Meu Querido Bombardeiro

Francisco da SilvaOutubro 13, 20185min0

Meu Querido Bombardeiro

Francisco da SilvaOutubro 13, 20185min0
Em mais um artigo da rubrica Futebol Popular, o Fair Play recorda alguns dos bombardeiros mais míticos do futebol nacional e que alegraram milhares de aficionados em Portugal.

José Barroso (SC Braga)

José Alberto da Mota Barroso é um nome excessivamente longo para se pronunciar enquanto se visualiza um pontapé livre deste mítico capitão do SC Braga. Formado nas escolas do clube minhoto, Barroso era dono de um dos remates mais temidos da década de 90 do futebol português. Apesar dos seus únicos títulos coletivos terem sido conquistados ao serviço do FC Porto, a notoriedade deste médio foi alcançada ao serviço do clube do seu coração.

Independentemente da zona do terreno, Barroso respirava profundamente, recuava longamente e, cuidado, que aí vai bomba! Ao longo de 11 temporadas ao serviço dos arsenalistas, o médio balançou as redes adversárias mais de 50 vezes, deixando inúmeros velocímetros completamente avariados aquando da passagem do seu potente remate.

Dinda (UD Leiria)

A farta cabeleira deste brasileiro é uma imagem de marca tão indissociável como o seu precioso tiro. Chegou a Portugal como um extremo rápido, resistente e goleador, no entanto, Jailton dos Santos, conhecido no mundo do futebol como “Dinda”, fixou-se como médio centro de qualidade nas passagens por Leiria e Funchal.

Ao serviço da União de Leiria e do Marítimo, Dinda mostrou os seus dotes técnicos e físicos, porém, o que mais impressionava e decidia encontros era a sua capacidade de fuzilar as balizas contrárias, independentemente da distância que separava a bola da linha de golo. Balanço extenso, meias a cobrir apenas o essencial da canela e, atenção, o sergipano está furioso e vai atirar a matar.

Erwin Sánchez (Boavista FC)

Este médio boliviano estará para sempre ligado à história futebolística da sua pátria pois marcou o primeiro e único golo da Bolívia em Mundiais até à data, contudo, o Erwin Sánchez será também recordado para a eternidade pelos adeptos boavisteiros como um dos melhores médios que já pisou o relvado do Estádio do Bessa. Apesar de ter chegado a Portugal pela mão do SL Benfica, o médio boliviano iria brilhar intensamente mais de uma década no norte do país ao serviço do Boavista FC, onde conquistou uma Taça de Portugal e se sagrou campeão nacional.

Ao futebol raçudo, intenso e duro, Sánchez juntava um pé direito bombardeiro capaz de decidir encontros. Para a memória ficarão os relatos de Jorge Perestrelo aos livres e golos de Erwin Sánchez com os célebres “Daí, Sánchez? Nem que o jacaré tussa” e “O que é que é isso ó meu? GOLO do Boavista”.

Heitor (CS Marítimo)

Heitor é quiçá o nome mais desconhecido desta lista, no entanto, é sem dúvida o nome mais mortífero desta seleção. Apesar de ser lateral direito, este paulista era um exímio executante de bolas paradas e com uma forma muito peculiar de as bater: parte exterior do pé. Ao longo da sua carreira foram mais de 100 tentos apontados, a grande maioria de livre direto mas também com alguns cantos olímpicos.

Em Portugal, passou primeiramente despercebido em Guimarães até brilhar de forma incandescente no Nacional e no Marítimo, onde marcou o primeiro golo dos maritimistas numa prova da UEFA. À peculiar técnica de remate, Heitor associava força e colocação, o que o tornava um dos jogadores mais temidos pelos guarda-redes do campeonato português. Campeão do mundo de sub-20 pelo Brasil, este lateral direito ainda é hoje recordado como um dos melhores jogadores estrangeiros a pisar a Madeira. Há quem diga que Cristiano Ronaldo, durante a sua infância, procurou imitar os livres de Heitor.

Monduone N’Kama (Vitória SC)

Indubitavelmente o nome mais exótico desta listagem, N’Kama fez parte de uma das melhores equipas do Vitória SC, onde pontificavam nomes como Ademir, Paulinho Cascavel ou N’Dinga. O avançado nascido no Zaire, atual República Democrática do Congo, era um jogador extremamente atlético, rápido, possante e muitas vezes utilizado como arma secreta dos técnicos vitorianos.

Viria a ficar famoso em Guimarães quer pelos seus lançamentos laterais, que mais se assemelhavam a cruzamentos, quer pelos seus portentosos livres. Desde que a bola estivesse para lá da linha de meio campo, N’Kama assumia a cobrança e aplicava um potente remate com a parte exterior do pé, nem o Castelo de Guimarães estava a salvo. O avançado africano só conseguiu ser feliz em Guimarães durante duas temporadas, onde marcou mais de uma dezena de golos e ainda hoje deixa saudade.

PS: Neste artigo quisemos homenagear jogadores que se notabilizaram ao serviço de clubes fora dos “Três Grandes”, assim se explica a ausência de nomes como Geraldão, Doriva, Isaías, Eusébio, Mokuna ou Ronny.


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