1981: a América é do Flamengo pela primeira vez

Virgílio NetoDezembro 7, 20193min0

1981: a América é do Flamengo pela primeira vez

Virgílio NetoDezembro 7, 20193min0
Muito se fala do bicampeonato da América conquistado pelo Clube de Regatas do Flamengo e treinada pelo português Jorge Jesus. Conquista que aconteceu no último dia 23 de Novembro, coincidentemente data também da primeira vez em que a América foi Rubro-Negra, em 1981. No artigo, um bocado do que aconteceu há 38 anos.

É momento de êxtase dos adeptos do “clube mais querido do Brasil” – o Clube de Regatas do Flamengo. Este espaço possui origem portuguesa, assim como o treinador da equipa bicampeã da América, Jorge Jesus. O texto “aproveita-se” disso para resgatar um bocado da história da primeira conquista continental do Flamengo, há 38 anos, em 1981.

Por bastante coincidência, os títulos foram obtidos em um mesmo 23 de Novembro. O triunfo de 81 teve grandes nomes como Mozer (bastante conhecido dos portugueses), Andrade, Raul Plassmann, Júnior, Nunes, Adílio, Tita e, claro, Zico. Naquele tempo, apenas duas equipas de cada país participavam da Libertadores. Dessa maneira, Flamengo e Atlético Mineiro, respectivamente campeão e vice-campeão do Campeonato Brasileiro de 1980, representaram o Brasil e na primeira fase e ficaram no grupo com os melhores do Paraguai, Olímpia e Cerro Porteño.

Tendo o Flamengo terminado na primeira colocação, avançado à próxima fase, jogou contra os colombianos do Deportivo Cali e os bolivianos do Jorge Wilstermann. Mais uma vez terminado à frente, teve o recém-fundado Cobreloa (1977), do Chile, como adversário na final. Um parênteses cá para explicar que esta equipa chilena tem como principal fonte de recursos a indústria do cobre em sua cidade de origem, Calama.

Foram necessários três jogos para definir o campeão da Taça Libertadores de 1981. Vitória brasileira no Rio de Janeiro (2×1) e triunfo chileno em Santiago (1×0) levaram para uma terceira partida, jogada em campo neutro. O lugar escolhido foi o estádio Centenário de Montevidéu, no Uruguai, para pouco mais de 30 mil adeptos, na noite de 23 de Novembro daquele ano.

Provocações, faltas e incontáveis paralisações marcaram negativamente aquela final. Mesmo assim, Zico anotou os dois golos que deram a vitória ao Flamengo. Foi um jogo extremamente violento, com cinco atletas expulsos, três do Cobreloa e dois rubro-negros. Um dos brasileiros foi Anselmo, que entrou no lugar de Nunes aos 41 minutos da segunda parte com uma ordem explícita do treinador, Paulo César Carpeggiani: dar um soco em Mário Soto, do Cobreloa. Vingança? Provavelmente, haja vista a deslealdade de Soto durante o jogo. Resultado: o chileno vai ao chão e Anselmo é expulso, com uma das participações mais rápidas de sempre em campo na história do futebol. Na sequência, Mário Soto levanta-se, diz algo impróprio ao árbitro, o uruguaio Roque Cerullo, e também é expulso.

Fim de jogo e o Clube de Regatas do Flamengo tornava-se, pela primeira vez, Campeão da América, o que o habilitava a disputar, em Dezembro daquele ano, no Japão, a “Taça Intercontinental” contra o Liverpool, patrocinada por renomada montadora japonesa de automóveis. Tema para outro texto cá no “Fair Play”.

Antes disso, entre a conquista da América e a do Mundo, uma tragédia. O grande mentor desta equipa do Flamengo fora Cláudio Coutinho, treinador do clube no título brasileiro de 1980, tendo logo em seguida partido para os Estados Unidos para treinar os estadunidenses dos Aztecs de Los Angeles. Sempre lembrado por conceitos inovadores, estava de férias no Rio de Janeiro e era adepto da pesca submarina. No fim-de-semana após a conquista da Libertadores em 1981, Coutinho morre afogado durante mergulho nas ilhas Cagarras, um arquipélago não distante da praia de Ipanema. A morte precoce (42 anos) e o legado deixado ao futebol do Brasil (era um exímio estudioso da preparação física aplicada ao futebol) deixam o clube de luto por dias.

Provavelmente um alento para a conquista do mundo que viria semanas depois.


Entre na discussão


Quem somos

É com Fair Play que pretendemos trazer uma diversificada panóplia de assuntos e temas. A análise ao detalhe que definiu o jogo; a perspectiva histórica que faz sentido enquadrar; a equipa que tacticamente tem subjugado os seus concorrentes; a individualidade que teima em não deixar de brilhar – é tudo disso que é feito o Fair Play. Que o leitor poderá e deverá não só ler e acompanhar, mas dele participar, através do comentário, fomentando, assim, ainda mais o debate e a partilha.


CONTACTE-NOS



newsletter