Bradley Wright-Phillips. Talento inglês à conquista da MLS

Diogo MatosNovembro 16, 20185min0

Bradley Wright-Phillips. Talento inglês à conquista da MLS

Diogo MatosNovembro 16, 20185min0
Desde 2013, é uma constante ver-se o nome de Bradley Wright-Phillips no topo da lista de melhores marcadores da MLS. Quais as razões que explicam o sucesso do avançado inglês?

2, 33, 18, 25, 19, 20. Se, à partida, estes números apresentados de forma descontextualizada pouco ou nada dizem ao leitor, a verdade é que, se se fizer referência a Bradley Wright-Phillips, talvez haja quem consiga perceber o significado dos mesmos. Falar-se do avançado inglês é falar-se de golos e os números no início do texto representam o registo finalizador do jogador de 33 anos em cada uma das temporadas em que representou os New York Red Bulls, fazendo-se o somatório de fase regular e playoffs da MLS (aos 20 da época 2018 ainda se podem somar mais alguns, tendo em conta que a equipa nova-iorquina ainda se encontra em prova).

 

Quem é Bradley Wright-Phillips?

 

Nascido na cidade de Londres em março de 1985, BWP é filho de Ian Wright, antiga lenda do Arsenal. O jogador inglês iniciou a sua carreira profissional no Manchester City, clube no qual se formou, tendo coincidido na equipa dos citizens com o irmão Shaun Wright-Phillips. Se Shaun se ia afirmando como um dos bons valores jovens de Inglaterra, tendo inclusivamente sido transferido para o Chelsea de José Mourinho, Bradley nunca se conseguiu assumir como titular de uma equipa na Premier League, sendo obrigado a “descer” a escalões inferiores para ganhar protagonismo.

Bradley Wright-Phillips foi formado no Manchester City (Fonte: Goal.com)

Apesar de ter tido algumas temporadas com registos interessantes de golos (destaque para os 11 em 2006/2007 e para os 43 entre 2010 e 2012 dividos pelo Plymouth Argyle e pelo Charlton), a verdade é que as épocas e a idade de Bradley Wright-Phillips iam passando e o avançado inglês não conseguia afirmar-se nos grandes palcos. A situação só se alterou em 2013, altura em que Bradley chegou aos New York Red Bulls.

 

BWP e NYRB – O “casamento” perfeito

 

O jogador assume que recebeu a proposta dos New York Red Bulls com alguma surpresa, mas que aceitou sem pensar muito. Para além de poder viver e jogar numa das cidades mais emblemáticas do mundo, o facto de Thierry Henry, lenda do clube de coração de Wright-Phillips, representar os Red Bulls acabou por pesar na altura de tomar uma decisão.

Estreando-se na Major League Soccer em agosto de 2013, a primeira temporada de Bradley na competição pode ser vista como uma fase de adaptação. No ano seguinte, completamente adaptado à realidade norte-americana, Bradley Wright-Phillips “explodiu”.

Para além de ter apontado 27 golos na fase regular (na altura, recorde de golos na fase regular de uma temporada na MLS), o camisola 99 tornou-se ainda o primeiro inglês a fazer um hat-trick na competição e o primeiro jogador da história dos Red Bulls a apontar 20 golos na fase regular da prova.

 

Explicações para o sucesso de Wright-Phillips em Nova Iorque

 

Sendo certo que não há uma receita exata para o sucesso, a verdade é que existem alguns fatores que podem ajudar a compreender o sucesso de Bradley Wright-Phillips na MLS. Para começar, é importante referir-se a qualidade do avançado. Para além de rematar bem com os dois pés e de cabeça, Wright-Phillips é um jogador extremamente inteligente. Para os mais desatentos, BWP pode ser rotulado como um avançado que marca muitos golos “fáceis” (ou seja, que resultam apenas de desvios à boca da baliza), mas isso resulta da forma hábil como o inglês se movimenta dentro da área. 124 golos em 209 jogos pelos New York Red Bulls, em todas as competições, comprovam a excelente capacidade de finalização que o Bradley possui.

A juntar a isto, o facto de Bradley Wright-Phillips ter conhecido um contexto diferente do inglês, onde, por muitos, era apenas visto como o filho de Ian Wright, pode ter sido benéfico para o atleta. Despindo-se dessa “pressão”, o camisola 99 dos Red Bulls conseguiu explorar ao máximo as suas potencialidades.

Desde a saída de Juan Pablo Ángel dos New York Red Bulls em 2010, o conjunto nova-iorquino não mais conseguiu ter um goleador, um verdadeiro número nove capaz de se aproximar das duas dezenas de golos por época. A chegada de Wright-Phillips veio contrariar esse facto e, aliando a isso a generosidade e simpatia que BWP demonstra dentro e fora de campo (palavras de quem priva com ele diariamente), o avançado tornou-se um dos jogadores favoritos dos adeptos. Motivado pelo apoio da bancada, o atleta de 33 anos tem todas as condições para fazer o que melhor sabe: golos.

Sacha Kljestan foi um dos jogadores com quem BWP melhor se entendeu (Fonte: Goal.com)

Por fim, é também importante realçar que Bradley sempre teve a capacidade de criar uma relação especial dentro de campo com alguns colegas em específico. Na sua primeira temporada na Major League Soccer essa relação foi criada com Henry. Entre 2015 e 2017, Kljestan foi o principal criador de jogo para o avançado inglês. Na temporada de 2018, Alejandro Gamarra assumiu esse mesmo papel. Assim sendo, torna-se percetível que o facto de Wright-Phillips encontrar sempre alguém com quem se consegue conectar de forma quase perfeita acaba por beneficiá-lo.

Sendo certo que o tempo não volta atrás e que Bradley Wright-Phillips já conta com 33 anos, a verdade é que continua a ser um verdadeiro rejúbilo assistir-se às partidas do avançado inglês.

 

Artigo escrito por Diogo Matos, administrador e fundador da página MLS Portugal.

 


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