10 pontos sobre a Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal

José DuarteDezembro 14, 20186min0

10 pontos sobre a Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal

José DuarteDezembro 14, 20186min0
Suspensões e expulsões por analisar, orçamentos por rever e muito mais será discutido na Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal. Será o novo começar dos "leões"?

O Sporting Clube de Portugal volta a reunir-se em Assembleia-Geral com alguns pontos quentes a discutir já no próximo sábado. Da suspensão à expulsão de sócios (e falsos-sócios) será um teste à suposta nova paz no clube de Alvalade.

APRECIAÇÃO DE RECURSOS

1-Ao contrário do que tem vindo a ser veiculado aqui e ali, a Assembleia Geral (AG) do próximo sábado não se destina a deliberar a expulsão de nenhum sócio, mas apenas a apreciar os recursos dos diversos associados, a citar: Alexandre Godinho, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, José Quintela, Luís Gestas e Rui Caeiro, membros da direcção destituída pelos sócios e entretanto suspensos, Elsa Judas e Trindade Barros, sócios expulsos.

2-Sobre a matéria que estará sob apreciação dos sócios – a manutenção das penas aplicadas – e tendo em conta a gravidade dos actos cometidos, mas também tendo em conta o que foram as acções subsequentes, é absolutamente claro para mim que não há nenhuma razão para a suspensão das penas dos ex-dirigentes (Alexandre Godinho, Bruno de Carvalho, Carlos Vieira, José Quintela, Luís Gestas e Rui Caeiro), bem pelo contrário.

3-Sobre a pena de expulsão dos dois referidos sócios (Elsa Judas e Trindade Barros), a sua intervenção e participação nos eventos que levaram à AG de destituição configuram gravidade suficiente para o merecimento da pena aplicada. O facto de nem sócios de pleno direito serem por, alegadamente, terem quotas em atraso e, não menos importante, serem especialistas em direito funciona como especial agravo.

A DEFESA DE QUEM NÃO TEM DEFESA

4– Entretanto registaram-se novos desenvolvimentos do que virá a ser a AG: O Presidente da Mesa da Assembleia Geral (PMAG) Rogério Alves dirigiu uma comunicação aos sócios, dando nela conta da possibilidade de os indivíduos sob alçada disciplinar e requerentes do recurso se poderem apresentar pessoalmente na AG e tomarem a sua defesa.  Em teoria olho para esta medida como uma atitude generosa e até saudável. Na prática olho para ela como uma medida ingénua e baseada numa análise irrealista e distorcida da realidade.

5-Dá impressão que o PMAG delegou num clone a gestão da passada AG e que depois disso não chegou a estabelecer contacto com a sua réplica. Mas pior, não tem lido os jornais, não tem visto as noticias e não se apercebeu ainda do que têm sido os últimos meses da vida do Sporting.

Peço desculpa pela crueza da imagem, mas não há generosidade nenhuma em continuar a “afagar a cabeça do mastim” que temos em casa e cuja intenção continua a ser evidente de querer continuar a tentar morder. A isso chama-se ingenuidade, perigosa no momento actual.

6-Tenho uma diferença de opinião insanável com o PMAG e talvez mesmo com a generalidade dos órgãos sociais que parece quererem ir em busca de uma pacificação por via da tão famosa “união”. Para que tal acontecesse seria necessária uma regra básica, que se aplica a actos mais banais como por exemplo dançar um tango: é preciso a vontade dos dois lados.

Aplicando isso à realidade vigente no clube, há um último reduto de adeptos que continua a não aceitar os resultados das eleições e cuja única e exclusiva vontade que continuam a manifestar é reverter o acto até ao ponto em que seja possível voltar a colocar Bruno de Carvalho de onde ele foi afastado pela vontade de uma maioria bem expressiva de sócios.

A sua lealdade ao Sporting extingue-se nessa vontade cega. Só deve ir a jogo quem aceita as regras. Ora o PMAG diz que “temos que de democraticamente aprender as decisões maioritárias” mas esse exercício carece ainda de ser feito por muitos, pelo que não se percebe a generosidade.

A (MÁ) DIRECÇÃO DO PASSADO NÃO PODE PAUTAR O FUTURO

7– É compreensível que haja sócios que entendam o contrário e guardem do anterior presidente memórias mais positivas e reconfortantes do que as ficaram do último ano. Mas o que está em causa neste processo são factos  muito concretos e revestidos de especial gravidade que num eleito para defender a instituição Sporting funcionam como circunstâncias especialmente agravantes. Se dentro desses há quem olhe para o mandato e encontre razões de satisfação e regozijo, lembro que esse deveria ser o resultado normal do exercício da função que lhe foi confiada e tida por ele como uma honra e não como um livre trânsito.

8– Não é demais lembrar o objectivo das AG’s do inicio do ano, cujo um dos objectivos dos então dirigentes era o endurecimento do regulamento disciplinar, sob cuja alçada haveriam de cair em tão pouco tempo. Isso não apenas faz acrescer as suas responsabilidades como as agravantes para os seu actos.

9– Há também sérias dúvidas da legitimidade da permissão de entrada na AG de sócios suspensos. Mais uma vez, é compreensível a generosidade expressa na vontade de deixá-los tomar a sua defesa, não sendo demais lembrar que foi-lhes facultado o exercício do contraditório no decurso do processo disciplinar.

Porém a pergunta é: o que poderão dizer de novo que não se saiba já? Que se encontravam temporariamente inimputáveis quando decidiram criar uma mesa de assembleia geral fantasma uns e a aceitaram integrar outros? Foram vitimas de envenenamento dos alimentos pelos “sportingados” e outros malfeitores?

10– Não sabemos que rumo tomará a AG e muito menos o seu resultado. Mas para os que nunca acreditaram em Bruno de Carvalho, não é aceitável que o seu sportinguismo não tenha falado até hoje mais alto que as suas ambições pessoais.

Desde que o caos em que lançou o clube e as divisões que provocou, e depois das inúmeras providências cautelares sucessivamente rejeitas que interpôs, em nenhum momento foi audível uma palavra que demonstrasse uma preocupação genuína com o futuro do clube mas apenas consigo próprio. Isso por si só é suficiente para manter e reforçar as minhas convicções relativamente aos eventos à época e os seus principais protagonistas.

Foto: Nuno Fox / Lusa

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