Estágio do Sporting com boa nota e melhores notícias para o futuro

José DuarteSetembro 1, 20208min0

Estágio do Sporting com boa nota e melhores notícias para o futuro

José DuarteSetembro 1, 20208min0
O emblema leonino é analisado ao pormenor por José Duarte, que dá a conhecer os melhores nomes durante o estágio do Algarve e o que poderá o Sporting fazer nesta temporada que se avizinha

O jogo de encerramento do estágio algarvio foi provavelmente o ideal para o momento actual. O Belenenses é ainda um projecto incipiente, depauperado dos seus melhores jogadores do campeonato transacto. O 3-1 final é escasso para espelhar com rigor o que deveria ser a diferença actual entre os contendores.  A isso se deve também o facto do Sporting, apesar da exibição agradável, não ter sido tão impiedoso e letal como gostaríamos que fosse e que se espera poder vir a ser.

Mas é bom ter em atenção que foi apenas mais um jogo de preparação, em que a vitória, sempre importante e necessária, ombreia com a urgência de dotar a equipa das rotinas necessárias para encarar a temporada que se avizinha. Há ainda muitas decisões para tomar e o onze base está ainda no preâmbulo do seu esboço.

Como é óbvio, os problemas sentidos no jogo anterior não iriam desaparecer como por milagre. O facto de o jogo se ter iniciado com um onze constituído por jogadores que se conhecem melhor entre si bem como as ideias do treinador também ajudaram a criar a ideia de evolução positiva. Isso poderá ser confirmado ou não nos próximos jogos, provavelmente já com o Valladolid.

Do ponto de vista individual, saliência para as boas presenças de:

Adán: Trouxe a segurança que se exige a um guarda-redes com o seu estatuto em todas as intervenções, deixando ainda a impressão de bom jogo com os pés.

Gonçalo Inácio: Concentração, colocação, movimentação muito a propósito, a que associou uma surpreendente capacidade de construção e lançamento do jogo. Excelente surpresa certamente para a generalidade dos observadores que não lhe conhecem o trajecto.

Borja: Muitos furos acima do que geralmente mostrou, o que obriga a ter em conta que alguns dos jogadores tão trucidados no ano transacto podem afinal precisar “apenas” de melhor conjuntura para poderem mostrar o que valem.

Nuno Mendes: Há muitos veteranos que não conseguem jogar alardeando a segurança e confiança que exibe. E mais uma vez podia ter chegado ao golo. Ninguém diz que tem 18 anos assim como ninguém negará que parece ter pela frente um enorme futuro.

Daniel Bragança: A titularidade revelou-se quase uma obrigação depois do jogo anterior. Neste momento é a isso que pode aspirar, uma vez que o lugar no plantel estará mais do que assegurado. A menos que haja grandes surpresas por via de mais aquisições, não se vislumbra como possa vir a ser dispensado. Ainda assim o jogo não lhe correu totalmente de feição.

Matheus Nunes: Parecendo mais relaxado e por isso mais solto de movimentos, percebendo melhor o papel que tem desempenhar. Continua a revelar contudo alguma insuficiência no capitulo do passe que, se resolvesse, permitir-lhe-ia subir de rendimento e com isso beneficiar o colectivo.

Pedro Gonçalves: promovido a Pote com a chegada a Alvalade e não faltarão agora as correspondências e analogias. Se é de ouro ou não, se vai ser o nosso Harry Pote é o que mais adiante se verá. Para já é indiscutivelmente a melhor surpresa e, a par de Adán, a mais segura.

Tiago Tomás: Até agora tão discreto como eficaz. Que melhor elogio se poderia dar a um miúdo que aparentemente relegou outros nomes mais sonantes na lista de preferências?

Do ponto de vista colectivo fica o registo dos Golos sofridos: Em todos os jogos realizados até agora nunca logramos manter a baliza inviolável. Teria menos importância se não fosse o espectro negativo deixado o ano passado neste capítulo. O golo de ontem foi um daqueles quase tão caricato como escusado, o que se pode considerar uma sina. Mas o que sucede de forma sistemática no futebol está longe de ser um acaso, antes sim uma consequência.

