Frank Lampard: um maestro dentro e fora das quatro linhas

José NascimentoJulho 28, 20204min0

Frank Lampard: um maestro dentro e fora das quatro linhas

José NascimentoJulho 28, 20204min0
Na sua época de estreia em Londres, Frank Lampard conseguiu liderar os Blues em direcção ao 4º lugar e à Champions League, podendo ser exactamente aquilo que faltava no Chelsea. Os pontos positivos do antigo internacional inglês destacados por José Nascimento

Com o fim do campeonato é tempo de arrumar as botas e preparar a época que se avizinha. O Chelsea de Frank Lampard foi uma das agradáveis surpresas desta edição da Premier League terminando no 4º lugar conseguindo o acesso à Champions League. O futebol ofensivo e as apostas na prata da casa foram uma das imagens de marca do Chelsea.

Recuemos até ao dia 4 de Julho de 2019 onde o antigo médio e figura histórica do Chelsea é apresentado como o novo treinador do Chelsea. Os Blues seguem assim a tendência que se tem verificado nestes últimos anos no futebol inglês, em que ex-jogadores assumem o cargo de treinadores (Ole Gunnar Solskjaer, Mikel Arteta, Dean Smith, entre outros). Lampard contava apenas com uma passagem no Derby County, no qual terminou em 6º lugar e conseguiu levar os rams até à final do playoff de acesso à Premier League, acabando por perder com o Aston Villa.

Frank Lampard quando chega ao Chelsea não teve a oportunidade de reforçar a equipa à antiga pois o clube estava a contas com uma sanção da UEFA que impedia a contratação de novos jogadores no mercado de transferências. Contudo, Frank Lampard voltou-se para a formação do Chelsea e “recrutou” diversos jovens talentos.

O principal destaque foi Mason Mount, jogador que Lampard já conhecia bem nos tempos do Derby County pois foi seu jogador. O médio inglês de apenas 21 anos jogou 37 jogos nesta edição da Premier League onde apontou 7 golos e registou 5 assistências sendo uma das peças chave do meio campo ofensivo do Chelsea.

Outro destaque foi Tammy Abraham, ponta de lança que na época anterior estava emprestado ao Aston Villa que militava no Championship e na presente época foi o melhor marcador dos Blues na Premier League com 15 golos e 3 assistências em 34 partidas.

Mais um nome desta fornada de jovens jogadores do Chelsea foi Callum Hudson-Odoi um extremo irreverente de apenas 19 anos que causou muitos estragos nas defesas adversárias, que contou com 6 assistências e 1 golo. Infelizmente lesionou-se gravemente a meio da época o que acabou por lhe custar uma quebra no rendimento.

Destaques ainda para Fikayo Tomori, jovem central de 22 anos que contou com 15 presenças; Reece James, lateral de 20 anos que contou com 24 presenças nesta edição da Premier League e por fim Billy Gilmour médio com 19 anos, mas que já anda a dar cartas e mostra ser um talento muito promissor que vai dar que falar a nível mundial.

Outro aspecto positivo da liderança de Frank Lampard foi o relançamento de jogadores para o estrelato, atletas que diversas personalidades diziam que estavam acabados como por exemplo Olivier Giroud ou Kovacic. O francês acabou por marcar 8 golos em 18 jogos e conseguiu “roubar” a titularidade na segunda metade da época a Abraham, atribuindo uma série de vantagens ao ataque dos Blues entre e dentro da grande-área. Já Kovacic revelou-se um médio muito completo, demonstrando uma boa consistência exibicional ao longo da época, com um passe acertado e eficiente – sem este processo, o Chelsea de Lampard emperrava – e uma forte capacidade em ganhar ressaltos.

Por fim Kurt Zouma jogador que tinha sido emprestado nas épocas anteriores revelou-se uma excelente opção para o eixo da defesa londrina , conseguiu provar o seu valor e assumiu protagonismo dentro do eixo-defensivo, necessitando só um pouco mais de espaço para ser o patrão da defesa.

Com as contratações de Timo Werner (excelente reforço vindo da Bundesliga, onde foi um dos melhores marcadores da liga alemã desta temporada) e de Hakim Ziyech com Kai Havertz muito perto de assinar, o Chelsea pode se assumir como um candidato ao título inglês, um troféu que o treinador dos Blues conhece de perto enquanto jogador.

O mérito tem que se der dado a Frank Lampard que apenas no seu segundo ano como treinador fez algo que muitos poucos conseguiam igualar, estando numa rota ascendente na carreira, fintando as críticas dos seus antigos colegas de profissão – Neville e Rio Ferdinand por exemplo – e conquistando o público de Stamford Bridge.

Será para o ano vamos vê-lo a levantar o troféu da Premier League?


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