O futebol “Heavy Metal” de Jürgen Klopp

Pedro SousaAgosto 13, 20185min0

O futebol “Heavy Metal” de Jürgen Klopp

Pedro SousaAgosto 13, 20185min0
Jürgen Klopp chegou à Final da Champions com o "seu" Borussia e com o Liverpool. Mas o que liga estas duas equipas? O estilo do alemão mantém-se?

Pedro Sousa é autor do projeto Bola na Relva e colaborador do Fair Play!


Jürgen Klopp levou duas equipas diferentes à final da Liga dos Campeões. O futebol “agressivo” ofensivamente, sempre em alta rotação, permitiu ao treinador alemão ter sucesso em duas equipas de países diferentes. Mas nem tudo começou bem. Para chegar ao topo do futebol, Klopp teve de construir equipas do zero.

O renascimento do Dortmund e o aparecimento de Klopp

O Borussia de Dortmund, no ano em que chegou Jürgen Klopp, tentava recuperar o crédito que perdera nos anos anteriores. Nesse ano, a equipa alemã reerguia-se após uma dívida que chegou a ser de 170 milhões de euros. O treinador, que nasceu em Estugarda, chegou do Mainz 05. Obrigado a suster nas despesas, o homem que assumiu o leme da equipa de Dortmund, desde cedo, implantou a sua filosofia. Um futebol virado para a frente, muito vertiginoso e com jogadores em constantes desmarcações. Este foi o futebol que Klopp exibiu no relvado do Signal Iduna Park.

O auge foi na época 2012/2013. A chegada à final da Liga dos Campeões foi o culminar de muitos anos a construir e a aperfeiçoar o seu futebol. Sempre a investir bem e barato, “Kloppo” construiu a melhor equipa do Dortmund nos últimos anos. Esta nova forma de jogar, já tinha valido dois títulos de campeão alemão, mas a chegada a Wembley foi o maior feito do germânico. Nessa caminhada até Wembley, o “triller” frente ao Málaga – só garantiram o apuramento com uma reviravolta nos descontos da segunda mão da eliminatória – foi o jogo mais emocionante da caminhada.

Mas a partida que toda a gente se lembra, reverte-nos para a meia final frente ao Real Madrid. Todos os prognósticos apontavam para a equipa madrilena em Wembley, mas Jürgen e Lewandoski tiveram planos bem diferentes. Quatro golos do avançado polaco na primeira mão, garantiram o apuramento do Dortmund para a final.

Com 2 campeonatos e uma Final da Champions, Klopp foi feliz em Dortmund (Foto: 101 Great Goals)

Aqui, Jürgen Klopp tinha sua equipa bem oleada. Com extremos rápidos e procurando muitas vezes o jogo interior, laterais bastantes ofensivos e que defendiam bem, médios a chegarem à frente e com muita qualidade de passe, deixava esta equipa muito difícil de parar. Os centrais davam garantias a Klopp e Lewandoski era o goleador da equipa.

Mas o sucesso tem sempre o lado reverso da moeda. Com o dinheiro, principalmente do Bayern, levou ao desmoronamento da equipa. Com isto, o treinador alemão disse, quando anunciou a sua saída, que não era mais a pessoa indicada para treinar o Dortmund. O fim de um casamento fantástico terminou em 2015.

Klopp chega a Anfield e impulsiona os reds

Brendan Rodgers era um treinador em descrédito em Anfield. Foi despedido em 2015, ainda a época estava em outubro. Os reds não perderam tempo e conseguiram convencer Jürgen Klopp a pegar na formação de Anfield. O início não foi fácil, mas nessa época, o alemão levou os reds à final da Liga Europa. Sucumbiu perante um Sevilla mais forte. Aí, Klopp teve de abandonar umas das suas filosofias e passar a investir forte no mercado para construir uma equipa ao seu estilo.

Depois de falhar o apuramento para as competições europeias, os donos de Anfield deram alguns jogadores que o alemão pretendia. Na temporada seguinte, 2016/2017, chegou ao quarto lugar e colocou de novo a equipa da cidade dos The Beatles na Liga dos Campeões. Com mais uns ajustes no plantel, a chegada de Salah acabou por ser crucial para o que veio a seguir.

A intensidade do alemão já se fez sentir na cidade dos Beatles (Foto: Sports Illustrated)

O antigo treinador do Borussia de Dortmund colocou o seu futebol Heavy Metal à vista dos adeptos de Anfield. Salah, Firmino e Mané destruíram as defesas na Premier League e na Liga dos Campeões. Os 41 golos marcados na prova milionária comprovaram o futebol ofensivo dos homens de Klopp. As diferenças entre a equipa do Dortmund que levou a Wembley e a do Liverpool que levou a Kiev, não eram muitas. Extremos a jogarem por dentro, laterais ofensivos, contudo, haviam duas nuances diferentes. O ponta de lança, Roberto Firmino desceu mais vezes em apoio do que Lewandoski fazia em Dortmund e os médios do Liverpool são menos técnicos, mas mais “agressivos” e box-to-box do que o trio que jogou na Alemanha.

Foram mudanças que levaram tempo e precisaram de algum investimento do clube. Este ano, sendo a equipa que mais investiu na Premier League, os donos do Liverpool esperam que o título chegue a Merseyside em maio.


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