La Liga Scouting #16 – Riqui Puig (FC Barcelona)

Bruno DiasJunho 30, 20205min0

La Liga Scouting #16 – Riqui Puig (FC Barcelona)

Bruno DiasJunho 30, 20205min0
A 16ª edição do "La Liga Scouting" traz-nos aquela que é, provavelmente, a maior "jóia" da formação "blaugrana" dos últimos anos. O verdadeiro herdeiro de Xavi Hernández e Andrés Iniesta. No palco... Riqui Puig.

Tal como em muitas outras ocasiões ao longo dos anos, a fabulosa academia de La Masia produziu mais um futebolista genial. Riqui Puig é o mais recente médio “à Barça” a sair da academia catalã, e faz parte de uma espécie em vias de extinção, a julgar pelas mais recentes escolhas para a equipa principal nesse sector e pelo rumo dado aos “canteranos” que surgiram nos últimos tempos para o meio-campo “culé“.

Tendo entrado na formação do clube em 2013, percorreu praticamente todos os patamares formativos, destacando-se desde cedo pela postura de liderança e de capacidade organizativa em campo. Em 2018, e já depois de se estrear pela equipa B, venceu a UEFA Youth League pelos catalães, naquele que foi um dos últimos e únicos sucessos desportivos da formação de Barcelona em tempos recentes.

Há muito referenciado e altamente esperado por muitos apoiantes do clube e fãs do jogo, era uma questão de tempo até que Puig fosse definitivamente promovido à equipa principal e começasse a atrair para si os holofotes. Teremos agora a oportunidade de o ver em acção ao mais alto nível.

 

O que traz Puig ao futebol “blaugrana

Puig diferencia-se dos colegas pela facilidade com que encontra soluções para a circulação de bola, mesmo nas situações mais improváveis. Uma características extremamente valorizada durante anos no clube, e que ganhou expressão no panorama mundial com o tremendo sucesso que Xavi Hernández e Andrés Iniesta tiveram no miolo “blaugrana“, tricotando adversários numa teia de passes curtos e combinações que, invariavelmente, criavam espaços para os seus colegas noutras zonas do terreno.

(Foto: tribuna.com)

A transbordar de criatividade em todas as acções com bola, Puig tem essa rara capacidade de fazer a equipa progredir no terreno através do passe, mesmo em espaços curtos e sem grandes opções. Isso, combinado com o seu total conforto sob pressão e com a clarividência com que decide entre várias possibilidades numa fracção de segundo fazem do “menino”, mais do que nunca, uma peça imprescindível para o regresso do Barcelona ao registo que caracterizou o clube nos seus tempos áureos.

Aos 20 anos, Riqui começa finalmente (pois a sua qualidade individual já “gritava” por este nível há algum tempo) a ganhar algum espaço no plantel principal, tendo sido aposta para os recentes jogos pós-pandemia, pela mão do técnico Quique Setién. Numa equipa carregada de talento para a zona intermédia (Busquets, Frenkie de Jong, Vidal, Rakitic e, agora, também com a chegada de Pjanic, por troca com o igualmente talentoso Arthur), o seu perfil é aquele que mais se assemelha ao de um verdadeiro médio-ofensivo, dentro da filosofia de jogo típica dos catalães.

Astuto e naturalmente irreverente, explora os espaços entre linhas com mestria, associa e envolve os companheiros na construção e criação de jogo e joga permanentemente de cabeça levantada, sempre à procura da solução mais objectiva para a jogada. A partir da meia-esquerda, onde melhor encaixa, é também frequente vê-lo procurar movimentos de ruptura dos colegas com vista a atacar as costas da defensiva adversária (algo que, neste Barcelona, raramente surge, diga-se de passagem). Predispõe-se a reagir com intensidade à perda da bola, apesar de franzino, não fugindo de um trabalho posicional e de condicionamento do adversário, de forma a que a equipa possa voltar a ter a bola – que ele tanto adora – em sua posse o mais rapidamente possível.

É no capítulo da concretização no último terço (e aqui não falamos apenas de golos, mas sobretudo da regularidade com que pode ser uma ameaça para a baliza contrária) que se encontra a grande margem de progressão deste jovem. Iniesta, por exemplo, nunca foi jogador de impressionantes registos estatísticos, mas foi-se assumindo como uma ameaça cada vez maior à medida que foi evoluindo na sua carreira, fosse através da capacidade associativa ou até da sua meia distância. Puig poderá, sem dúvida, seguir o mesmo caminho, aproximando-se mais no estilo e posicionamento a “Don Andrés”, distanciando-se um pouco do perfil do “cerebral” Xavi.

Seja como for, o futuro promete ser absolutamente brilhante para Riqui Puig. Nos tempos que correm, com o surgimento das redes sociais e consequente propagação da informação, a facilidade em elevar e até extrapolar o talento de jovens jogadores é maior do que nunca. No entanto, Riqui é um dos raros casos em que a dimensão do seu talento não deixa margem para dúvidas relativamente à sua capacidade para triunfar ao mais alto nível.

Muito provavelmente, este será um nome de fácil associação à “La Liga“, nos próximos anos.


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