O que há para saber do arranque da pré-época do Sporting CP

José DuarteAgosto 24, 20204min1

O que há para saber do arranque da pré-época do Sporting CP

José DuarteAgosto 24, 20204min1
Os "leões" estão reunidos no Algarve e José Duarte analisou alguns detalhes do estágio de pré-época do Sporting CP. Os jogadores em análise e qual o foco do Rúben Amorim passam no nosso Raio-X

Já começou a época 2020/21, tendo o Sporting escolhido uma unidade hoteleira em Lagos para consolidar processos e integrar os novos elementos. Sejam eles recém-chegados ao clube – Adan, André Paulo, Porro, Fedal, Antunes, Pedro Gonçalves e Nuno Santos – sejam eles oriundos dos escalões de formação – Daniel Bragança, Mees de Wit e Geny Catamo – e que vivem agora o seu primeiro contacto com o plantel principal e especialmente com as ideias e os métodos de Rúben Amorim.

Não pode deixar de causar surpresa a ausência de Acuña, pelo que representa o seu estatuto de titular indiscutível (135 jogos desde que chegou em 2017) no clube que acumula com internacionalizações na sua selecção. Menos surpreendente, mas ainda assim a causar alguma estranheza, o afastamento de Palhinha e Battaglia, cujo valor permite olhar para eles como jogadores capazes de assumir a titularidade. Mais ou menos esperadas as omissões de Rosier, Illori, Eduardo, Matheus Oliveira e Pedro Mendes. Camacho espanta pelo valor investido, mas nem tanto assim tendo em conta os sinais deixados numa época a todos os titulos decepcionante. Menos espantosa será a possibilidade de a estes nomes se juntarem em breve Renan, Doumbia, Miguel Luís, Ristowski  ou outro sobre o qual mercado venha a revelar um apetite irrecusável.

Deve ser realçada uma mudança de atitude perante o mercado relativamente ao ano passado. Rúben Amorim terá desde o início da preparação da época praticamente a totalidade do plantel, ficando à espera das movimentações do mercado apenas para o remate final. Ao contrário do ano passado, cujas hesitações entre a saída e permanência de Bruno Fernandes acabaram por ditar a formação do grupo de trabalho, reduzindo as escolhas e, consequentemente, as possibilidades de êxito.

A chegada atempada de Adan, Porro, Fedal, Antunes, Pedro Gonçalves e Nuno Santos significa que em Alvalade se aprendeu com os erros. Mas, não menos importante do que isso, parece ter havido uma definição atempada do perfil pretendido para as aquisições que se espera venham também a representar reforços com entrada para a titularidade de um onze que o ano passado revelou muitas carências para uma equipa representativa de um dos grandes de Portugal. 

Convenhamos que este ano, face ao sucedido na época passada e até mesmo tendo em conta o momento particularmente negativo que se vai construindo à volta da equipa, a partida para a época far-se-à sob o signo de expectativas baixas. Longe parece (mas não vai…) o tempo em que de disputava ferozmente o campeonato das transferências bem como o da pré-epoca, que muitas vezes representaram os únicos títulos ganhos nas respectivas épocas. Talvez isso seja mais conveniente que as ambições desmedidas que a realidade tantas vezes não suportou. Os adeptos tendem a exigir discursos ambiciosos que, nas quase duas últimas épocas, depressa desabaram em profundas decepções, por via dessa ausência de escoramento.

Outro factor que poderá concorrer para melhor desempenho, e que sucede de forma também diferente da época transacta, é o que parece resultar de um envolvimento directo do treinador Rúben Amorim na definição dos alvos no mercado deste defeso. O ano passado Bolasie, Jesé e Fernando iam-se cruzar na porta de entrada com Keizer já de malas feitas. Tomando esta afirmação como certa, além do realce para a diligência e compromisso com que o Sporting atacou o mercado, o que é que parece saltar à vista das pretensões de Rúben Amorim

Claramente o reforço da dimensão física (Fedal (190cm) e Adan 192 cm), da experiência (Fedal, Adan, Antunes) que o grupo excessivamente jovem com que terminou 2019/20, e que pode ter concorrido para a perca do pódio com a meta à vista. E a fiabilidade de rendimento que Pedro Gonçalves e Nuno Santos representam. O primeiro foi uma das revelações do campeonato, na sua época de estreia, após duas épocas Premier League 2 (sub-23). A adaptação e conhecimento da Liga NOS são outras características que parecem ter agradado na escolha de Nuno Santos (93 jogos), outra das revelações da época, pelo elevado rendimento no Rio Ave, uma das equipas que deram nas vistas, a par do Famalicão de Pedro Gonçalves

Se o Sporting conseguir reproduzir no seu seio a estabilidade de que estes atletas beneficiaram para ocupar o centro das atenções certamente que os aproximará das condições de sucesso que tanto desejam e que parecem buscar nesta nova aposta das suas carreiras.


One comment

  • Manuel José Meneses de Azevedo

    Agosto 24, 2020 at 8:30 pm

    Nao percebo a insistência em colocar “achas” no lume quando se fala de Acuna, seguia para estágio e entrava onde no processo a elaborar por Rúben Amorim? Era aposta inicial em detrimento de outro jogador e depois ao fim de 1,2 semanas é colocado noutro clube, diriam o que? Falta de organização, 1,2 semanas atiradas fora!
    Palhinha outro caso que se quer alimentar, se é mais que adquirido que rejeitou o regresso ao grupo de trabalho, só tem de aguardar fora do grupo que rejeitou propostas que satisfaçam ambas as partes!
    Battaglia sentindo que não seria 1ª opção deve ter pedido para sair, normal a dispensa do estagio para tentar resolver o seu futuro.

    Apontaria como negativo á estrutura a falta de procura de rentabilizar/colocar/trocar os activos que são vistos como dispensáveis pelo mister Ruben Amorim, veja-se, Luis Phelipe, Matheus Oliveira, Eduardo, estes jogadores nao podem ser moeda de troca num negócio com 1 jogador avaliado em 12 a 15 milhões no mercado brasileiro?

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