Rúben Amorim com boas razões para sorrir? (Foto: Isabel Silva Fotografia)

O QUE TEM O PLANTEL DO SPORTING PARA OFERECER AOS ADEPTOS?

Talvez não por acaso, foram os nomes acima em destaque no último jogo são alguns dos protagonistas do estágio algarvio. NetoCoates e Fedal é uma tripla onde parece sobrar experiência mas faltar alguma qualidade, especialmente para o momento da saída de jogo em construção. Caso a opção seja esta a preponderância dos médios neste momento do jogo terá de ser ainda maior. Também não parece muito facilitada a opção de jogar com as linhas subidas com defesas onde a velocidade escasseia. Relativamente às opções, na direita Quaresma perdeu algum fulgor nas aparições mais recentes, não sendo de estranhar o recurso ao mercado. Conseguirá Gonçalo Inácio sentar algum dos consagrados?

Os laterais terão a seu cargo a tarefa de dar largura e profundidade pelas alas, o que requer enorme disponibilidade física. Os principais candidatos são Porro e Nuno Mendes. Se o espanhol deixou mais interrogações que certezas, Nuno Mendes continuou a impressionar, sendo um dos nomes incontornáveis do momento. Antunes certamente terá que esperar. A melhor nota de Ristowski foi para a sua participação nas redes sociais, porque em campo foi confrangedor.

No que à linha média diz respeito, muita da sua operabilidade assentará na escolha dos médios centrais. Quem parece ter perdido o comboio é Doumbia.Ninguém ficaria muito surpreso com a manutenção, pelo menos num momento inicial, da dupla Mateus – WendelRúben Amorim não vai dispensar a presença de pelo menos um elemento que tem na robustez física um dos seus argumentos e aí Mateus parece levar alguma vantagem. Como todas as opções, esta será amplamente discutível. No entanto, para as especificidades da nossa Liga esta não é uma questão de somenos. Basta olhar para o modelo mais premiado nos últimos anos, o de Conceição, para perceber que a agressividade, velocidade de execução e reacção e a dimensão física não devem ser descuradas como recurso, especialmente quando os outros argumentos falham.

No modelo de Amorim extremos são chamados a jogar por dentro, deixando os corredores para os laterais. Plata precisa de subir muitos degraus para chegar a um patamar em que reivindique a titularidade. É um jovem, provavelmente a carecer de maior adaptação ao país e aos costumes, cedo portanto para se desistir dele. Mas a bola está do lado dele e já vai sendo tempo de ir dando algum sinal de que sabe o que fazer com ela. Pote e Nuno Santos vieram enriquecer a oferta quer de primeira como de segunda linha e são candidatos principais à titularidade.

Jovane: interessante o recurso à mobilidade do jogador, resolvendo alguns problemas na ligação com o sector mais adiantado. Não seria um papel que lhe atribuiria (Pote?) mas que geralmente desempenhou bem, tendo inclusive feito uma assistência de bandeja, ao conseguir ludibriar, com movimentação a propósito, a defesa azul.  

Vieto atrasou-se, embora o facto de poder jogar como coadjuvante da principal referência do ataque (até agora só Sporar) ou, tal como se viu agora com Jovane, ser opção jogando sem avançado fixo na frente aumenta as suas possibilidades de se assumir como titular. Mas, nesta altura da temporada são os que jogam que partem à frente. E se o final de época de Jovane já lhe tinha garantido um bilhete para os melhores lugares, as assertividade de Tiago Tomás puseram o seu nome na lista de Rúben Amorim.

Sozinho na frente está Sporar. Tem uma relação interessante com o golo, como se confirmou mais uma vez no último jogo, mas parece curto em número e não oferece uma referência segura para o jogo aéreo, uma opção sempre a ter em linha de conta, especialmente quando o trânsito pelo chão estiver muito congestionado. Luiz Phellype, viu os jogos da  bancada, embora o facto de estar a sair da grave lesão que o afectou pode ter estado na base do afastamento e este ser temporário. É provável que os rumores de que chegará alguém para a posição se venham a confirmar.


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