La copa se mira y no se toca

João Pedro SundfeldJaneiro 28, 20223min0

La copa se mira y no se toca

João Pedro SundfeldJaneiro 28, 20223min0
A mistura de português e espanhol que dita o ritmo do futebol no continente de nove (ou 11) títulos mundiais

Não é sobre Palmeiras, tampouco sobre Libertadores. É sobre um dos lemas mais conhecidos do futebol sul-americano. Afinal, la copa se mira y no se toca, não é mesmo?

Cantar vitória antes da hora é totalmente descartado. Todo torcedor que se preze sabe disso. Não é o palmeirense, não é o são-paulino. Simplesmente não se faz. O título é almejado, visto de longe. Comemorado e celebrado quando conquistado. Sofrido e chorado por dias e dias quando fica pelo caminho.

Por que com jogadores seria diferente? É sério. La copa se mira y no se toca. A mistura de português e espanhol que dita o ritmo do futebol no continente de nove (ou 11) títulos mundiais. É preciso respeitar a superstição, porque, por algum motivo, ela se mostra verdadeira em toda oportunidade que tem.

Antes de uma final, o troféu é o maior objetivo. Olhos lacrimejam sonhando com o dia em que você verá seu capitão levantando a taça. Em campo, quem tem a braçadeira foca o olhar no objetivo que é só um. Um de milhões. Um de 23 que estão ali carregando cores e corações nas costas.

Mira e mira. À distância. Com segurança.

A última coisa que alguém precisa num momento de tensão e de decisão é bater de frente com os deuses do futebol. Brincar com a sorte? Não faz sentido. Não tem motivo.

Alguns, porém, desafiam o destino. Batem de frente com a crença popular, almejando sentir aquilo que não sentirão. Mas eles não sabem disso. Afinal, o jogo ainda não aconteceu.

Toca y toca. Pero no juega y juega. 

Depois que a bola rola, o destino é fatal. Em jogo equilibrado ou dominado. Nos pênaltis ou com gol no início. Goleada ou prorrogação. O final é um só. Apenas uma equipe pode levantar a Copa do Brasil, ou a Libertadores, ou até mesmo a Copinha.

E, pasmem, não é quem toca.

Vimos recentemente, com o Palmeiras, como o futebol funciona. No profissional ou na base. No país ou no continente “brasileiro”.

Entendendo o coração e sentimento da torcida, que teme, mais do que tudo, a famosa “parmeirada” (quando o time perde um jogo que só o Palmeiras é capaz de perder), o elenco soube jogar o jogo. Soube respeitar a taça o sonho. Esteve próximo, mas não se aproximou demais.

Se estivesse num museu, sempre atrás da linha vermelha no chão. Sempre a uma distância segura e correta da maior obra de arte que os olhos podem ver. Mesmo se a Mona Lisa não estivesse protegida por vidros e guardas. Respeitando, por bom sendo e obrigação, as limitações impostas pelos 90 minutos que ainda estão por ser jogados.

Em duas Libertadores. Em uma Copa do Brasil. Em uma Copinha inédita e histórica.

O adversário, porém, não soube agir. Por ingenuidade ou falta de fé. Não acreditou no dito popular. Na voz de tantos que avisaram.

LA COPA SE MIRA Y NO SE TOCA! 

Marinho pecou antes de 30 de janeiro. Gustavo Gómez levantou o troféu de verde.

Maicon cometeu o mesmo erro meses depois. E, desta vez, Felipe Melo ergueu o Brasil nos braços.

Gabriel Barbosa quis rever aquela que já tinha conquistado anos antes. Tirou a camisa no gol de empate. Mas o continente seguiu verde, branco e de sangue italiano.

Elder Campos, mais recentemente, sonhou com o principal título da base e a manutenção do meme. Viu Pedro Bicalho com o troféu em mãos e o fim da música que tantos cantavam.

Todos quebraram a regra básica do futebol sul-americano. O mantra que antecede grandes decisões. Nenhum aprendeu com os que vieram antes. Todos deixaram a lição básica para os que vêm.

Afinal, la copa se mira…


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