Onde é que anda o flop: Makukula, o português mais congolês de Portugal

João NegreiraMaio 1, 20196min0

Onde é que anda o flop: Makukula, o português mais congolês de Portugal

João NegreiraMaio 1, 20196min0
Voltamos a recordar um flop do Benfica. Desta feita, olhamos para a história de Makukula, avançado que se destacou antes de chegar à Luz e até representou Portugal, mas foi um autêntico flop nas águias.

Ariza Makukula chegou ao Benfica com o mercado de inverno quase a fechar, proveniente do Sevilha. Tecnicamente, bastou-lhe entrar no avião no Funchal e aterrar em Lisboa. Isto porque estava emprestado ao Marítimo.

Quem é e quem foi no Benfica?

Estamos então na temporada 2007/2008 quando chega à ilha da Madeira um avançado com 1,90m de altura. Faz uma primeira metade de época bastante razoável (7 golos em 14 jogos) e o Benfica decide comprá-lo ao Sevilha por 3,5M€.

Mas falamos de um jogador que não era completamente desconhecido dos portugueses. Makukula fez toda a sua formação jovem em clubes portugueses. Passou pelo Vitória FC, pelo Chaves e finalmente pelo Vitória SC.

Com todo este caminho por terras lusas, o jogador nascido no Zaire, mas com nacionalidade congolesa, acaba por tirar o passaporte português e deixar até a sua marca em Portugal.

Apesar de todo este caminho em Portugal, quando chega a idade de sénior vai para Espanha, a custo zero, a fim de representar o Salamanca. E por incrível que pareça, é mesmo lá onde se destaca, na temporada 2001/2002, com 20 golos em 38 jogos.

Estes números despertam a atenção de clubes europeus de maior dimensão e o Nantes avança com 5,5M€ para garantir este avançado goleador. Não obstante, é também um flop em França, marcando apenas 1 golo em 20 aparições.

Volta a Espanha, emprestado ao Valladolid, onde na temporada 2003/2004 marca 8 golos em 18 jogos. Apesar de tudo, Makukula parecia ter qualidade.

Alguns clubes europeus apostaram nele e em certos contextos, conseguiu dar nas vistas. Estaria pronto para dar o próximo passo?

A verdade é que o Sevilha paga 3,5M€ ao Nantes, no mercado de transferências do verão de 2004. Faz 2 temporadas na Andaluzia onde volta a passar despercebido, vestindo a camisola por 18 vezes em cada época, tendo apenas marcado 3 golos na primeira.

Fazendo agora um ponto de situação, para que o leitor não se confunda, Ariza Makukula, mostrava-se ser um avançado alto, possante, lutador e (quando lhe apetecia) com golo.

Mas era muito inconstante. Tanto marcava 20 golos numa época, como na época seguinte só marcava 1.

E Makukula não se conseguia manter por muito tempo nos clubes. Se numa época se destacava, era logo vendido. Depois de ser vendido, não se adaptava e não mostrava o ser valor, era emprestado e descartado.

Enfim, voltamos à sua carreira e estávamos na sua 2ª época com Sevilha ao peito e o avançado já com 25 anos.

Na temporada 2006/2007 é emprestado ao Nàstic onde volta a não convencer. Nesta altura, os responsáveis sevilhanos deveriam estar incrédulos ao pensar como é que pagaram 3,5M€ por um avançado promessa que acaba por ser um flop.

Chegamos, então, ao início do artigo. Makukula volta a Portugal! O Sevilha tenta adotar outra estratégia para o jogador e empresta-o ao Marítimo, na temporada 2007/2008.

E não é que o luso-congolês volta a ser destaque pelos golos que marca? Munido de uma grande força, recebia muito bem a bola de costas para a baliza e voltava-se com um grande remate.

E é pela porta grande que chega ao Benfica. Como referido anteriormente, as águias, na altura comandadas por José Antonio Camacho, resgatam Makukula ao Sevilha por 3,5M€.

Chegou para jogar ao lado de Óscar Cardozo o resto da temporada e até tem um começo razoável. Não marca no primeiro jogo – apesar de ter sido ele a sofrer o penálty que dá um dos golos – mas marcou o golo da vitória sobre o Nuremberga para a Taça UEFA.

Foi titular nos primeiros 4 jogos, mas nunca se afirmou por completo. Começa a ficar para trás e o último golo foi em fevereiro de 2008. Nunca mais jogou e não conseguiu comprovar o seu valor e o dinheiro investido.

1 ano depois de ter chegado, no mercado de transferências de inverno, é emprestado ao Bolton Wanderers para o resto da temporada.

Entretanto, Makukula, ainda antes de chegar ao Benfica, é convocado por Scolari. Estávamos em outubro e o avançado dava nas vistas, na ilha da Madeira. É, assim, que faz a sua estreia pela seleção nacional, marcando um golo, num jogo de apuramento para o Euro 2008, contra o Cazaquistão.

Ariza Makukula chegou a representar a seleção das quinas. (Foto: Record)

Um viajante no mundo do futebol…

Depois da falhada passagem pelo Benfica, é, então, emprestado ao Bolton de Inglaterra, mas, mais uma vez, sem sucesso.

Ainda ligado aos encarnados, na temporada, 2009/2010, foi emprestado ao Kayserispor, onde faz a sua melhor época da carreira.

Foi o melhor marcador da Liga Turca, com 21 golos em 30 partidas. Mais um demonstrador da fraca regularidade do avançado, já que tanto era flop, como mostrava-se ser um avançado goleador bastante procurado.

É, assim, que as águias se vêm livres de Makukula, quando o conseguem vender por 1,7M€ ao Manisaspor, onde por lá fica 2 épocas, marcando 5 golos em 38 jogos. Volta a não convencer.

No verão de 2012 sai para o Karsiyaka, a custo zero, onde em 6 meses veste a camisola por 10 vezes e marca 2 golos. Em janeiro de 2013, volta a trocar de clube, sendo que volta a Portugal, para o Vitória FC, tendo o mesmo registo que na primeira metade da época.

Makukula já estaria em final de carreira e estas trocas de clube sem qualquer sentido ou propósito já faziam adivinhar o futuro. Porém, ainda havia tempo para vestir a camisola de mais 2 clubes.

No verão de 2013 segue para a Grécia para representar o OFI Creta, totalizando 2 golos em 11 jogos. Mas não fica por aqui. Imagine-se que em fevereiro sai para a Tailândia, onde é apresentado no BEC Tero Sasana, mas em abril termina mesmo a carreira sem ter jogado pelo clube.

Enfim, uma carreira já no início se avizinhava ser inconstante. Makukula tanto fazia golos de festejar e chorar por mais, como não convencia sequer o treinador para o colocar a jogar. Era só quando lhe apetecia.

O avançado não era, realmente, um jogador mau. A questão que se pode colocar é que em contextos e ligas mais fáceis, o jogador tinha sucesso, mas quando subia alguns patamares e nível aumentava, já não teria pedalada para o mesmo.

Melhor marcador da Liga Turca, com o Kayserispor. (Foto: NTVSpor.net)

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