Lopetegui, Monchi & Ca.: o “novo” Sevilla

Bruno DiasSetembro 15, 20197min0

Lopetegui, Monchi & Ca.: o “novo” Sevilla

Bruno DiasSetembro 15, 20197min0
Uma análise a uma equipa que reformulou extensivamente o seu futebol para esta temporada. Vamos conhecer o "novo" Sevilla.

O Verão de 2019 trouxe várias mudanças ao futebol do Sevilla. Depois de uma temporada passada abaixo das expectativas (6º lugar na liga, com 59 pontos), os sevilhanos não foram de modas e reestruturaram grande parte do seu futebol. O primeiro passo, no entanto, passou por um regresso. Depois de uma experiência mediana na AS Roma, Monchi voltou a Sevilha, clube onde se tornou conhecido no panorama mundial pelo seu espantoso trabalho de recrutamento e valorização de inúmeros atletas de grande potencial desportivo e financeiro, como foram os casos de Dani Alves ou Ivan Rakitic, por exemplo.

Seguiu-se o treinador. Julen Lopetegui, espanhol bem conhecido do futebol português (especialmente dos adeptos do FC Porto), foi o escolhido para comandar a equipa neste projecto, após uma passagem fracassada pelo Real Madrid. Apesar de coleccionar prestações pouco dignas de destaque num passado recente, a verdade é que o técnico de 53 anos tem em Sevilha mais uma oportunidade de conduzir uma equipa de nível médio-alto europeu. De resto, e igualmente como em projectos anteriores, o investimento no plantel acompanha claramente a ambição de crescimento que os responsáveis sevilhanos pretendem ver realizada no clube, pelas mãos daquele que é também ex-seleccionador espanhol.

Resta saber se Lopetegui demonstrará capacidade suficiente para orientar um grupo com bastantes alterações em relação à temporada passada, mas igualmente com bastante qualidade.

 

As mudanças

Tal como já foi referido, o Sevilla reformulou praticamente todos os sectores do seu plantel. Monchi é conhecido pela sua sagacidade e objectividade no mercado, e desde que assumiu novamente a gestão desse departamento no clube, encetou esforços para dotar o plantel de maior qualidade e variedade de soluções.

Assim, a Sevilha chegaram 14 reforços. Começando pela baliza, os “rojiblancos” conseguiram garantir os serviços de Bono, por empréstimo do Girona, de forma a colmatar a saída de Sergio Rico, guarda-redes com vários anos de clube mas que perdeu a titularidade aquando da chegada do checo Vaclik, que deverá continuar a ser o dono da baliza nesta temporada.

Na defesa, Jesús Navas recuou definitivamente no terreno em 2018/19, e apresenta-se agora como um pilar da equipa e um dos melhores laterais-direitos da La Liga. Do lado oposto, joga Sergio Reguilon, chegado por empréstimo do Real Madrid, que assumiu de imediato o lugar que tem pertencido, nos últimos meses, a Sergio Escudero. Já no eixo defensivo, e perante as saídas de Gabriel Mercado, Simon Kjaer ou Joris Gnagnon, a dupla central é agora composta pelo português Daniel Carriço (já com vários anos de Sevilla no currículo, sendo uma das figuras do plantel para os adeptos) e pelo brasileiro Diego Carlos, que também já passou pelo futebol português e que trocou o Nantes pelo clube de Sevilha. Para além disso, para a zona central existe ainda Jules Koundé, central de 20 anos com grande potencial, proveniente do Bordéus e que custou 25M€ (a par de Rony Lopes, foi a contratação mais cara do clube neste mercado).

Já no meio-campo, há claramente um nome em destaque neste início de temporada: Joan Jordán. O médio espanhol, de 24 anos, foi contratado por cerca de 14M€ ao Eibar, e tem-se revelado nuclear no futebol de Lopetegui. Para além de pautar o ritmo a que a equipa avança no terreno, tem apresentado ainda uma capacidade goleadora invulgar para o seu perfil nestes primeiros jogos, contando já com 2 golos nos primeiros 4 jogos do campeonato.

