23 Mai, 2018

Copa Rubro Verde: a pré-temporada das Lusas Brasileiras

Rafael RibeiroJaneiro 20, 20185min0

Copa Rubro Verde: a pré-temporada das Lusas Brasileiras

Rafael RibeiroJaneiro 20, 20185min0
A Copa Rubro Verde marcou a preparação dos 4 clubes de origens Portuguesas espalhadas pelo Brasil, que se reuniram para um quadrangular comemorativo.

Como forma de preparar seus times para o início da época, um torneio quadrangular marcou o encontro entre as Portuguesas que habitam solos tupiniquins. Esta foi a iniciativa encontrada pelos clubes para preencher o curto calendário de preparação, divulgar a marca das agremiações e ainda marcar a despedida de um ícone do futebol brasileiro: Zé Roberto.

Organizado entre os dias 4 e 7 de Janeiro de 2018, a Copa Rubro Verde (chamada anteriormente em outras edições de Copa Dener) contou com a participação da Associação Portuguesa de Desportos (de São Paulo), a Associação Atlética Portuguesa (Portuguesa Santista, da cidade de Santos-SP), a Associação Portuguesa Londrinense (Londrina-Paraná) e a Associação Atlética Portuguesa (esta do Rio de Janeiro). O quadrangular foi sediado no estádio do Canindé em São Paulo (campo da Lusa paulista), e acabou com o título na mão dos cariocas da Portuguesa-RJ.

Estádio do Canindé, da Portuguesa-SP, sede da Copa Rubro Verde

A primeira semi-final

Foi o encontro entre a Portuguesa Santista e a Portuguesa-RJ. Com o empate em 2×2 no tempo normal, a partida foi decidida nos pênaltis, onde a Portuguesa-RJ se saiu melhor, vencendo por 5×3. A Portuguesa de Santos se prepara para o Campeonato Paulista Série A3, tendo subido para esta divisão em 2016. Conhecida por “Briosa” ou “Rubro-Verde”, a Portuguesa Santista já contou com nomes famosos em início de carreira, como Serginho Chulapa, Léo Baptistão e até Neymar.

A Portuguesa-RJ , situada na Ilha do Governador-RJ, disputará a série A do Campeonato Carioca e a série D do Campeonato Nacional. A principal novidade para o ano é a contratação de Alanzinho, ex-promessa do Flamengo que atuou por 13 anos na Europa, principalmente por Noruega e Turquia.

Portuguesa Santista (branco) x Portuguesa-RJ (vermelho) – Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

A segunda semi-final

A Portuguesa-SP enfrentou a Portuguesa Londrinense pela outra chave da Copa. Marcando o retorno de Zé Roberto, revelado pelo clube e que recentemente vestia as cores do Palmeiras, a Portuguesa da capital paulista venceu por 2×0 os paranaenses e avançaram para a final. A mais conhecida das Lusas se prepara para a serie A2 do Paulista, mas a situação não é boa, já que a equipe não participará de nenhuma competição nacional em 2018.

Já a Portuguesa Londrinense, conhecida como “Lusinha”, disputa a Segunda Divisão do campeonato Paranaense, e sua boa campanha em 2015 foi um dos pontos altos da equipe, chegando as quartas-de-final da competição. O volante Williams foi uma das boas revelações do clube. Foi vendido ao Coritiba em 2003 e chegou a ser negociado com o Marítimo (POR).

Portuguesa-Londrina (branco) x Portuguesa (vermelho) – Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

A final

A Portuguesa-SP enfrentou a Portuguesa-RJ para selar o final da competição preparatória. Em campo, nada que merecesse relevância pelo futebol apresentado. O placar não se movimentou e o 0x0 levou a decisão para os pênaltis. Rhayllan, Jonnathan e Alexsandro marcaram para os cariocas, enquanto somente Paulo Fernando balançou a rede para os paulistas. 3×1 nos pênaltis e título para a Portuguesa-RJ.

A boa forma de Zé Roberto foi motivo a mais para a torcida da Lusa paulista aparecer e pedir pelo seu fico. Depois de anunciar a aposentadoria dos gramados ao final do Campeonato Brasileiro de 2017, quando atuou pelo Palmeiras, o jogador aceitou o convite para participar da Copa Comemorativa pelo clube que o revelou.

A campeã Portuguesa-RJ – Foto: Fernando Dantas/Gazeta Press

Hoje com 43 anos, o “Vovô Garoto” voltou ao clube depois de 23 anos, quando estreou pelo profissional da Portuguesa em 94, onde faria grande carreira até se transferir para o Real Madrid em 97. Foi titular na Copa do Mundo de 2006, ganhou duas Copa América e duas Copa das Confederações pela seleção, além de consolidar sua carreira na Alemanha, jogando por Bayer Leverkusen, Bayern de Munique e Hamburgo. O experiente jogador pendia entre disputar a série A2 do Paulista com a Portuguesa, ou seguir uma nova carreira, desta vez como dirigente, como membro da direção do próprio Palmeiras, porém optou pela última opção, se tornando o Assessor Técnico do clube.

A competição serviu como um alento aos times “lusitanos”. Disputando séries inferiores em seus campeonatos estaduais, sendo que algumas não participarão de campeonatos nacionais em 2018, a Copa Rubro Verde também foi uma tentativa de trilhar de volta bons caminhos depois de alguns anos em baixa. A Lusa paulista, por exemplo, passa por situação muito difícil, com problemas estruturais, e corre grandes riscos se seus dirigentes não tomarem diferentes medidas.

A iniciativa, mesmo que inicial e sem um alto apelo a investidores ou transmissão de TV, por exemplo, serviu para mostrar que os clubes pensam em diferentes formas de continuarem a tradição e não deixarem que os problemas atuais ameacem a existência de cada uma delas. Se a atitude para execução do campeonato foi criativa, a imagem do torneio ficou um pouco desajeitada pela revitalização de seu logo, muito parecido com o da Copa Del Rey (Copa da Espanha).

Seria a Copa Rubro Verde a Copa Del Rey brasileira? Logo poderia ter sido repensado.


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