23 Mai, 2018

FC Alverca: O Elenco de Sonho em 1999/2000

Francisco da SilvaAgosto 27, 20176min0

FC Alverca: O Elenco de Sonho em 1999/2000

Francisco da SilvaAgosto 27, 20176min0
Recorde connosco o plantel do FC Alverca, um dos "pequenos" memoráveis do Futebol Português, que alcançou a melhor classificação de sempre do clube.

O Fair Play lança hoje uma nova rubrica denominada “Futebol Popular” que pretende recuperar factos, acontecimentos ou curiosidades que certamente deixam vários adeptos do Desporto Rei nostálgicos e com vontade de se revoltarem contra a ampulheta. No primeiro artigo desta rubrica, vamos recuperar o elenco do FC Alverca de 1999/2000 que incluía nomes como Ovchinnikov, Veríssimo, Kulkov, Rui Borges e Cajú.


O mundo do futebol é hoje um ponto em constante ebulição que não poupa jogadores, técnicos, dirigentes e clubes. Ao longo dos últimos 20 anos, diversos emblemas portugueses têm sido vítimas da globalização futebolística, quer pela desmedida ambição que os leva a enveredar por políticas financeiras irresponsáveis quer pela insustentabilidade institucional que não lhes permite renovar a comunidade de sócios, adeptos ou simpatizantes do clube. No cruzamento entre estes 2 paradigmas está o FC Alverca.

O emblema ribatejano fundado no final da década de 30 do Século XX, esteve durante 5 edições na primeira liga portuguesa, contudo, uma dívida que ascendia a 2,5 milhões de euros e um vazio diretivo incompreensivível ditaram o fim do futebol profissional na cidade de Alverca. Recordamos abaixo os principais protagonistas que faziam parte do plantel ribatejano que obteve a melhor classificação de sempre do clube, um 11º lugar na temporada 1999/2000 sob o comando técnico de José Romão.

O Guardião

A baliza dos ribatejanos estava então guardada por um gigante, Sergei Ovchinnikov. Na época de estreia no emblema ribatejano, o moscovita “extorquiu” a baliza ao português Paulo Santos e destacou-se como um dos melhores guardiões na primeira liga portuguesa. Para recordação, ficam inúmeras defesas e exibições de encher o olho de Ovchinnikov, um guardião capaz de intimidar os adversários não só pela sua envergadura como também pela sua inexpressividade facial. Uma menção honrosa para o guarda-redes Paulo Santos que substituiu o seu colega de posto por diversas vezes com qualidade. O português não era um guarda-redes de elevada estatura, no entanto, compensava essa lacuna com uma grande elasticidade e excentricidade.

A Muralha

O eixo defensivo azul e encarnado estava entregue fundamentalmente ao trio Hugo Costa, Veríssimo e Gaspar. O primeiro era o capitão de equipa e um central de marcação bastante poderoso, já Veríssimo era um central bastante rápido e forte nas dobras aos seus companheiros de posição, enquanto Gaspar era um central imbatível nos duelos aéreos e bastante útil nas bolas paradas. Como alternativa aos 3 principais centrais, havia ainda um jovem bastante promissor de seu nome Marco Caneira, que tanto podia atuar no centro da defesa como desempenhava frequentemente o papel de lateral. Nas laterais do FC Alverca, Sousa era o jogador mais utilizado pelo técnico José Romão especialmente devido à sua polivalência, porém havia ainda Abel Silva, um experiente defesa direito que compensava a baixa estatura com a sua “raça” e tenacidade, Nélson Morais, um lateral esquerdo rápido e bastante útil no processo defensivo, bem como Rui Capucho, um dos defesas mais experientes mas um dos menos utilizados.

O Motor

Na casa das máquinas alverquense pontificavam nomes como Kulkov, Ramires, Diogo e Milinkovic. O russo estava prestes a terminar a sua carreira, contudo, continuava a pincelar o centro do terreno com a sua qualidade técnica e um perfume futebolístico inconfundível. Quanto a Ramires e Milinkovic, a dupla luso-sérvia era a principal responsável pela organização e criação ofensiva do conjunto ribatejano, contribuindo com golos e assistências para o desempenho do emblema azul e encarnado. Se Ramires era um médio fortíssimo na transição capaz de chegar e finalizar com qualidade na área adversária, o gigante Milinkovic era um jogador mais cerebral e de maior requinte técnico. Já Diogo era o elemento do meio campo mais importante para o equilíbrio defensivo do FC Alverca devido ao seu espírito combativo, capacidade física e posicionamento tático no terreno. Outro elemento essencial a nível defensivo era Jamir. O centrocampista brasileiro era um jogador experiente, forte fisicamente e que se impunha à frente da sua defesa. Sempre que o seu técnico pretendia incrementar a solidez defensiva da formação alverquense, era comum ver Jamir fazer parelha com Diogo. A temporada 1999/2000 ficou ainda marcada pelas estreias de Nuno Assis e Bernardo Cariata no principal escalão do futebol português. O criativo português integrou o plantel do FC Alverca e viria a ser opção pontualmente para José Romão. Já o médio defensivo angolano foi uma agradável surpresa durante essa época devido à capacidade física e à inteligência tática demonstrada.

A Artilharia

O elemento mais carismático do clube era Rui Borges, um jogador de baixa estatura mas extremamente irreverente e perigoso. O extremo português era uma seta apontada às redes adversárias, fazendo constantemente estragos com o seu pé esquerdo. O título de artilheiro-mor pertencia porém a Cajú. O brasileiro era um avançado móvel que dava imensas dores de cabeça aos adversários pois além de ser um jogador rápido e com uma boa capacidade de drible, tinha faro para o golo. A meio da temporada 1999/2000, Cajú seguiu para o FC Porto e o centro do ataque azul e encarnado ficou entregue a Anderson Luiz. Apesar do brasileiro ser um ponta de lança mais de área, mais posicional e mais potente do que Cajú, Anderson Luiz conseguiu igualmente assumir-se como um dos goleadores da equipa. Outra das opções ofensivas de José Romão era Duda, um extremo brasileiro muito veloz e com uma boa capacidade de remate, o que lhe permitia bisar com facilidade as redes adversárias. Uma nota ainda para Filipe Azevedo e Paulo Costa. O primeiro era um ponta de lança que, após não ter aproveitado a saída de Cajú, tornou-se um suplente utilizado para tentar mudar o rumo dos acontecimentos. Quanto a Paulo Costa, um extremo criativo com boa técnica e capacidade de aparecer em zonas de finalização, a época 1999/2000 marcou a sua estreia na primeira liga portuguesa.

O Onze

Guarda-Redes: Sergei Ovchinnikov;
Defesas: Sousa, Veríssimo, Hugo Costa e Marco Caneira;
Médios: Diogo, Jamir, Ramires e Milinkovic;
Avançados: Rui Borges e Cajú.

PS: Excluídos do elenco acima encontram-se jogadores que na temporada de 1999/2000 não realizaram pelo menos 200 minutos, tais como, Gilber, Alhandra e Pedro Mantorras.


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