Para além de Jordán – e para se juntar ao argentino Éver Banega, pedra basilar do miolo -, chegou ainda Óliver Torres. Tremendamente mal aproveitado no FC Porto, o pequeno criativo espanhol volta a cruzar-se com o treinador que o levou para Portugal e que o conhece como, provavelmente, nenhum outro. Será interessante perceber o que pode Óliver render num novo contexto. Como opções adicionais, Lopetegui conta ainda com Fernando (o “Polvo”, ex-FC Porto), Nemanja Gudelj (ex-Sporting) ou Franco Vázquez.

Finalmente, o ataque presenciou a chegada de vários novos jogadores. Para as alas, e de forma a compensar também a crucial perda de Pablo Sarabia para o PSG (de forma destacada, o melhor jogador do Sevilla na época transacta), chegaram Lucas Ocampos e Rony Lopes (de quem falarei um pouco melhor em seguida), a juntar a Nolito (com um perfil que sempre apreciei e que acredito ter espaço com Lopetegui) e ao jovem prodígio Bryan Gil.

Já para a frente de ataque, e perante a saída de Ben Yedder (francês de enorme qualidade) e de André Silva (que começou a temporada anterior em grande forma, mas que acabou por decrescer significativamente de rendimento nos meses seguintes, ao ponto de não deixar saudades entre os adeptos), chegaram Munas Dabbur, Luuk de Jong e Javier “Chicharito” Hernández. A avaliar pelos primeiros jogos, o titular parece ser o “gigante” holandês, goleador com provas dadas na Eredivisie. Já o israelita parece ter sido um “erro de casting”, dado que surgiram rumores de que este estaria na porta de saída do clube ainda neste mesmo mercado de Verão. Adicionando a estes três jogadores, há ainda Munir, opção que já se encontrava no clube.

Julen Lopetegui foi o escolhido para comandar este projecto do Sevilla (Foto: lance.com)

A figura

Rony Lopes. Num Verão em que o Sevilla se reforçou em praticamente todas as posições, o extremo criativo português foi, provavelmente, a chegada de maior valor ao Ramón Sánchez Pizjuán. Contratado por cerca de 25M€ ao AS Monaco, Rony encaixa perfeitamente no papel de desequilibrador com golo que faltava à equipa de Lopetegui.

Aos 23 anos, Rony ainda não entrou sequer no seu “prime“. O português aporta velocidade, clarividência no 1×1 e um manancial de recursos técnicos que lhe permitem resolver com relativa facilidade os desafios que lhe surgem pela frente no flanco (maioritariamente, o direito). Aliada à capacidade de desequilíbrio, Rony é ainda bastante forte na finalização, tanto na forma como surge em zonas de concretização como através da meia distância, recurso que também consta do seu “arsenal” ofensivo.

Tendo já dado provas sérias da sua qualidade e do seu potencial de rendimento em França, espera-se que Rony Lopes seja uma espécie de “game changer“, que possa auxiliar individualmente o Sevilla a conquistar várias vitórias ao longo da temporada, sobretudo num modelo de jogo algo estático e posicionalmente rígido como o de Lopetegui.

Depois de brilhar no Monaco, Rony Lopes chega com grandes expectativas a Sevilla (Foto: fichajes.com)

 

Com 10 pontos nas primeiras 4 jornadas, o Sevilla lidera a La Liga e inicia da melhor forma uma caminhada que se espera culminar com a qualificação para as competições europeias, com o sonho da UEFA Champions League enquanto luz ao fundo do túnel. Tendo em conta todas as novas atracções da equipa e o nível geral do seu plantel, é de esperar que as partidas da equipa de Lopetegui esta temporada sejam interessantes de se acompanhar, pelos mais variados factores.


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