A ascensão palmeirense na reta final do Brasileirão

Rafael RibeiroNovembro 11, 20185min0

A ascensão palmeirense na reta final do Brasileirão

Rafael RibeiroNovembro 11, 20185min0
O Palmeiras construiu uma boa vantagem para os rivais na disputa pelo Brasileirão 2018. Que fatores levaram a equipa a aumentar seu rendimento, e subir da 6ª posição até a liderança do disputado Campeonato Brasileiro?

Mostrando a força de seu plantel, o crescimento da solidez defensiva, ajustada finamente pela convicção do novo velho treinador da casa, o Palmeiras bateu seus principais adversários rumo a liderança da competição nacional, abrindo vantagem confortável para uma possível conquista do Brasileirão de 2018.

Quais foram os pontos que tornaram o alviverde o principal candidato ao título? Que mudanças ocorreram para que a equipa, até então fora do top 5 da tabela, alcançasse a liderança nas jornadas de returno do campeonato e abrisse uma distância para os rivais? O Fair Play detalha algumas das ações que fizeram a equipa do Felipão justificar o alto investimento e o status de um dos melhores elencos do país.

A chegada de Felipão

No dia 25 de Julho de 2018, após derrota para o Fluminense por 1×0, o então treinador Roger Machado era demitido do comando da equipa que, mesmo tendo a melhor campanha da 1ª fase da Libertadores da América, havia perdido previamente a final do Campeonato Paulista para o rival Corinthians, e naquele momento ocupava apenas a 6ª posição do Brasileirão, oito a menos que o então líder Flamengo, amargando três empates e uma derrota em sequência.

No dia seguinte, Felipão era anunciado novo treinador. Sua última passagem pela equipa não havia sido das melhores, já que deixou a equipa no meio do ano (2012) em que o Palmeiras cairia para a Série B do nacional. Mas o fato é que Scolari se sente em casa no alviverde, é o segundo treinador que mais dirigiu a equipa, e vinha com a missão de manter o elenco nas três competições que disputava (Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores).

Resolver os problemas defensivos foi uma das armas que o treinador utilizou (falaremos sobre isso mais a frente). Usar o plantel em sua totalidade foi uma das surpresas positivas, sendo que para cada competição, praticamente oito jogadores eram trocados, dividindo o Palmeiras em duas equipas diferentes. O equilíbrio entre a equipa “A” e a “B” foi outro fator positivo, já que ambas eram muito coesas, quase não havendo diferença tanto no estilo de jogo quanto no rendimento individual.

Felipão soma 15 vitórias, 5 empates e apenas 2 derrotas desde que assumiu a equipa (Foto: Cesar Greco/Divulgação/Palmeiras)

A retomada de confiança

Com as mudanças feitas pelo treinador, outro ponto importante foi ele ter depositado novamente a confiança e esperança de melhores rendimentos em alguns nomes do grupo. O médio defensivo Bruno Henrique, mesmo tendo um bom desempenho antes da chegada de Felipão, se tornou o melhor jogador da equipa no nacional, além de Lucas Lima e Dudu, nomes que transitavam entre as equipas dos diferentes torneios, se tornaram ainda mais o elo entre a solidez defensiva e o aproveitamento das chances criadas no ataque.

O nome de mais destaque nesta entrega de responsabilidades é o de Deyverson. As características do estilo de jogo do avançado bateram exatamente com as que o Felipão mais gosta, de um avançado centralizado, com bom arremate, presença de área, chute de longa distância, mas que também ajuda na marcação alta. Ainda que seja marcado por ter reações explosivas, causar confrontos com o adversário, recebendo mais cartões do que o usual, Deyverson está sendo muito importante para a campanha positiva do verdão no 2º turno do campeonato.

Felipão e Deyverson durante treinamento (Foto: César Greco/Divulgação/Palmeiras)

A correção do sistema defensivo

Um elenco completo e equilibrado pode ter competições internas pela titularidade na equipa. Com Felipão, a solução adotada foi a troca completa do sistema defensivo entre as competições. Enquanto Edu Dracena e Antonio Carlos formavam a dupla da Copa do Brasil e Libertadores, Luan e Gustavo Gomez correspondiam à altura no Brasileirão, chegando até a terem exibições melhores. Destaque para Gomez, paraguaio de 25 anos que chegou por empréstimo do Milan (válido até Junho de 2019) e que chamou atenção pelas boas aparições.

As duplas de laterais também têm bons nomes. Marcos Rocha e Mayke pela direita, assim como Diogo Barbosa e Victor Luis pela esquerda, formam duplas muito competitivas, e mesmo que estes nomes tenham sofrido com lesões ao longo da época, não deixaram a desejar em nenhum momento. Tendo a eficiência defensiva como fator primordial, era de se esperar que as saídas rápidas para o ataque a o aproveitamento de cada chance criada fizesse a diferença, e por isto as apostas de Felipão em Bruno Henrique, Dudu e Deyverson, justificam o aumento de gols, vitórias, e a consequente subida na tabela.

O sistema defensivo foi prioridade de Scolari (Foto: Getty Images)

O Palmeiras soma 66 pontos até 32ª rodada, cinco a mais que o vice líder Internacional, e seis a mais que o terceiro colocado Flamengo. Faltando seis rodada para o fim da competição, é difícil imaginar um cenário onde o Palmeiras acumule duas ou três derrotas seguidas para que um dos rivais ameace sua liderança. Agora fora das demais competições (eliminado da Copa do Brasil e da Libertadores) o foco no Brasileirão também ajuda a crer que o time aproveitará a boa condição para cravar o título de 2018. Agora é esperar para ver.

Agradecimentos a Adelmo Nunes, Marcelo Moreira e Tom Moschen, analistas palmeirenses que contribuíram para o artigo.


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