La Liga Scouting #13 – Reinier (Real Madrid)

Bruno DiasAbril 30, 20205min0

La Liga Scouting #13 – Reinier (Real Madrid)

Bruno DiasAbril 30, 20205min0
13ª edição do "La Liga Scouting", rubrica que promete tornar-se bastante regular, enquanto não temos novas incidências dentro das quatro linhas do futebol espanhol. Esta semana, iremos conhecer a mais recente "jóia" brasileira dos "merengues".

Não é novidade para o comum adepto de futebol, mas o Brasil continua a produzir talentos extraordinários de forma quase industrial. Os criativos de drible fácil, imaginação fértil e passada de samba sucedem-se e, época após época, chegam à Europa como apostas de futuro nos grandes clubes europeus ou como estrelas imediatas em clubes de menor dimensão.

As últimas temporadas colocaram o Real Madrid como o “colosso” europeu de referência para estes jovens sul-americanos. O primeiro a chegar foi Vinícius Júnior, em 2018, e a este seguiu-se o talentoso Rodrygo, em 2019. De resto, este último já deu provas imediatas daquilo que poderá oferecer regularmente no futuro, ao brilhar ao mais alto nível na época (ainda) actual, em pleno Santiago Bernabéu, apontando um “hat-trick” na UEFA Champions League, frente ao Galatasaray.

A mais recente adição à “armada” brasileira dos merengues é Reinier. Contratado ao Flamengo por cerca de 30M€ – uma verba que levou Jorge Jesus, que o treinou na temporada passada, a insurgir-se contra a venda do prodígio de apenas 18 anos -, no início de 2020, o avançado conta já no currículo com um Brasileirão e uma Copa Libertadores, tendo feito parte da fantástica equipa que o técnico português construiu em apenas poucos meses de trabalho no “Mengão”.

Ao serviço do Real Madrid Castilla – a equipa “B” dos madrilenos -, os primeiros sinais foram já muitos positivos: em 3 jogos, Reinier apontou 2 golos e uma assistência. Um possível (ou provável) prenúncio daquilo que poderá apresentar nos próximos anos.

(Foto: si.com)

O herdeiro de… Kaká

No Brasil, Reinier é amplamente comparado a um jogador que também passou pelo Real Madrid. As suas semelhanças com Kaká são mais que muitas, e facilmente é possível reconhecer no jovem avançado alguns dos traços que notabilizaram o último “Bola de Ouro” brasileiro do futebol.

Desde logo, salta à vista a leitura de jogo e a capacidade associativa de Reinier. Contrariamente aos talentos ofensivos brasileiros mais “puros”, que baseiam o seu jogo principalmente numa técnica individual apurada e na iniciativa individual mas que, por vezes, pecam na tomada de decisão e na objectividade que conferem ao seu jogo, o brasileiro possui já um perfil mais “europeu”, e parece estar mais preparado para encaixar de imediato num estilo de jogo onde o espaço é um bem mais precioso e complicado de conquistar do que aquilo que acontece no futebol sul-americano.

Podendo também jogar a partir de uma das alas ou até como a referência mais adiantada da equipa, é no entanto atrás de um avançado mais fixo, como “10“, que o brasileiro encontra o seu habitat natural. Com uma compleição física assinalável (1,85m), possui uma grande facilidade em proteger e transportar a bola, e são as suas arrancadas com bola – que quebram linhas com extrema naturalidade – aquelas que mais fazem lembrar Kaká e a sua forma de estar em campo. Tecnicamente muito evoluído, sente-se à vontade em espaços curtos e sai no drible com frequência, procurando depois também associar-se com os seus colegas para ultrapassar adversários e acelerar o ritmo em direcção à baliza contrária.

E é precisamente no último terço do terreno que encontramos a maior virtude de Reinier: a facilidade de finalização. Na equipa principal do Flamengo, apontou 6 golos em 15 jogos, sendo que a variabilidade de acções que o permitem visar a baliza é até um traço ainda mais interessante do que estes números. Seja na forma como foge à marcação e aparece no sítio certo para concluir o lance na área adversária, na capacidade natural de criar oportunidades para si próprio ou até através de uma poderosa meia-distância, o golo surge com naturalidade para este jovem de 18 anos. Com o seu pé mais forte – o direito – ou com o menos forte, a eficácia é assinalável, e os seus registos tenderão a aumentar à medida que for evoluindo e conquistando cada vez mais tempo de jogo e maturidade exibicional.

A sua capacidade de trabalho e a forma como nunca foge das suas responsabilidades defensivas são outras das características que certamente encantarão muitos treinadores, e que fazem com que o futuro do brasileiro se afigure como muito risonho.

Dado o vasto leque de jovens talentosos nos quadros do clube, no que ao último terço diz respeito, é expectável que a próxima temporada de Reinier possa passar por um empréstimo, à semelhança do que acontece actualmente com Takefusa Kubo (emprestado ao Maiorca) ou Martin Odegaard (emprestado à Real Sociedad), por exemplo.

Ainda assim, e dado o nível que já apresentou na sua (curta) carreira, a temporada 2020/21 poderá contar já com Reinier a demonstrar toda a sua qualidade nos relvados da “La Liga”.


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