 1 a mais do que o 16º. A jogar num 4231, equipa não parece faltar-lhe golos, parece sim sofrer mais do que devia. Em comparação com outros, o seu ataque até que está a acompanhar a carburação dos outros, mas a defesa não parece aguentar-se e acaba por descompensar os golos marcados.

Aludir para o facto de que é o antigo adjunto de Mourinho, Aitor Karanka, que está no comando dos Tricky Trees desde o início do ano, sendo que em 9 jogos, perdeu 5, empatou 2 e ganhou outros 2. A pergunta que se coloca é, será um treinador inexperiente na principal função, o homem certo para comandar o Forest para a subida?

E não poderíamos deixar de realçar que Tobias Figueiredo representa as cores do clube da Floresta até junho. O defesa central foi emprestado pelo Sporting neste último defeso, com opção de compra e resta ao português de 24 anos provar ao timoneiro espanhol e aos responsáveis ingleses aquilo que não provou aos portugueses. De mencionar que jogador já realizou 3 jogos em Inglaterra.

Tobias Figueiredo está emprestado até ao final da época pelo Sporting. (Foto: Jornal do Luxemburgo)

O Nottingham Forest deixou-nos com água na boca depois da glória europeia quando o mágico Clough, que é a personagem principal desta odisseia que é a história do clube, espantou a Europa. Ora, o clube é um dos mais antigos no Reino Unido, faz parte de um lote europeu restrito, mas há muito que não habita no principal escalão inglês. Terá sido este, um caso singular?

Será que, como o clube foi apenas bem sucedido com Clough, estará morto e, por isso não irá acordar?


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